Terça-feira, Junho 28, 2011

Coração de Nata

Maria - Porque queres voltar a voar?
Gonçalo - Por nada e por tudo, faz todo o sentido olhar a vida lá de cima, preciso de pôr as minhas metas em perspectiva...
Maria - És perfeito...
Gonçalo - Sim, diz-me mais...adoro mentiras, faz-me bem à pele.
Maria - Não estou a mentir, para mim és perfeito, ó jeitoso.
Gonçalo - Define perfeito.
Maria - Tu.
Gonçalo - Agora a sério.
Maria - Tu.
Gonçalo - Ai, queres parar com isso?
Maria - Não! Quando é que arranjas um espelho lá para casa? Não consegues ver a tua própria beleza quando observas beleza em tudo?
Gonçalo - Pff, tipo nunca.
Maria - Eu já te topei, tu queres é que eu passe o tempo todo a chamar-te perfeito e tu armado em pseudo-modesto diz "ai, eu? Não, ó..que coisa...tu pá!"
Gonçalo - Fogo lês-me tão bem, como é que sabias que era isso tudo?
Maria - Porque já te conheço de outra vida.
Gonçalo - Qual delas?
Maria - Aquela onde tu me acordavas para eu não faltar ao trabalho.
Gonçalo - Ah essa, pensava que estavas a falar daquela onde eramos os dois amendoins entrelaçados no ar.
Maria - Ahaha!
Gonçalo - ...
Maria - Voltaste a fumar?
Gonçalo - Eu sei, sou um fraco...
Maria - Cala-te
Gonçalo - Descontrai-me...
Maria - Porque? Eu deixo-te nervoso?
Gonçalo - Ahah, sim, ainda não tinhas notado?
Maria - Já, mas não te queria envergonhar, sabes como eu sou.
Gonçalo - Fogo, és tão nice.
Maria - Desde quando é que falas como os morangos com açucar?
Gonçalo - Ó Méne, desde que comecei a falar contigo, porque? É assim que se fala agora, né? É, né?
Maria - É, é, leva lá a bicicleta.
Gonçalo - Sabes quem me ligou ontem? O Carlos! Estivemos na palheta até às tantas da madrugada. Ai, bons velhos tempos...
Maria - Outra vez? Passas o tempo todo a reviver o passado! Estás velho, pá.
Gonçalo - Ele lembrou-se de como tu eras parva todos os dias...
Maria - Que querido...ok, eu não gozo.
Gonçalo - Lembraste de como nos dávamos mal quando nos conhecemos?
Maria - Foi no dia que construiste o foguete, lembraste?
Gonçalo - ...sim...
Maria - Tu com aquele aquele capacete de mota e um rolo de papel higiénico ridiculo em chamas...
Gonçalo - Hey, hey não gozes com o meu foguetão!
Maria - Pronto, pronto...mas tens de admitir que era mesm cómico.
Gonçalo - Admito só quando fôr muito velhinho.
Maria - Amanhã?
Gonçalo - Engraçadinha, vê lá se não te cai um dentinho.
Maria - Ahaha.
Gonçalo - Esquece continuamos a dar-nos mal...e eu a pensar que tinhamos melhoras.
Maria - Nunca.
Gonçalo - Nunca digas nunca.
Maria - Nunca.
Gonçalo - Ahaha.
Maria - Quero um gelado.
Gonçalo – És mesmo indigente.
Maria – Exigente, ó burro!
Gonçalo – …ou isso. Ahah, vá eu pago-te desta vez.
Maria - Está bem, mas só se for um coração de nata.

Terça-feira, Abril 14, 2009

Há coisas...

Ele – Oi
Ela – é bom não é?
Ele – …e assustador…
Ela – é como se o vento te derrubasse, de uma só vez.
Ele – ya…
Ela – Porque tantos diálogos?
Ele – Não sei…
Ela – Continuas esclarecedor como sempre…
Ele – Não é isso, simplesmente não sei…talvez porque assim posso usar-te a meu belo prazer…hehehe
Ela – Hum?
Ele – Queres ver?
Ela – Vá mostra lá, dá-me o teu melhor.
Ele – Ok, então cá vai. Vais dizer “Oh meu xuxu, adoro-te”
Ela – Oh meu xuxu, adoro-te
Ele – Vês…fácil.
Ela – Bolas, mas como é que tu me estás a fazer isto? Eu não queria e acabei por dizer!
Ele – Sou eu que estou a escrever…lembras-te? Eheh!
Ela – Pateta!
Ele – Então que tens feito?
Ela – Nada de novo…olha, tenho um concerto esta semana!
Ele – Ai é? Vais tocar onde?
Ela – Na Gulbenkian…estou tão nervosa que nem imaginas.
Ele – Porque? Tu és toda desenrascada. Vai correr bem, vais ver! 
Ela – Sim…quer dizer, espero que sim. Mas tu sabes que eu fico nervosa quando tenho muita gente a assistir.
Ele – Vai correr bem, depois para comemorarmos vamos jantar a um sitio fixe, que te parece?
Ela – Hum, ok…mas escolho eu desta vez.
Ele – Ok, está bem.
Ela – Até já sei onde vamos.
Ele – Onde?
Ela – Gostava de ir aquele…das vodkas. Pode ser? Pode ser? Pode ser?
Ele – Sim, vamos a esse, patetita. Ouvi dizer que eles têm uma sangria de vodka muito boa.
Ela – Melhor que vodka picante?
Ele – Mil vezes melhor.
Ela – Xii…mil é um número muita grande.
Ele – Só tu para me fazeres sorrir.
Ela – Estás a brincar comigo e eu a ver, né? 
Ele – Está aqui uma pessoa a espremer os sentimentos e tu é assim que me tratas?
Ela – Deixa-me pensar…sim é! Ehehe!
Ele – Sabes que nada disto é real, não sabes?
Ela – Sim sei…mas é giro, né?
Ele – É…se fores um...ai espera…lembrei-me agora de uma coisa…
Ela – Então o que foi? Do que? 
Ele – Vou te mandar uma mensagem agora.
Ela – Só tu…

Quinta-feira, Março 12, 2009

Escrever Escrever

Não consigo escrever...
Zanguei-me com o blog...nem sei porquê. Agora que me apetece escrever tenho o braço partido. Bom timing.

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

Algarve

Eu gostava era de ser um animador sociocultural...para andar aí a esvoaçar tipo gaivota de evento em evento.

Sábado, Fevereiro 02, 2008

Separate Lives

Estou de volta...pelo menos até dia 11...


É assim que começa:

Her - We're living like this...like rats in a cage...and then...God! I can't live like this...if it wasn't for me...
Him - If it wasn't for you I would be one of them.

Estávamos em casa da Patricia quando percebi que eu e tu...bom, a verdade é que...estivemos separados. Sim, a palavra é "separados". Sim, estávamos separados...mas vou precisar de ti, mais uma vez...pelo menos por agora...

Vou ter de te usar. Oh! Não me julgues...não sejas como todos os outros...vou precisar que estejas aí...aí, depois...bom, depois logo vemos o que fazemos de nós os dois.

O Paulo tinha razão..."tens de preparar um inicio"...um recomeço...um "olá o meu nome é..." e tudo recomeça...com ou sem chuva, com ou sem lavagem...com ou sem...

Vou precisar de tudo o que o que tiveres para dar...até dia 11...depois...depois logo se vê para onde vamos...até lá...vamos ser tu e eu...

Não perguntes nada...apenas aceita...deixa-me clicar-te e aceita...como sempre...e talvez um dia eu diga-te porquê...mas por agora...vem comigo viajar.

E é assim que acaba...começa:

Him - I'm going whether you help me or not.
Others - Then we're going with you.

Obrigado.

Sexta-feira, Março 16, 2007

E agora?

Ando sem palavras...não consigo...

Sexta-feira, Março 02, 2007

Snow

Sabes, tenho saudades tuas...
Mas estou de regresso, querida!

Musica
Outkast vs Rage Against The Machices - B.O.B

Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007

Half Nelson

Dan: One thing doesn't make a man.
Drey: [softly laughing]
Dan: What?
Drey: One thing doesn't make a man?

Musica
Half Nelson Soundtrack
Broken Social Scene - Shampoo Suicide

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

Epinefrina

Epinefrina
Hormona secretada pelas glandulas supra-renais.
Quando lançada na corrente sanguínea, devido a condições do meio ambiente que ameaçam a integridade física do corpo, é responsável pelo aumento da frequência dos batimentos cardíacos e o volume de sangue por batimentos cardíacos. Aumenta o nível de açucar no sangue, minimiza o fluxo sanguíneo nos vasos enquanto maximiza o fluxo para os músculos voluntários nas pernas e nos braços e queima a gordura contida nas células adiposas.

Odivelas Skate Park.

Sandra - O que é que tu vais fazer?

Carla - Vou saltar.

Sandra - Estás maluca? Ainda não percebi do que é que andas à procura.

Carla - Não ando à procura de nada, mas se encontrar, o que quer que seja, está descansada que aviso-te. Mas caso não saibas, isto não é nada de mais...chama-se "Leap of Faith".

Sandra - Não és invencivel, sabes? Estou-te a dizer isto como amiga...

Carla - Eu sei que não sou invencivel...mas aí é que está a piada...não ser inconsciente...é ter a consciencia de que me posso aleijar...isso sim, aí é que está a verdadeira alegria.

Sandra - Ainda não percebi como é que isso te pode trazer alegria...

Carla - Não? Já alguma vez arriscaste tudo? Acredita que isso vai-te acontecer, depois de teres deixado os "errados" entrar e teres deixado os "certos" ir embora, isso vai-te acontecer...vais olhar para trás e não vais ver nada...fica-te só um caminho a percorrer...o teu caminho...e esse, minha amiga, é sempre em frente! Sempre em frente até chegares ao limite...ao limite das tuas forças...ao limite das tuas capacidades...vais...e quando lá chegares vais pensar "Isto está a ser fixe até aqui, mas o que é que acontece se eu esticar mais um pouco o meu limite?...Hummm? Olha afinal parece que posso esticar mais a corda!...Hummm, será? Eh pá, só de pensar fico já com o coração aos pulos...isto é cá uma sensação...uau, sinto-me viva! 'Bora, lá!". Eheh.

Sandra - Pára de sorrir...tu assustas-me, pá!

Carla - Eheh. Queres apanhar um susto? Então vem comigo!

Sandra - Nem penses...esqueci-me que deixei o cão sem comida em casa! Vou ter mesmo de sair agora! Ehehe.

Carla - Vá, vamos as duas ao mesmo tempo, que ainda torna o salto ainda mais lindo.

Sandra - Que nervos, pá! Porque é que estás assim?!

Carla - É fácil..."I wanna live like common people". Ehehe.

Sandra - "Sing along with the common people, sing along and it might just get you through"

Carla - Agora?

Sandra - Ok, pronto, chata pá.........1?

Carla - 2.

Sandra - 3.

Carla - Agora!!

Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

Outros Lugares

Tu à minha frente, gesticulavas. De um lado para o outro gesticulavas as filosofias da vida…

Rodrigo - Meu, estás com essa cara porque? Ontem foi apenas o dia dos namorados, mais nada. Tu até achas o dia comercial e tudo. Ouve, há cenas muito fixes para acontecerem, tu sabes disso.

Tiago – Eu sei…mas deixa-me. Deixa-me ser eu a resolver a minha vida, agora tenho as minhas coisas para tratar. Vou ser eu e só eu a criar o meu espaço.

Rodrigo – Olha aqui à volta, não achas isto tudo lindo?

Tiago – Importas-te de não me imitar?! Hehe. Mas sim é lindo, e já me viste estas ondas? Diz-me que não é do mais espectacular que tu já alguma vês viste?! Esta luz...este céu...estas ondas! Se não fosse as horas que são…ainda íamos lá.

Rodrigo – Olha isso sim, isso é que seria uma maluqueira.

Tiago – Então vá, 'bora lá!

Rodrigo – Tiago, olha que não sei…tens consciência que…isto pode correr mal...muito mal mesmo...

Tiago – Sim, pode correr mesmo muito mal…e não é bom saber isso?

Rodrigo – Hummmm...não sei não...

Tiago – Eu não tenho nada a perder...tu tens?

Rodrigo – ...ok, que se lixe! Eu tenho lá o fato e a prancha do Filipe em casa...Vamos mesmo fazer isto?

Tiago – Se quiseres podes não vir, mas eu vou…mesmo…

Rodrigo – Tiago, são 2 da manhã…ir buscar as coisas vir e não vir, vão ser 3 da manhã.

Tiago – É como te disse, não te estou a obrigar a vir...só te estou a dizer que eu vou.

Voámos a ir buscar as coisas.

Chegámos.

A espera. O olhar para aquele negro espelhando de estrelas.
Olhámos um para o outro…e corremos. Gritámos. Corremos.

Estava fria…inconscientes remámos para fora…rimos. Doidos. Jovens loucos, gritavam naquelas ondas. Regressámos.

Em casa, a poucas horas de começar a trabalhar, tirámos uma garrafa de vinho, brindámos:


Tiago – Aos outros lugares.

Rodrigo – Aos outros lugares.

Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007

Chorinho

Ontem fui ver tocar Chorinho...chorinho...profundo choro.
Entre cervejas e conversas...um chorinho.

Após tantos anos ouvir novamente o "Carinhoso", é...
Aquela voz...aquela melodia...aquele piano...

O frio aquecido com cervejas e as horas ficam para trás...ficamos a olhar para o mundo e "sorrir com os olhos"...

Aquela música jazzy...

E a "Rosa"? Aquela música...deslumbrante e bela...
E depois mudar para o "Mundo Melhor"...aquele ritmo...aquela alegria...rir que nem malucos...como é 4 raparigas e 2 rapazes podem fazer tanto alarido?
Frase da Noite: "E aí, guri?! Quanto tempo...tudo jóia?"

Terça-feira, Fevereiro 13, 2007

The Hills Are Alive With The Sound Of Music Part II

Elevador da Glória acima, lá íamos nós todos felizes e contentes, mas como não podia deixar de ser, assim como tudo na vida, havia um lado cómico da situação…os ténis, sim os ténis não se agarravam à estrada, então era trambolhão atrás de trambolhão, escorregadela atrás de escorregadela. Porque? Porque S. Pedro decidiu que estava na hora de abrir a torneira, então demos por nós a escorrer água. Desistentes? Nunca! Bairro connosco.

Chegámos ao miradouro, parou de chover. Pensamos descansados “Ufa! Grande molha…mas parece que abrandou” e abrandou…por 10 minutos.
Primas…cerveja. Conversa. Cervejas. Conversa. Compreendemos que afinal a cerveja à chuva até era engraçada…podíamos beber à vontade que o liquido parecia continuar exactamente no mesmo sítio, havia alturas que até parecia que subia.

Catacumbas…cerveja. Agora sim, já abrigados ouvimos uns Blues…e a eterna Let The Good Times Roll (música maluca, que fez com que nos oferecessem shots…I wonder why?! Humm!). Conversa. Cervejas. Conversa. Cerveja. Saímos para ver como andava o tempo. Já não chovia.

Arroz Doce…cerveja. Conversa. Conversa. Conversa. Reencontros e mais reencontros. Brindes. Cervejas. Conversa.

Tasca do Chico…cerveja…mas de repente, o caos. Chuva. Chuva. Chuva. Chuva. A Tasca do Chico cheia, já não cabia mais ninguém. Os que estavam lá dentro só conseguiam mexer os olhinhos…e nós lá fora, nós e a chuva…a chuva e nós…e a chuva…e a chuva novamente.

Loucos e Sonhadores…Vodkas. Aparentemente tudo tranquilo…como se nada se passasse, como se não houvesse um dilúvio lá fora as pessoas conversavam animadas. Só mesmo nos Loucos e Sonhadores. Ficámos por lá…já nem me lembro quanto tempo. As conversas quando são boas passam depressa…passam mesmo muito depressa. Num rasgo de estupidez decido que me apetece dançar. Levanto-me meio a cambalear. Tu olhaste e pensaste…”Passou-se!”.
Lá vamos nós para o sítio do costume. Incógnito.

Alto! Estou-me a esquecer de um pormenor importantíssimo…chovia.
Mas chovia mesmo a sério. Não era aquela chuvinha miúda, era mesmo chuva com gotas do tamanho de tractores.

Incógnito. Reencontros. Vodkas. Brindes. Vodkas. Reencontros. Mais brindes, mais vodkas. Dança, dança, dança. Alheios e dormentes. Dança. Reencontros. Conversa. Brindes.

Depois…depois saímos…e tornou-se tudo muito turvo. Faço um esforço para me lembrar, mas só me surgem os flash…não consigo discernir a ordem dos acontecimentos. Só me lembro de ir a pé para casa, tirar o telemóvel do bolso e ver “Altas ondas em Peniche. Vou-te buscar ás 8:30 da manhã”. Só me surgi uma palavra na mente…F…Fixee.

Já estava a ver o filme todo…não ia dormir…grandes ondas, grande ressaca…péssima combinação…ia ser um prolongar de um sofrimento que tinha começado mesmo ali, naquele sítio, no momento em que vi a mensagem…aquela dor de cabeça enorme…aquele latejar…e a roupa molhada não estava a ajudar…não estava a ajudar mesmo nada.

Padaria. Bolinhos. Quentinho. Quentinho.

Ensopado. Chuva e mais chuva…até que…parou. Ainda ensopado…caminho. Tiro o iPod do bolso. Headphones. iPod. On > Menu > Music > Songs > B.O.B.

Sorrio e penso: “...palerma! Surf’s up!”

Sorrio.

Domingo, Fevereiro 11, 2007

The Hills Are Alive With The Sound of Music

Mudei de opinião.
Depois de tantos anos a embirrar com o senhor, decidi que "eu" não era mais teimoso que "eu mesmo", então fui ver o aclamado “Melhor Encenador Português”.

Depois de unas cervejas e conversa no Príncipe Real, decidimos jantar. Jantar jantado, pegamos nas perninhas e em passo acelerado fizemo-nos ao caminho. Estávamos a 15 minutos do espectáculo começar. É nestas alturas que me considero um verdadeiro cocó por não ter olhado para o relógio mais cedo.

No momento em que chego ás portas de Santo Antão, deparo-me com uma multidão quase estática…e 5 minutos para começar o espectáculo. – “Raios, mas esta gente não anda? Cocós pá!” – digo eu muito chateado. Tento furar a multidão, mas nada, pareciam estátuas e só via clarões á minha frente e focos de luz como que a cegarem-me. “Mas que raio?!”. Entre cotovelada e encontrão lá tento furar a multidão, o centro da multidão estava impossível, foi aí que comecei a perceber que os clarões eram flashs fotográficos e as luzes que me encadeavam os olhos eram de câmaras de filmar. “Mas esta gente não tem noção que já estamos atrasados para o espectáculo?”. Com mais encontrão lá consigo furar a multidão…pum. Vejo-me numa clareira de uns 3 metros.

Não consigo olhar para a frente com tanta luz. Sinto uns passos ao meu lado…era o nosso Presidente da Republica.

“Bolas”!

Ficámos na clareira que separava os jornalistas e todo aquele aparato de câmaras e luzes e o Presidente.

Os policias lá olhavam para nós com um ar do tipo, “Vá saiam lá daí, não vêem que é o nosso Presidente?”. Talvez eles não tenham reparado, mas eu sou míope, por isso a visão não é propriamente o meu ponto forte.

Eu a tentar sair, sem ser apanhado por nenhum microfone ou câmara e é nestes momentos que queremos estar em todo lado menos ali…só que quando tudo pode correr mal…corre mesmo mal….o telemóvel toca no meio daquela confusão...

“Bolas Grandes!”

Paraliso ali mesmo. Nem o Presidente consegue andar comigo ali no meio, nem o telemóvel pára de tocar. Atendo e só oiço…”Onde é que tu estás?” e num passo de mágica desbloqueio e acelero para a esquerda e…. ALELUIA CONSEGUI FUGIR!!!

Respirar. Pausa para cigarro. Esperamos cá fora que as celebridades se dignem a entrar.

“O que é que pode acontecer mais hoje?”.

A entrar para o teatro dou um encontrão na Anabela (sim aquela baixinha…estão a ver?) e pumba…aparece-me o Sr. Encenador mesmo á minha frente e diz “Boa Noite”. Eu por momentos pensei “Será que me conhece de algum lado e eu não sei?” Nããã…acho que estava a falar para as senhoras com reumático que estavam mesmo atrás de mim a dizer que viram para mais de 8000 vezes a Musica no Coração, mas eu no meu jeito educado digo “Ora muito boa noite para si também, Sr. Encenador”.

Sentei-me. (Outro aparte…parece que hoje apareci na televisão sentadinho na tribuna e tudo, ehehe! Vedeta moi! Ehehe)
Sentei-me.
Ok, tentei sentar-me, o espaço era idela se eu tivesse 1,50m…azar dos azares…o que é que eu faço aos outros 32cm?!

Mas estava decidido. Não vai ser isto que vai influenciar o meu juízo.
Após muitos anos e anos de embirrar com o homem, vou dar a mão à palmatória…esteve excelente.

Como é que é possível ter aqueles rasgos de genialidade na encenação de uma peça? As luzes, os cenários, a direcção dos actores…tudo ali tão certinho, tão perfeitinho…ok, pronto, não estava tudo, tudo perfeito…o miúdo loirinho do Von Trapp era irritante como tudo, especialmente porque estava a representar e sempre a olhar para o encenador. Mas se não fosse o miúdo, nunca teria surgido as palhaçadas cá fora a gozar com o pequeno.

Começou a chover. Partimos. Só havia um destino possível…Bairro.

(To Be Continued)

Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

Armários

Até vou meter uma música upbeat bem oldie...daquelas da infancia...daquelas que ouvimos e sorrimos.

Não tenho metido nada aqui porque tenho andado assim...estão a ver o ritmo da música? É igual! :D

De vassoura na mão a varrer...que nem um maluco...faz pouco pó a madeira dos armários fazem...os armários, esses grandes malucos...
Estão a ficar...lindos :D

My Space...29% Completed.

Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

Escuro

Está escuro.
Acendo uma vela, não percebo o que se passou mas fiquei sem luz.
Já é tarde para perceber o que se passou, um curto-circuito? Uma sobrecarga? Talvez seja isso…não sei…não consigo pensar, não me consigo mexer com este frio!
Tento enrolar-me no edredão e tentar escrever. Hoje não trouxe o portátil. Encontrei um bloco em cima do balcão que escapou ás mudanças.

Aqui nestas paredes despidas, viajo pelo tempo como se fosse livre.
Está frio, está muito frio. Este chão gelado é desconfortável.
As luzes dos carros lá fora fazem figuras estranhas cravadas na parede.
Olho para estas formas e dançam, como se mexem...como se fosse a minha própria peça de teatro…criada só para mim.
As personagens correm para a direita, para a esquerda…de que fogem eles, coitados?
Sinto-me perdido neste chão frio.

Já me dói o braço de apoiar a cabeça.
Não consigo ter posição neste chão gelado…o frio entra-me pelo colchão e gela-me a pele.
Tento esfregar as mãos…mas nada.

Sinto-me estupidamente desconfortável…já não suporto mais este frio…não tenho luz para fazer um chá!

Não consigo dormir. Escrevo para me manter entretido, escrevo para me manter distraído…não vejo o que escrevo. As luzes dos carros que passam lá fora não são suficientes para conseguir ler.
Sinto-me cego nesta solidão.

Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007

Flippers

Estás longe...num país algures distante nessa mente...talvez até noutro continente, talvez até...
…aqui ao lado…
Mas que diferença faz se o teu "longe" é perto ou não? Longe será sempre longe. O que importa se estás ao meu lado, se te sinto distante...tão longe que não te consigo ver...não te consigo ver…
…muito menos te tocar...
E eu ao teu lado, a sentir-te acordada...algures perdida...perdida em pensamentos, memórias...
…e não conseguir sentir-te…

E é tão fácil acreditar que tudo pode ser diferente...ouvir-te um "Vamos para casa!", numa terna cumplicidade...

...mas tudo coberto por uma névoa mística...

Seguir o rumo...em frente...levar tudo em frente (à frente?)...como uma máquina de flippers...sempre para cima...por muito que bata com a cabeça...

...bater para aprender...

"palavras negras que marcam-me os lábios...se são os lábios, porque é que me doem os olhos?"

Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007

Aprender

Ontem lanchei com a Cristina. Já não estava com ela há meses...foi só preciso um telefonema e dizer "Preciso de ti...", ao que ela respondeu "Magnólia?".
É bom, é muito bom termos as pessoas certas nas alturas certas...precisava da crueza das suas palavras, aquela amizade sincera...precisava daquelas palavras que doem, aquelas que nos fazem, acordar, respirar...nem que seja por um momento e depois nos afundemos novamente, mas conseguimos vir à tona tomar um pouco de ar.


Lembrou-me Leila Navarro que diz: “Nós nascemos para ser felizes. Mas para isso é preciso ter objectivos, sonhos, metas e participar na vida. Nada muda se nós não mudarmos. E eu mudo pelas minhas atitudes”.

Decisões, decisões, decisões...

Tu ainda te viraste para mim e disseste "Ou a gente acerta ou a gente aprende. Ninguém erra.”

Decidi...hoje vou sair...vou expurgar tudo...

Se ninguém erra, então hoje vou aprender muito. :) :)

P.S - Play, soon will be snow time, but for now tonight is the night! Vamos desgraçar-nos como se não houvesse um amanhã :)

Terça-feira, Janeiro 30, 2007

Optimistic

Flies are buzzing round my head
Vultures circling the dead
Picking up every last crumb
The big fish eat the little ones
The big fish eat the little ones
Not my problem, give me some
You can try the best you can
If you try the best you can
The best you can is good enough

If you try the best you can
If you try the best you can
The best you can is good enough
This one's optimistic
This one went to market
This one just came out of the swamp
This one drops a payload
Fodder for the animals
Living on animal farm

If you try the best you can
If you try the best you can
The best you can is good enough
If you try the best you can
If you try the best you can
The best you can is good enough

I'd really like to help you, man
I'd really like to help you, man
And now this messed up millionaire
Floating around on a prison ship
If you try the best you can
If you try the best you can
The best you can is good enough
If you can try the best you can
If you try the best you can
Dinosaurs roaming the Earth
Dinosaurs roaming the Earth
Dinosaurs roaming the Earth

Radiohead - Optimistic

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

Simples

Tudo aquilo que ele queria era apenas um pouco de conforto…ter alguém ao seu lado para poder conversar, poder brincar, poder rir, poder chorar.

Tudo tinha começado quando conheceu a Sofia. Era uma tarde solarenga e tinha decidido ir lanchar a Cascais, como costumava fazer todos os fins-de-semana. Levava o livro em que costumava escrever e desenhar, o iPod e ficava horas na esplanada a contemplar o mar.

Ele gostava de ter momentos só dele. Quando os amigos lhe perguntavam se tinha planos para aquele tipo de tardes, ele apenas dizia “Tenho um encontro marcado, não vou poder estar com vocês”. Era o pequeno segredo dele. Não o revelava nem ao melhor amigo.

Numa daquelas tardes, estava ele sentado na esplanada a escrever uns pensamentos, quando uma rapariga chega-se por trás dele e sussurra-lhe ao ouvido “Diz que me amas e serei tua para sempre”. Ele franziu as sobrancelhas e voltou-se para trás. Sorriu. Era a Sofia.

Carlos – Desculpa?
Sofia – “Diz que me amas e serei tua para sempre”…é o que tu está escrito no teu bloco.
Carlos – Ah sim! É uma peça que estou a tentar escrever.
Sofia – Desculpa estar a chatear mas não resisti em vir aqui e meter-me contigo.
Carlos – Não faz mal…mas…eu conheço-te?
Sofia – Hum…acho que não, porque? Pareço-te familiar?
Carlos – Não…só que como vieste falar dessa maneira comigo…pensei por momentos que te conhecia só que não estaria recordado de onde.
Sofia – Eu sou assim, extrovertida.
Carlos – Estou a ver que sim…
Sofia – É que ia me sentar aqui nesta mesa atrás de ti e reparei no que estavas a escrever e pronto…não resisti. Achei giro porque já ninguém fala assim.
Carlos – Ai não? Então conta lá.
Sofia – Então vou só ali buscar o meu chá para esta mesa. Dá-me 5 minutos.
Carlos – Ok.

Sofia – És servido?
Carlos – Ainda tenho aqui granizado de café, mas obrigado na mesma.
Sofia – Quando quiseres é só pedires.
Carlos – Obrigado.
Sofia – Vens aqui muitas vezes?
Carlos – Algumas…venho aqui procurar inspiração, exorcizar os meus demónios ou apenas descontrair.
Sofia – Eu descobri este cantinho há pouco tempo…isto aqui é lindo, não é?
Carlos – É impressionante como é que ainda não houve mais pessoas a descobrir isto.
Sofia – Talvez porque é isolado e no meio do nada?! Eheh
Carlos – Ahh então é isso? Eheh
Sofia – Ficaste muito assustado?
Carlos – Com o que?
Sofia – Com a minha abordagem.
Carlos – Não…estava distraído. Fui foi apanhado de surpresa.
Sofia – Mas se quiseres podemos repetir, assim já não és apanhado de surpresa.
Carlos – Eheheh. Porque não? Vá, embora lá então repetir que eu não vou fazer uma cara estranha.
Sofia – Então vá…começa lá a escrever, que eu vou por-me atrás de ti.
Carlos – Vá, estou pronto.
Sofia – “Diz que me amas e serei tua para sempre”
Carlos – “para sempre não será muito tempo?”
Sofia – Então? Isso não está ai escrito.
Carlos – Eheh, eu sei mas disseste para não ser apanhado de surpresa…isto é que é não ser apanhado de surpresa! Eheh
Sofia – Eheh! Tens sentido de humor…
Carlos – Nota-se assim tanto que sou uma pessoa interessante?
Sofia – Uau, um convencido com sentido de humor…isto nunca tinha visto. Eheh
Carlos – Estava a brincar.
Sofia – Eheh! Eu percebi.
Carlos – Costumas meter muitas vezes conversa com estranhos?
Sofia – Não, só com estranhos convencidos e com sentido de humor.
Carlos – Eheh! Boa resposta! Então conta-me cá uma coisa, se nunca tinhas visto nenhum…só posso ser o primeiro nessa tua regra.
Sofia – Sim, tu és a regra…os outros foram todos excepções.
Carlos – Eheh.
Sofia – Diz-me uma coisa…
Carlos – Diz.
Sofia – Tens nome?
Carlos – Tenho.
Sofia – E?
Carlos – E o que?
Sofia – Eheh! E…quando é que vais me dizer?
Carlos – Nunca?
Sofia – Eheh.
Carlos – Assim é muito mais interessante, não achas? Passar umas horas a falar com um completo desconhecido…se te dizer o meu nome passo a ter uma identidade…deixo de ser um completo desconhecido e aí era a desgraça, ia estragar todo este glamour.
Sofia – Qual glamour?
Carlos – Eheh.
Sofia – Ó senhor desconhecido, importa-se de me revelar o seu nome?
Carlos – Eheh Carlos. Contente?
Sofia – Olá Carlos. O meu é Sofia.
Carlos – Olá Sofia, como está a menina?
Sofia – Está tudo bem, obrigado…Carlos!
Carlos – Eheh.
Sofia – Agora já está tudo estragado…agora que sei o teu nome…deixaste de ser interessante…é uma pena.
Carlos – É não é?
Sofia – A tua namorada deixa-te vir para aqui, falar com estranhas?
Carlos – Ai que maneira mais airosa de descobrir se tenho ou não namorada! Eheh
Sofia – Eheh! Foi não foi?
Carlos – Se quiseres saber é só perguntares!
Sofia – Olha lá…tens namorada?
Carlos – Porque? Queres-te candidatar, é?
Sofia – Quero, onde é que se inscreve?
Carlos – Tens de preencher o formulário 323B/99.
Sofia – Ah é esse? Ando sempre com esse na mala…nunca se sabe quem é que encontramos por aí.
Carlos – Eheh!
Sofia – Tu tens por hábito escrever?
Carlos – Sim…é um escape.
Sofia – Eu também escrevo…mas muito pouco…é mais falar.
Carlos – Pois, já reparei. Eheh.
Sofia – Eheh…pois.
Carlos – Então e qual é a tua temática, se é que tens temática?
Sofia – Escrevo de tudo um pouco…ultimamente é verso mais sobre o “Não és tu, sou eu!”
Carlos – Ai tu és dessas?
Sofia – Dessas?
Carlos – Sim, do “Não és tu, sou eu!”…muito…”Were Do We Go Now, But Nowhere?”
Sofia – E tu és…”People Ain’t No Good” é?
Carlos – Eheh…Nick Cave…muito bem…estou a gostar de ver! Eheh.
Sofia – Para um Nick outro Nick! Eheh Mas estás a gostar de ler, ver ou ouvir?
Carlos – Não sei…em que fase é que estamos?
Sofia – Estamos na fase do “(Are You) The One That I’ve Been Waiting For?”
Carlos – “We will know…won’t we?”

Aquela tarde parecia ter durado anos, no entanto passou em segundos.
Encontravam-se esporadicamente no mesmo café, sempre sem combinarem nada.

Mas o Fim já o tinha vindo visitar há muito tempo, como já o tinha feito muitas vezes, só que desta vez ele não se tinha apercebido. Tudo começou a tornar-se estranho. Tudo começou a perder o rumo. Era umas atrás de outras, sem que ele percebesse como travar aquele sentimento, sem que ele percebesse como é que podia estar a correr tudo tão mal. Parecia impossível correr pior, o que tinha de correr mal, acontecia sempre…e ele cada vez mais entregue a um sentimento que não consegui controlar.

Ele acreditava que tudo tinha um propósito – Mas se isto é o fim, qual então o propósito disto tudo? – dizia ele. Já nada lhe fazia sentido….deixou-se levar pela maré, deixou-se levar para fora de pé...e agora com o primeiro arrepio de frio apercebeu-se de quão longe estava da costa.

Finalmente…com a chegada do solstício compreendeu que existem coisas que têm como destino apenas o seu fim.

Sofia – Olá.
Carlos – Olá
Sofia – Estou para te telefonar há já um tempo...
Carlos – Então? Que se passa?
Sofia – Precisamos de falar.
Carlos – Aí vem o “Não és tu, sou eu!”…esperava algo mais original vindo de ti.
Sofia – Pois…mas a realidade é essa…não tem nada a ver contigo e para agravar a coisa interessei-me por outra pessoa…desculpa.
Carlos – …
Sofia – Estás triste, não é?
Carlos – Não…estava a pensar que agora temos de seguir os nossos caminhos...separadamente.
Sofia – É que...perdi o interesse...desculpa.
Carlos – Bom, deixemo-nos de mais conversas…temos que fazer o que é preciso…não é?
Sofia – Sim...
Carlos – Então...adeus, Sofia.

Assim, com a simplicidade com que se conheceram…tudo acabou.

Tão simples.

Quarta-feira, Janeiro 24, 2007

Eterno

Hoje acordei com a seguinte mensagem..."(...)o António já não se encontra entre nós(...)". Conheci-te pouco, mas mesmo assim...cai por terra. Tudo se desmorona à minha volta. Lembrei-me do Regi...senti tanta raiva. Agora tu telefonas-me e dizes que a Alice está mal? Que está internada, que a quimio já não faz nada...que ela já não vos reconhece...que estão apenas à espera que ela...

Não consigo escrever...por muito que tenha dentro de mim para deitar cá para fora. Já escrevi e reescrevi este post 10 vezes...todas as palavras são poucas...nenhuma faz sentido. Tenho tanta vontade de chorar. Quero deitar tudo cá para fora...não consigo.

Terça-feira, Janeiro 23, 2007

Blinking

Filipe – Chorámos e do que nos valeu a pena?
Ana – Lavámos a alma.
Filipe – Sim, lavámos… mas porque é que não me sinto melhor?
Ana – Pois...para te ser honesta não te sei responder...ainda gostas dela não é?
Filipe – Sim, mas do que vale isso...
Ana – Isso vale o mundo
Filipe – ...quando já não se é correspondido?
Ana – Importaste de parar com isso?
Filipe – Parar de gostar?
Ana – Tu percebeste, não és parvo nenhum.
Filipe – Já nada interessa...
Ana – Desde quando é que passaste a ser um negativista? Deixa de ser pateta.
Filipe – Ser pateta não é o estado natural de quem está apaixonado? De quem sofre?
Ana – Ai que eu sou tão dramático!
Filipe – …sofre sem razão...sofre a pobre alma...
Ana – Estás na fase da descoberta do amor...da surpresa...
Filipe – Já não quero descobrir nada.
Ana – Está calado...chegaste a mostrar-lhe o teu lado inteligente, o teu lado meigo, todos aqueles lados que eu conheço ou mantiveste-te sempre na paródia?
Filipe – Não quero descobrir nada e odeio surpresas, aliás a última vez que tive uma surpresa já nem me lembro...
Ana – Lembras sim...lembras-te quando te dei aquela agenda para arranjares tempo para mim?
Filipe – Tens razão...foi isso e um DVD, não foi?
Ana – Sim...estás a ver, afinal a tua memória não é assim tão curta.
Filipe – Cala-te e abraça-me
...
Filipe – Voltas amanhã?
Ana – Estarei aqui sempre que precisares de mim. Estarei sempre contigo. Estas no meu pensamento sempre...assim como no meu coração. Mesmo quando não consigas encaixar-me na tua vida
Filipe – Não sejas assim...
Ana – Filipe, eu não te levo a mal, nem nada que se pareça. Tu fizeste as tuas escolhas...não faço juízos de valor...por muito que passes na tua vida lembra-te sempre de mim é só lembrares-te de mim e eu virei a correr.
Filipe – Porque és assim para mim?
Ana – ...serei sempre...enquanto tu me deixares ser assim contigo.
Filipe – Palerma
Ana – Pateta
Filipe – Senti a tua falta…porque nos afastámos?
Ana – Algures no tempo separámo-nos e não me lembro muito bem porque...acho que apenas não estávamos em sintonia.
Filipe – Eu lembro-me...foste tu que deixaste de gostar de mim...
Ana – Não me faças rir...quem é que te disse que eu alguma vez gostei?
Filipe – Estúpida! Eheh.
Ana – Estavas a espera do que? Para uma pergunta idiota uma resposta completamente idiota!
(Ana deita-lhe a língua de fora)
(Filipe responde deitando-lhe também a língua de fora)
Filipe – Não sei como é que ainda gosto de ti...
Ana – Sabes que mais...
Filipe – Diz.
Ana – Podes te apaixonar 100.000 vezes...podes até encontrar a mulher da tua vida...que eu nunca terei ciúmes...eu sei que tenho um lugar no teu coração.
Filipe – Isso é muita presunção, não?
Ana – É, mas eu gosto de ser assim...parva como tu.
Filipe – Palerma...tu sabes que estarás sempre em mim.
Ana – Eu sei...mas agora...vou embora.
Filipe – Espera…não vás já!
Ana – Tenho de ir, ou pensavas que ia ficar aqui a adorar-te?
Filipe – Então aquele discurso do “és tudo para mim, o sol da minha existência” era tudo tanga? Ehehe.
Ana – És mesmo um parvinho...hei-de te amar sempre.
Filipe – Parva.
Ana – …eu também gosto de ti, Filipe.
Filipe – ...olha...
Ana – Diz.
Filipe – É que…queria-te dizer que...bom, por tu teres vindo ter comigo...queria-te...bom...por tudo o que fizeste por mim...
Ana – Querias agradecer-me, é isso? Sabes que não é preciso...
Filipe – Obrigado Mãe.

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

Minuto

Chego.
Sozinho. As paredes fecham-se. Não consigo respirar. Leio um livro. Escrevo uma peça. Abro uma garrafa. Bebo um copo. Desenho um rosto. Leio um livro. As paredes apertam cada vez mais. Não consigo respirar.
Saio.

Olho o horizonte. Respiro. Atiro-me ao mar. Frio. Loucura. Calor. Carro.

Chego. Não consigo respirar. Saio.

Minuto. Respiro.

Chego. Pinto um quadro. Arrumo a casa. Abro uma garrafa. Bebo um copo. Música. Abro a porta. Conversamos. Rimos. Escrevemos. Rimos. Bebemos. Discutimos. Bebemos. Saímos. Fecho a porta.

Agrupámos. Jantámos. Bebemos. Conversámos. Bebemos. Conversámos. Caímos. Rimos. Vivemos. Criámos. Vivemos. Respirámos.

Chego. Sozinho. As paredes fecham-se.

Terça-feira, Janeiro 16, 2007

Blank Page

Blank page is all the rage
Never meant to say anything
In bed I was half dead
Tired of dreaming of rest
Got dressed drove the state line
Looking for you at the five and dime
Stop sign told me stay at home
Told me you were not alone
Blank page was all the rage
Never meant to hurt anyone
In bed I was half dead
Tired of dreaming of rest
You haven't changed
You're still the same
May you rise as you fall
You were easy you are forgotten
You are the ways of my mistakes
I catch the rainfall
Through the leaking roof
That you had left behind
You remind me
Of that leak in my soul
The rain falls
My friends call
Leaking rain on the phone
Take a day plant some trees

May they shade you from me
May your children play beneath
Blank page was all the rage

Never meant to say anything
In bed I was half dead
Tired of dreaming of rest
Got dressed drove the state line
Looking for you at the five and dime
But there I was picking pieces up
You are a ghost
Of my indecision

Smashing Pumpkins - Blank Page

Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

Japanese Story

O que é que receias? Porque te sentes tão irritado? Merecias melhor? Não te consegues libertar dessa dor? Não, não me digas que te vais sentir assim para sempre...era bom...mas nada é eterno...lamento desiludir-te, meu amigo!
Entristece-me saber que não te posso ajudar! Posso-te dar tudo o que eu tenho...mesmo assim...em nada serviria quando tu mesmo queres estar assim. Queres te sentir mal? Queres ficar aí sozinho a sofrer? Deixa de ser egoísta, deixa-te desses sentimentos estúpidamente masoquistas. Importaste-te de partilhar essa dor? Dá-me...dá-me por agora o que tiver a transbordar...eu ajudo-te a retirares o que ainda tiveres aí dentro. Quantas vezes estiveste aqui para mim? Precisas de sofrer tudo sozinho...?
Para aonde é que queres que te leve para te sentires melhor? Diz-me um sitio. Diz-me...
...
Foi sentado nesta "cave"rna, a abrir uma garrafa de vinho...que me lembrei"...vasculhei os caixotes á procura do CD...e lá estava ele..."take a bottle drink it down, pass it around". Este copo é à tua, my friend...e tens razão, como é que podes sentir isto tudo e beber "one alcohol free drink".
Isso da irritação geral porque o universo está contra ti, é tudo tanga! O universo está contra todos nós!
Here's to you, my friend...

Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

Crash Test Dummy

A chegar a casa...eu e a Fiona. Ela cantava o "Across The Universe" e eu vinha a ouvi-la como faço centenas de vezes. Lembro-me ainda de ouvir "...Jai Guru Deva, Om..." e de seguida o barulho do metal a roçar...aquele som estridente em câmara lenta...os vidros voavam...o cheio a pólvora queimada...olho à minha volta...lembro-me de ti...afinal tudo pode acabar a qualquer segundo, lembro-me de ti...como se tivesses colada na minha mente...lembro-me que posso não te ver mais...
Podia ter ficado já ali...e sem ter a hipótese de te dizer tudo o que ainda não surgiu...e foi tudo tão rápido. É tudo tão rápido. O impacto levou-me para fora...levou-me embora...levou-me.
Ir...sem pensar...
Nunca mais pensar...nunca mais pensar no que pode acontecer...apenas apreciar...apreciar cada segundo, cada único segundo como se fosse o último...como se fosse não houvesse mais segundos.
No segundo seguinte não existe...o segundo seguinte é o fim...
Aproveitar tudo, respirar tudo, viver tudo...sempre tudo com todo o meu ser.
Colocar os níveis de adrenalina lá em cima, no limite, sem medo...apenas aproveitar, aproveitar tudo...tudo.
Inspiro...
Embora lá, estou pronto.

Sexta-feira, Dezembro 22, 2006

Post nº. 100

100 nada.
100 mil mudanças.
100 mil sentimentos.
100 querer.
100 saber...que fazer.
100 saber...
100 te ver.
100 sentir.
100 forças.
100 mágoa.
...
100 nada.

Quarta-feira, Dezembro 20, 2006

D. Juan

O Miguel numa das suas novas conquistas tinha deixado mais uma vez o passado apanha-lo, por muitos avisos que o Filipe lhe tinha feito relativamente ao facto de ter cuidado com os sentimentos, ele estava de novo apaixonado.

Tudo se tinha passado quando tinha passado umas noites na companhia de uma colega, ela como todos os desafios do Miguel era um amor impossível, gira, inteligente, pronta para se casar dentro de breves meses, nada disso o demoveu, pelo contrário tinha-lhe aguçado mais o cheiro pela caça. Mais uma conquista? Neste caso era diferente pois ela era casada e ele sabia que se iria arrepender mais tarde, mas mais uma vez o prazer da caça fala mais forte, o sentido de perigo. O que é que pode correr mal? – Exclamava ele muitas vezes. O prazer de caçar pela caça cegava-o. Deixava-se arrastar atrás de efémeras conquistas, não matando a caça, deixavas semimortas, prontas para que bastasse um pequeno toque e se desmanchassem nos seus braços. Mas este golpe de misericórdia nunca vinha, dava-lhe mais prazer não as deixar completamente satisfeitas deixando sempre algo para o dia seguinte.

O movimento da cara da Ana deslocava-se para os lábios do Miguel, ele deixava-a aproximar-se o suficiente até ela ter a certeza que o beijo era certo, e quando ele sentisse que o beijo era mais que certo então retraía-se para trás deixando-a mais louca pelo sabor dos seus lábios.

Foram tantas a vezes que ele puxava-a no elevador apenas para sentir o corpo dela pressionado no seu e sentir o toque das suas mãos percorrer as costas e o cheiro dela vindo de todo lado assim que ela vinha até ele como se fosse uma lufada vinda do paraíso, assim que ele punha a mão na sua cintura a Ana era como que atraída para dentro da armadilha – Porque me fazes isto? – Dizia ela.
– Não gostas?
– Gosto mas quero mais!
– Mas não podemos e tu sabes isso! – Dizia ele com o seu ar trocista.

Numa destas incursões, o movimento foi mais lento mas foi parado uns segundos pela Ana que se manteve com a face encostada a dele, ele instintivamente passa levemente com o rosto no rosto dela como que a convidá-la a virar o rosto, e é aí que acontece o inesperado... os lábios tocam-se, sentido o calor da paixão a incorrer pelo corpo como se fosse um fogo, como se estivessem a ser queimados e a combustão estivesse no seu máximo.
E numa fracção de segundo separam-se quando o elevador chega ao rés-do-chão, saem do elevador como que se não se tivesse passado nada, apenas corados pela emoção.

Diz qualquer coisa – dizia o Miguel.
A única coisa que vinha á mente da Ana tinha sido o paladar e o sentimento de pressão dos lábios dele – Que queres que te diga? Tenho as pernas a tremer!
Agora que a caça estava pronta para o seu golpe de misericórdia, o Miguel teve um ataque de consciência, algo que ele acha inadmissível, – Pode ser que ela seja a tal? Sinto-me diferente! – Questionava-se pela surpresa do beijo. Nunca antes ele tinha sido beijado assim com tanto ardor, a mistura do cheiro do perfume dela tinha trespassado todo o ar e tinha se vindo alojar na roupa e na pele dele, ele sinta-se diferente, já não era o invencível quebra corações, sentiu pela primeira vez o sentimento de perda, sentiu que podia perde-la.

Tentou no caminho para casa rever aquele momento vezes sem conta, o toque, o cheiro, a pressão do corpo dela no dele, mas não parecia o mesmo e ele sentia necessidade de reviver novamente aquele momento, queria mais uma vez, pelo menos mais uma vez saciar aquele desejo, – Nem que seja a ultima vez! – Compenetrando-se mais uma vez na busca do plano ideal para a armadilha perfeita.

Reviu mais umas vezes as mulheres que teve na busca das frases perfeitas para os momentos certos. Ele tinha sido um iluminado na maneira de ler a linguagem corporal e verbal da Mulher, nunca tinha tido problemas, ele sabia exactamente o que dizer na altura certa e sabia exactamente cada categoria de mulher, ele definia-as por categorias e pela sua experiência cada categoria tinha comportamentos idênticos e gostavam de certas formas de falar variam sempre alguns aspectos que ele gostava de improvisar para que se funcionassem seriam utilizadas para as caçadas seguintes. Tínhamos a categoria das Caladinhas – Estas gostavam de romance, normalmente eram as que procuravam o príncipe encantado a cavalo do seu corcel branco. As extrovertidas que gostavam de homem bem disposto com um sentido de humor aguçado, mas que não lhes ligassem nenhuma. A categoria das Malucas, que gostavam que lhes fossem frontais, nesta categoria não havia romance, havia apenas atracção, a utilização dos corpos para um único propósito, sexo.

Todas elas gostavam de sentir que eram o centro das atenções, todas elas precisavam de algo que já poucos fazem...ouvir.

Até um determinada idade o Filipe tinha lhe dito que – Se não têm namorado ou têm um problema ou tiveram um problema, porque se são tão especiais porque é que não têm ninguém? – O Filipe era sempre a voz da razão nestes casos.
- Mas olha lá, vais sempre em busca desse tipo de mulheres porquê?
- Qual tipo?
- Do tipo carente. Se elas são como tu dizes devem ter um problema qualquer, quer dizer ninguém é assim, elas não vêm que existe um mundo cá fora?
- Acho que o que eu tento fazer é que dar-lhes a atenção que elas querem, ou seja, estou-lhe a prestar um serviço. Elas necessitam que alguém as oiça e as faça sentir bem, e é isso que eu faço, não tenho a culpa que elas se apaixonem
- Não vês que ai é que está o problema? Elas apaixonam-se porque nunca ninguém lhes deu atenção, e depois apareces tu que as tratas como se fossem umas princesas quer sejam bonitas ou feias, gordas ou magras e não queres que elas se apaixonem?
- Mas custa-me vê-las assim, metidas a um canto, sem ninguém para lhes encher o ego, porque por mim por muito feias que sejam também têm o direito que alguém lhes diga que são bonitas.
- Sim, concordo contigo, mas tu estás a iludi-las com os teus sentimentos, os teus sentimentos não são reais, é apenas um representação daquilo que elas estão á espera que tu sejas.
- E? Não as faço felizes?
- Fazes...por um breves momentos, mas assim que elas querem mais tu cortas.
- Mas eu faço apenas até elas sentirem a confiança suficiente para se atirarem a uma relação sem se preocuparem se são bonitas ou feias.
- Pois, mas tens um problema é que a relação que elas querem é contigo. E o que é que tu fazes? Manda-as novamente para a valeta. Tiras novamente a pouca confiança que elas tinham no sexo masculino.
- Achas? Claro que não, eu saio sempre antes desse estado...
- Pois nota-se.

O Filipe mais uma vez tinha sido desagradável, mas como sempre ele tinha razão todas as relações do Miguel tinham acabado sempre assim, com elas a sentirem-se que os homens não valiam de nada, apesar de ter havido poucos casos em que isso não aconteceu o Miguel dizia sempre que era por falta de inteligência delas.

- Mas é crime explorar os sentimentos de uma pessoa que sempre os teve mas que nunca teve coragem de os utilizar? É claro que a paixão dói, mas não é também a palavra paixão o sinónimo para sofrimento…não dói tudo nesta vida? Até a beleza de um nascimento é feito de sofrimento. O Miguel adorava estes clichés.
- Mas consegues sentir-te bem quando as vês a chorar por ti?
- Não, não sou nenhuma máquina em que consigo desligar os meus sentimentos e emoções, por muito que treine não o consigo fazer. Mas como é que elas podem treinar a paixão se nunca ninguém lhes fez sentir bem?
- Talvez fosse melhor elas nunca terem sentido...
- Achas? Eu preferia mil vezes magoar-me de paixões a nunca ter experimentado uma única paixão da minha vida.

Quarta-feira, Dezembro 13, 2006

Tonight

Agora para onde vamos? Que percurso tomar? Sigo a lua ou deixo-a desaparecer para no romper do dia cegar-me pelo sol? Oiço os anjos na praia ou mergulho até ás profundezas em busca das sereias? E se demorares a aparecer o que é eu faço no entretanto? Jogo ás cartas para fazer tempo? Coloco a minha alma nas mãos e solto-a no mar? E se tu nunca mais apareceres? Deixo-me ficar em casa com um copo de vinho e a olhar para o relógio? Leio um livro enquanto oiço uma música? E se tu nunca apareceres? E se tu não existires? Não seria mais divertido assim? Não seria melhor saber que não existias? Poupavas-me a espera…

Mas existes e ali estás tu…ali estás tu…
Eu ao piano…tu sentada no sofá a olhar para mim.
A cada nota um sorriso…
Vens te sentar ao meu lado...a cabeça no meu ombro…e dizes - “Let’s Go Out Tonight”.

Craig Armstrong (feat. Paul Buchanan) - Let's Go Out Tonight
Where the cars go by,
All the day and night,
Why don't you say,
What's so wrong tonight?
Pray for me,
Praying for the light,
Baby baby,
Let's go out tonight.
Where the lights all shine,
Like I knew they would,
Be mine all mine,
Baby I'll be good.
Pray for me,
Praying for the light,
Baby baby,
Let's go out tonight.
I know a place,
Where everything's alright,
Alright,
Let's go out tonight.
Where the cars go by,
All the day and night,
Why don't you say,
What's so wrong tonight.
I pray for love,
Coming out alright, yeah,
Oh baby baby,
Let's go out tonight, yeah.
Baby baby,
Let's go out tonight,
Let's go out tonight.
Tonight, Tonight,
Let's go out tonight,
Yeah,
Where the cars go by,
Where the lights won't shine,
...,
Tonight.

Sábado, Dezembro 09, 2006

Onda

“Não tens medo daquelas ondas grandes?” – perguntou ele.
Vi a cara dele a olhar para o mar…estava receoso por mim. “Não te importas de guardar-me as chaves do carro?” – disse-lhe. Já o tinha visto várias vezes na praia, muitas vezes sentado na areia a olhar para o mar enquanto nos dirigíamos para a água. O miúdo tinha razão e as ondas não estavam para as brincadeiras do costume. O passar da rebentação era algo quase impossível senão fosse os locais a indicar-nos quais as correntes que no levavam para fora.
Sentados fora da rebentação, esperávamos o nosso set…
Em poucos segundos o Gonçalo deita-se e grita eufórico “Esta é minha!”. O ar de miúdo que ele fez só me dava vontade de rir. Do lado de fora só ouvia os gritos eufóricos dele enquanto rasgava aquelas paredes. Lá ao fundo o pequeno miúdo observa-nos. Passava horas a observar-nos.

Eu e o Gonçalo sentíamos uma agradável empatia por aquele miúdo. Era filho de pescadores, viveu sempre com aquele mar em frente a casa. Já com o Gonçalo ao meu lado debatíamos as questões filosóficas da vida sentados naquelas frágeis pranchas. Falávamos de como seria a vida daquele miúdo, porque passaria tanto tempo ali a olhar para nós. Era como se fosse um anjo a guardar dois malucos.

Veio a minha primeira onda do dia, era um pequeno monstro a formar-se nas minhas costas…quando o miúdo grita da praia - “Cuidado!”. Naquele mesmo momento levo com a onda em cima…teve uma formação demasiado rápida no final e eu sem contar… submergi…rebolei…queria respirar mas não conseguia…tentava subir mas a força empurrava-me para baixo, por cada tentativa de subida o mar como que a brincar empurrava-me cada vez mais fundo.

E lá em baixo, lembro-me de ter sonhado contigo, lembro-me de pensar “Agora é que já foste!”, lembro-me do grito, lembro-me das brincadeiras de criança, lembro-me das minhas aventuras da secundária, lembro-me do meu primeiro emprego, lembro-me do meu primeiro beijo…e acordei.
Levanto a cabeça e vejo o miúdo e o Gonçalo ao meu lado sentados na praia, com as mãos a suportarem a cabeça, tento emitir um som mas parece que não sai nada e lembro-me que devo ter andado engolir pirolitos e por isso não me conseguem ouvir...a minha mão consegue chegar ao ombro do Gonçalo.
Ele levanta a cabeça com as lágrimas ainda nos olho e diz..."Adeus".

Terça-feira, Dezembro 05, 2006

Eu já não sei o que é sentir...

Chovia torrencialmente. Eu corria para me abrigar. Apanhei um toldo recolhi-me e é quando te vejo, logo ali, naquele passeio que eu tantas vezes caminhei. Estavas tu ali, a olhar para mim, não sei se estarias à muito tempo ali…sentada num degrau de uma porta, não tinhas uma única ponta de roupa seca!
Tu olhaste para mim. Sorriso triste, com de que está resignada. Tirei o meu sobretudo e meti-o à volta dos teus ombros e tu com esses olhos de quem me reconhece…olhaste-me...com esses olhos...essa alma.
As lágrimas caiam-te enquando repetiste a letra da musica - “Obrigado por saberes cuidar de mim…tratar de mim...olhar para mim…e se ao menos tudo fosse igual a ti.”
Tu olhaste para mim…

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

Regresso a casa.

O miúdo chegou-se à frente da lareira e com uma calma perfeita, afastou o tronco e meteu a mão para tirar o carrinho de madeira que o pai, mais uma vez, tinha atirado lá para dentro. Era mais um dia em que ele tinha bebido, nestes dias tudo poderia acontecer, não que ele se espantasse com o comportamento do pai, já se tinha tornado um hábito…um horrível hábito. Enquanto o pai e a mãe gritavam na cozinha ele ficava no quarto sentado à porta com a luz apagada, de headphones nos ouvidos voava até outros sítios.
O pai depois de se sentir realizado ao destruir a mãe virava-se para o miúdo. Era sempre o pior cenário, o miúdo sem forças não conseguia resistir. Com aquele andar pesado do álcool, vinha sempre com um motivo, as notas da escola ou o trabalho de casa mal feito, tudo servia para lhe enfiar a mão na cara. O miúdo aceitava-o como se fosse uma dádiva, ele sabia que não adiantava resistir. À medida que os gestos violentos do pai se adensavam, ele isolava-se no seu pensamento, voava para longe, para sítios onde tudo era como nos filmes, onde o sol radiava, onde o vento ao passar pelas copas das árvores era música para os ouvidos.

Abraçado à mãe no chão da cozinha, consolava-a. Sem palavras ficavam os dois sentados na cozinha enquanto o pai saia pela porta para mais uma ida à tasca.
As piores feridas nem eram as físicas, havia uma que vinha de dentro que corroía todo e qualquer sentimento de amor por aquele que se dizia seu pai.

Os anos passaram. O miúdo tornou-se pai.
Numa ida até à creche do filho, assistiu algo que lhe trouxe novamente todas as memórias que ele pensava enterradas. Um pai aos gritos com o filho, a mãe ao lado a tentar acalma-lo e ele sem ouvir nada batia violentamente no pequeno porque este tinha rasgado as calças nos joelhos enquanto brincava no recreio.
Ao ver todo aquele cenário, não se consegui controlar e foi ter com o homem. O homem ia levantar mais uma vez a mão ao filho quando esta é agarrada…o homem ainda levantou a cara para ver quem é que tinha tido a ousadia de lhe agarrar na mão e é então que cai redondo no chão. De repente tudo era silêncio.
Silêncio. Novamente o silêncio. O silêncio de quem sofreu sem poder gritar.
Silêncio...o silêncio que o empurrava para a memória daquele tempo em que queria gritar, o silêncio que o empurrava para aquele tempo...aquele tempo...aquele tempo em que se punha à frente do pai para que ele não se aproxima-se da mãe.
Aquele silêncio estava de volta.
Nunca mais silêncio...nunca mais nenhum silêncio, nunca mais passivo observador, nunca mais passivo sofredor...nunca.
Nunca mais.

Sábado, Dezembro 02, 2006

Hades

Por muito que escreva, nunca se espera que a escrita se torna realidade. Quando meses antes se escreve, cria-se e inventa-se e depois...as palavras são assustadoramente iguais e tu pensas "Nã! Não pode ser, devo de estar a sonhar". Quando criamos e pomos nem que seja uma gota de sentimento naquelas frases, nem que seja uma lágrima a esborratar as linhas tortas de tantos textos escondidos...e depois? Depois, essas mesmas linhas tortas materializam-se, como que por magia...e todos aqueles bons momentos acontecem sem serem planeados e é então que somos transportados pelas sinuosas avenidas dos sentimentos sem que saibamos como é que lá fomos parar.
Somos apanhados de surpresa por um "quaisquer" momento.
...
Ela - Quaisquer?
Ele - Tu estavas-me a ouvir? Sim, quaisquer....vem do latim "Quaisquerum"...é muito erudito, não é?
Ela - Eheh, estás aqui estás a dizer "Hades cá vir, hades!"
Ele - Não exageremos, não trato assim tão mal o português....
Ela - Pois, pois...ehehe
Ele - És mesmo tótó, vindo de quem diz "Hoje as jaulas correram bem"....eheheh
Ela - Queres apanhar? Isso é a minha pronuncia, pá! eheh
Ele - Eu sei, mas não posso perder estes pequenos momentos para me meter contigo.
Ela - És mesmo um estafermo, sabias?
Ele - Sabia, mas só em dias pares e depois das 18H, até lá sou meramente palerma! Ehehehe
Ela - Eheh! Importaste de falar a sério durante 2 minutos?
Ele - Ok. Do que é que queres conversar?
Ela - Não sei...o que é que achaste do jantar?
Ele - Hummm....nada de jeito! Eheheh.
Ela - Pronto, já cá faltava. Eheheh.
Ele - Olha vou pôr aqui uma musica castiça.
Ela - ...tou para ver isso.
Ele - Espera...pronto já está.
Ela - O que é isto?
Ele - Chama-se música e escuta-se com a cabeça entre as orelhas...eheheh...é giro tem um je ne sais quoi.
Ela - Quoi quoi? Eheh.
Ele - Importaste de parar de sorrir, é que estás-me a atrapalhar o racionio.
Ela - Eheh...vou tentar, mas não prometo nada.
Ele - Hades ver que esta música é muita fixe...especialmente para quem já está deitado. Eheh
Ela - Hades? Mas tu não tiveste aulas de português quando eras pequeno?
Ele - Eu? Eu nunca fui pequeno...eu já nasci assim. Nem imaginas as dores de parto que a minha mãe teve...coitadita! Ehehe.
Ela - Tens consciência que é impossível dialogar contigo, não tens?
Ele - Podes sempre não dizer nada e passar a ser monólogo!
Ela - Olha que eu sou muita forte, vê lá se queres apanhar um murro nos queixos?! Eheh
Ele - Eheh...ai tu, pá...
Ela - O que foi? Estás-me a olhar com aquele olhar pensativo...estás-me a assustar.
Ele - Estava apenas a ...
Ela - A quê?
Ele - Xii...se eu fosse dizer...ia estar a estragar este momento e apetece-me...e apetece-me aproveitar só mais uns segundos como estamos agora...não digas nada...deixa-te estar só assim abraçada a mim...deixa-me só sentir que...que não estou a sonhar.
Ela - ...
Ele - ...

Os bons momentos da vida não se explicam. Vivem-se. Vivem-se em cada segundo, em cada fracção de segundo. Absorve-se todos os pequenos pormenores, todos os gestos simples...todos os sorrisos, todas as lágrimas de alegria e é então que esquecemos tudo...esquecemos até que vai haver um amanhã...um amanhã diferente...um amanhã...um amanhã com a esperança que se seja igual a hoje.

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

Puff

Puff.
Assim como a brisa sopra naquele segundo na cara, foi como eu passei por ti, reparaste que tinha passado, mas lá fui eu…brisa. Fragmento. Pedaço de existência a sobrevoar os céus.
A ausência das tuas palavras, tornando ainda pior a resistência de ver as tuas expressões.
Trouxe-me alegria esse sorriso, trouxe esse ópio da alegria. Essa alegria que me torna diferente daquilo que fui, diferente daquilo que sou. Diferente de todas as outras folhas verdes com a frescura das matinas. Diferente de todos os fogos vivos, ardentes paixões que nos levam à esperança da…quem sabe, felicidade. Diferente na diferença.
Dito por quem apenas sabe que quer ser feliz. Dito por quem procura em todos os cantos Vida. Quem diz Vida diz alguém que nos mostre Vida. Não uma vida qualquer, mas uma vida simples, em que se possa olhar para o lado e dizer que a felicidade está nos momentos em que sorrimos juntos. La Dolce. Observo a essência escondida no teu sorriso perfeito…a essência solta transportando o brilho dos teus olhos.

Puff.
Assim como uma tempestade tropical, passaste…passaste e deixaste os destroços para trás. Como fogo arrastaste florestas.
Mas a presença das tuas palavras, tornam-me surdo para o mundo. É como sou que me torna assim, ensinaste-me a complexa simplicidade da beleza.

Terça-feira, Outubro 24, 2006

Poupança

Há erros que nunca se deveriam de cometer. Devíamos poder voltar atrás.
Eu sempre fui apologista do “se voltasse atrás voltaria a fazer tudo igual”…hoje não me sinto assim. Sinto que passei várias fronteiras que preferia nunca ter feito. Abdiquei de sentimentos pelos quais nunca mais os vou votar a sentir com dantes.
Como foi que mudei tanto? Sinto-me fora do percurso…fora da rota que tinha traçado…
Trabalhei tanto para me tornar no que sou e agora…agora já nada me interessa, já nada me atrai…tudo desaparece como fumaça, como quem dá um bafo, trava e sente o tabaco e quando o solta desaparece rapidamente…mas o cheiro fica impregnado na roupa, nos moveis, em todo o lado para nos fazer lembrar o que já fomos…o que éramos…mas e agora? Agora para onde vamos? Que percurso tomar? Sigo a lua ou deixo-a desaparecer para no romper do dia cegar-me pelo sol? Oiço os anjos na praia ou mergulho até ás profundezas em busca das sereias? E se demorares a aparecer o que é eu faço no entretanto? Jogo ás cartas para fazer tempo? Coloco a minha alma nas mãos e solto-a no mar? E se tu nunca mais apareceres? Deixo-me ficar em casa com o chá e o cobertor a olhar para o relógio? Leio um livro enquanto oiço uma música? E se tu nunca apareceres? E se tu não existires? Não seria mais divertido assim? Não seria melhor saber que não existias? Poupavas-me anos de espera!

Segunda-feira, Outubro 23, 2006

Nuvem

Usas aquele disfarce de vedeta e dizes que vai correr tudo bem!
Dentro do cinismo, vives no teu mundo cor-de-rosa!
Aprendeste o significado da vida?
Aprendeste o significado da confiança?
Não me mostres esse sorriso de nuvem desfeita pelo vento.
Já podes largar a minha mão...tudo vai ficar ok.
Grita até apagares a noite e o dia.
E o que é que sabes de mim? Não me conheces de lado nenhum.
Pagaste-me um copo e falaste de coisas interessantes. Mas tinhas uma agenda secreta...e o interesse estava camuflado pelas tuas palavras.
Vives de máscara em máscara, até já não saberes quem és, até te perderes nas tuas personagens!
Sabes o que é o significado da vida?
Mostra-me como semeias tempestades.
Mostra-me do que és capaz!
Mostra-te.

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

This Place Is a Prison

This place is a prison
And these people aren't your friends
Inhaling thrills through $20 bills
And the tumblers are drained and then flooded...again
And again

There's guards at the on ramps
Armed to the teeth
And you may case the grounds from the cascades to puget sound,
But you are not permitted to leave

I know there's a big world out there like the one i saw on the screen
In my living room late last night,
It was almost too bright to see

And i know that it's not a party if it happens every night
Pretending there's glamour and candelabra
When you're drinking by candlelight

What does it take to get a drink in this place?
What does it take, how long must i wait?

"Postal Service - This Place is a Prison"

Sexta-feira, Setembro 29, 2006

Back In Rome

Carla – Ouviste bem o que eu te disse?
André – Sim, ouvi…ela é mesmo a minha cara e depois?
Carla – Bem podias deixar de ser bruto, não?
André – Sabes que é a minha defesa…irritar para estar fora do circulo.
Sofia – O que é que vocês estão aí a segredar?
André – Nada, parvoíces da tua amiga.
Sofia – Mas conta lá qual é o tema?
Carla – Estava a aqui a contar, que a Filipa é mesmo a cara dele e o palerma está me a chatear a dizer que sim já sabia assim como tinha “sentido” que não se mete com pessoas mal resolvidas.
Sofia – Uiii…André, tu disseste isso?
André – Claro, o que é que querias que dissesse? Preferias antes que tivesse dito, como dissem os 99% das pessoas “A sério? Achas mesmo isso? E achas que tenho alguma hipótese de ser feliz com ela?”…Oh por favor, poupem-me…
Carla – André, só estava a ver se te ponho feliz de uma vez por todas, ok? Pode ser?
André – Eu feliz? “That will be the first…do I bow or do I curse?”…
Carla – Estás a ver como tu és?!
Sofia – Acho que a Carla tem razão, a Filipa é mesmo a tua cara…tem tudo o que gostas…a Carla sabe dos teus gostos…Não percebo como é que podes ser assim para as pessoas que apenas querem o teu bem…
André – E se eu quiser odiado? E se eu quiser que não gostem de mim? Posso querer isso?
Sofia – Filho, podes querer isso tudo, mas nós gostamos de ti, gostamos de estar contigo. Aliás tu não suportas estar sozinho com os teus pensamentos…
André – Os meus pensamentos são comigo e …
Carla – Sim, sim, já sabemos todos que não temos nada a ver com isso.
André – Isso mesmo, eu sou mesmo o monstro que demonstro…
Sofia – Deixa-te de fitas…todos nós sabemos que esse monstro é apenas tão ilusório que nem tu acreditas nele.
Carla – André…vamos para ali temos de falar os três…
André – Já cá faltava o sentimentalismo…
Carla – Por muito que esse desejo de estar sozinho seja assim tão grande o certo é que tu nunca irás estar sozinho…porque o teu pânico de estar sozinho é tão grande que seja quem for estará sempre na tua vida.
Sofia – Temos uma coisa para te mostrar…abre a mão.
André – O que é?
Carla – Abre a mão!
André – Ok, eu abro a mão.
Carla – Toma! Agora fecha a mão…fecha os olhos e pensa…pensa em tudo o que desejas…
André - …tudo?
Carla – Tudo…digamos que o que tens na mão é algo mágico…uma pedra mágica…algo que te permite voar até aos teus desejos mais especiais…
André – Mas se todos os meus desejos acontecerem…com que ficarei para poder lutar e alcançar?
Sofia – Isso só tu saberás…o que tens na mão é apenas a ferramenta…lembra-te que podes ter o que quiseres…o que quiseres…
André – Então minhas queridas amigas, desta vez as vossas espectativas vão ficar goradas…podem ficar com isto porque não sairá nenhum desejo…
Sofia – Mas nem dinheiro? Nem o Porsche que tanto querias? Nem a….
Carla – …a Filipa?
André – Nada…muito menos ninguém.
Sofia – Mas porque?
André – Quem seria eu…se me entregasse a todos os meus desejos? Não seria mais do que a versão triste deste triste receptáculo! Este invólucro tão perdido, como aquele barco que passa ali ao fundo e que se perde de costa a costa…transporte…mero transporte sem personalidade.
Sofia – Mas podes ter sempre escolher e ficar com a Filipa…
André – Tas a brincar? A Filipa mal me vê, nem mesmo quando passo na rua e lhe dirijo a palavra…ela apenas olha e diz “Ah és tu, o…como é mesmo o teu nome?”, como é que vocês acham que eu me sinto? Sabem o que fiz a partir da segunda vez que ela me disse aquilo? Não? Então eu digo-vos…disse:”O meu nome? Tenho vários…mas nenhum que seja digno de decorar”.
Sofia – Deixa de ser parvo, a verdade é que és muito exigente!
Carla – É isso mesmo!
André – E se for? E se me apetecer querer apenas o melhor para mim? É assim tão estranho querer o melhor para mim? Não me parece!
Sofia – Ninguém diz o contrário…mas já viste o que fazes cada vez que encontras alguém novo? É um rol de defeitos que nunca mais acaba…se veste-se mal é porque se veste mal, se veste-se bem é porque se veste bem…assim não chegamos lá. E agora, aparece-te novamente a Filipa e tu não dizes coisa com coisa…
André – Lembras-te quando ela só vivia na minha imaginação?
Carla – Sim, lembramos.
André – Pois, como é que achas que estou, ao ver que aquilo tudo que imaginei se transformou numa pessoa verdadeira…numa verdadeira pessoa…numa pessoa…numa pessoa que…
Sofia – Apaixonaste-te por uma ilusão…agora a ilusão deixou de ser ilusão e o que vais fazer?
André – Não sei…
Carla – Pegas nas perninhas e vais para Roma.
Sofia – Pira-te…
André – Mas…
Carla – André, estás a perder tempo e Roma não espera por ninguém.

Terça-feira, Setembro 26, 2006

Friday's at Tamariz

A Joana e o Freddy vieram-me buscar.
Lá fui arrastado na sexta para o Tamariz, uma tremenda chuva, o carro embaciado do calor humano á espera que um belo sinal de o encanto de ficar verde...e 4 Horas depois...ainda estavamos á espera no carro cheios de calor...
Uma pit-stop na Barra para apanhar a Tati e zarpar rumo á praia Tamariziana. A noite foi passada com esta bela frase "Se gostas vai em frente e não ligues à boca dos teus amigos"...É tudo malta sem juízo.

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

Moinho

Levaste-me até lá...depois desapareceste por trás das dunas, como a névoa de quem sobe uma serra...mas tu não me viste cair...
Caí pelas escadas de quem obrigatoriamente tem de passar para chegar a um moínho na falésia. Tu agarravas-me na mão, impedindo-me de cair, impedindo que a queda fosse um prenúncio. Eras uma rapariga supersticiosa, daquelas que acredita em maldições, para ela não havia nada mais perfeito do que passearmos na névoa serra acima, entrar naquele mistico, na quimera esotérica.
Conheci-a por acaso, num salão de chá. Um espaço cheio de tias de Cascais, com a mania que são finas, ela estava de corsários...com um ar de quem estava enjoada, algo que não percebi se era do chá se era da companhia, ela levantou-se e...dirigindo-se para a porta olhou para trás...desaparecendo.
Semanas depois fui ver um filme noir, e nada mais negro do que uma sala de cinema sem ninguém, até que...vejo uma única cabeça...no meio da fila...na fila do meio...exactamente no sitio onde eu me costumo sentar sempre, decido que vou-me sentar mesmo ao lado - "Não me interessa que a sala esteja vazia e que pareça mal..." - quando me sento, a pessoa olha para mim de alto a baixo e diz "Tá muito vento aí por esses lados!", ao que eu respondo "Nem imaginas o quanto"...era ela.
O filme acabou. Estava a caminhar ao lado dela a sair do cinema até que ela parou olhou para mim e perguntou "Quem és mesmo tu?", eu sorri e respondi que isso era muito pessoal para uma hora daquelas e tirei uma caneta do casaco e um cartão e comecei a escrever. Eu peguei no cartão e dei-lhe a sorrir...ela com cara de espanto aceitou até que finalmente sorriu...o cartão dizia "Não sei quem és...mas leva-me daqui sem dizeres uma palavra...não quero saber o teu nome. Quero falar das banalidades do mundo profano...quero falar do divino e do profano...quero que me leves...leva-me".

Terça-feira, Agosto 15, 2006

Apareceste

Apareceste a 3 dias de te ires embora, não é justo! Vieste com essa conversa estranha de quem chega e ao mesmo tempo está de saída...prometes saudades...dás-me a perder um dia na promessa de outro...dizes-me que tens sono, como se isso suplantasse a vontade de estarmos juntos...
Não temos muito tempo e 3 dias passam a correr...2 dias...que na realidade se torna apenas num...um único dia...o último dia...
Vou ficar contigo até à 25 hora.
Deixa-me estar...apenas deixa-me estar.

Segunda-feira, Julho 17, 2006

O Mar de Roma

André – Oi
Filipa – Oi
André – Estas boa? Senta-te aí. Tens andado desaparecida.
Filipa – Pois é, tive uns azares...
André – Então?
Filipa – Nada de grave.
André – Mesmo?
Filipa – Sim, mesmo…o que é que queres que te diga?
André – Nada, pronto já cá não está cá quem falou.
Filipa – Pronto, agora amuaste!
André – Achas? Eu nunca amuo.
Filipa – Eheh, sim, sim, nunca…o último nunca por acaso foi a semana passada, ou já não te lembras?
André – Isso não foi um amuo, foi apenas um…
Filipa – Um que?
André – Oh pá, está calada e cala-te…
Filipa – Eheh.
André – Sabes, tive saudades…
Filipa – A sério?
André – Sim, mas nada de especial...
Filipa – Consegues fazer esse papel muito bem, não e?
André – Qual?
Filipa – O do diz que não diz mas deixa o rasto de quem quer dizer mas como não perguntam tu também não revelas.
André – Grande confusão, pá
Filipa – É, n é?
André – Podes crer...
Filipa – Pois...saiu-me! Deve de ser do calor.
André – Ehehehe.
Filipa – Diz lá o que tens a dizer e pára de rodeios
André – Oh pá, assim estás a estragar o momento.
Filipa – Momento? Qual momento? Este momento? Este segundo? Já passou! Espera! O momento voltou a passar! Espera! Ok, passou outra vez!
André – Importas-te de falar a sério por 2 segundos, se faz favor?
Filipa – Vou tentar…mas não prometo nada.
André – Obrigado.
Filipa – De nada, sempre ás ordens…"oh capitain my capitain".
André – Não te fazia apreciadora de bons filmes!
Filipa – Eu sou uma caixinha de surpresas, não sou?
André – Eh, escapas!
Filipa – Escapo? Tu adoras estes pequenos pormenores de cumplicidade, não perdes um ou pensas que não reparei?
André – Deixa-te de palermices!
Filipa – Então e novidades?
André – Nada de especial...
Filipa – Nada de conversas daquelas em que tentas salvar o mundo?
André – As de salvar o mundo, por acaso, não tenho tido ultimamente, mas no outro dia tive uma conversa sobre beleza e...
Filipa – Outravez?
André – Calma, deixa-me falar.
Filipa – Ok.
André – Estava eu a dizer que tive uma conversa sobre o conceito de beleza e continuo a não perceber o comportamento humano no que toca a gostos...será que a tua beleza interior não conta?
Filipa – Sabes que isso é conversa de quem é feio!
André – Tu por acaso estás-me a chamar feio?
Filipa – Por acaso...
André – Desculpa?
Filipa – Eheh, estou a brincar...adoro quando fazes esse ar de sério, mas nunca lidaste bem com criticas, pois nao?
André – Com as criticas lido eu bem...com realidades inalteráveis é que nem por isso! Olha, tenho o mesmo motivo que muitas pessoas…sabes, aquelas que não olham as pessoas nos olhos.
Filipa – Pois é...sabes que são o espelho da alma?
André – Por isso mesmo! Os olhos nos olhos revelam-te, mostram teus os medos, as tuas angustias, os teus desejos...o teu verdadeiro ser...a tua essência
Filipa – Bolas que hoje estás profundo.
André – Se calhar também deve de ser do calor.
Filipa - Ehehe.
André – Olha, para onde queres ir?
Filipa – A qualquer lado, detesto decidir...vá, surpreende-me!
André – Pensei que não gostavas de surpresas?
Filipa – Para ti abro uma excepção, eheh.
André – Isso é amor ou é Impulse?
Filipa – Não me fales de amor que me dá já aqui uma dor de barriga.
André – Sua...sensível!
Filipa – Com muito gosto
André – Podíamos ir dar uma volta um qualquer sitio mágico, que me dizes?
Filipa – Essa é a dica para tu me dizeres que contigo todos os sítios são mágicos?
André – Não, nada disso...eu já sei que tu achas que são, por isso escuso de estar a pedir-te para dizeres, eheh.
Filipa – Mas vá, decide-te que eu estou a ficar impaciente.
André – Ok, já sei onde vamos.
Filipa – Então vá, tu conduzes.
André – Entra para o carro e cala-te.
Filipa – Olha lá, que CD’s é que tens aqui?
André – Procura aí no porta-luvas!
Filipa – Ah, já vi! Gotan Project…Massive…Strokes…Zero7…Bliss…! O que é que queres ouvir?
André – Não sei, escolhe tu!
Filipa – Humm, ora vejamos…é de noite por isso, algo nocturno, não muito romântico, calmo, intenso…hummm…pode ser Cat Power?
André – Sim, vá, pode ser!
Filipa – Para onde me estás a levar?
André – Já te disse, para um sitio mágico!
Filipa – Não te fazia mágico!
André – É verdade! Mas só sou nas horas vagas, quando não estou a pensar em ti!
Filipa – Eheh, eu sei.
André – Ai sabes? E achas isso bem?
Filipa – Humm…por acaso acho…hehe.
André – Engraçadinha.
Filipa – Estúpido! Muito gostas tu de brincar comigo.
André – É! Fazes-me sentir bem, é divertido, sinto-me…vivo.
Filipa – Isso é bom saber!
André – Acho que já sabes é demais…
Filipa – Talvez. Eheh.
André – Parva! Vá, já chegámos, salta mas é do carro.
Filipa – Ehehe…muito tu gostas deste sitio! É a primeira vez que venho aqui contigo, mas já senti vontade de te convidar, tu estás sempre a falar nisto.
André – O que queres…aqui sinto-me em casa!
Filipa – Mas olha, isto está fechado!
André – Não há problema, eu conheço um túnel que vai dar lá dentro.
Filipa – Como é que sabes estas coisas?
André – Uiii, eu sei muitas coisas…ehehe.
Filipa – Convencido!
André – Eheh.
Filipa – Olha lá, não me vais raptar, pois não?
André – Vou! O túnel é uma entrada de um sentido apenas para o Tibete, quando lá chegarmos depois só de avião é que voltas, ficas lá presa comigo! Eheh.
Filipa – Olha afinal parece-me uma boa ideia, isto por aqui já foi chão que deu uvas.
André – “Já foi chão que deu uvas”? Andas muito popularuxa!
Filipa – É da tua companhia!
André – Algo me diz que isso não é um elogio!
Filipa – Eheh…olha lá pá, este túnel é assim um bocado para o fantasmagórico…tochas a arder…isto é um bocado sinistro, não?
André – Não tenhas medo…já chegamos ao outro lado!
Filipa – Ao Tibete?
André – Não, palerma! À Quinta…
Filipa – Eu sei…estava a meter-me contigo.
André – Pronto cá estamos nós, a Quinta é só nossa! Agora podemos ser quem quisermos.
Filipa – Não vai aparecer aqui ninguém a esta hora?
André – Não, a esta hora já os seguranças saíram. Só tens de te preocupar com os desejos que fazes, é que aqui a magia flutua no ar e qualquer deslize emocional, desde que sentido, corre o sério risco de ser realizado.
Filipa – Tenho de ter cuidado então...
André – Isto é lindo aqui, não é?
Filipa – Sim, é lindo…sinto-me completa, sabes? Sinto que este sitio é especial…
André – E é! Sinto-me bem em saber que tu estás a gostar.
Filipa – Sempre foste uma óptima companhia, apesar de muitas vezes distante…ou ausente…não sei…
André – Estive lá nos bons momentos, não estive? Lembras-te do livro que a Carla me emprestou? O livro é um espanto e dada altura diz o seguinte: “Os verdadeiros amigos são aqueles que estão ao nosso lado quando as coisas boas acontecem. Eles trocem por nós, alegram-se com as nossas vitórias. Os falsos são os que só aparecem nos momentos difíceis, com aquela cara triste, de “solidariedade”, quando na verdade o nosso sofrimento está a servir para os consolar nas suas vidas miseráveis.”
Filipa – Isso não é bem assim...
André – Se pensares bem vais ver que é! Eu já sei o que vais dizer! “Ah, mas os amigos são para as boas e más ocasiões, os verdadeiros têm de estar em todas e não só nas boas”! E concordo contigo, mas o que te quero dizer é que existe uma espécie de amigos que só aparece quando estamos mal, rodeados como diz o livro daquela “solidariedade”…é arrepiante só de pensar.
Filipa – Saíste-me cá um filosofo!
André – Tenho de arranjar um pseudónimo.
Filipa – André Cardoso, o Filósofo de Sintra.
André – Nã, não me parece…muito clássico.
Filipa – André Cardoso, o Filósofo Errante.
André – Nã, muito cliché.
Filipa – André Cardoso, o Filósofo Palhaço.
André – Pronto, já cá faltava.
Filipa – Eheh.
André – Não quero que isto acabe…nunca.
Filipa – Pronto já estás outra vez nas nuvens. Queres que eu te traga a terra? É que é um instante é só dizeres!
André – Não, deixa-me estar mais uns minutos assim…a apreciar tudo isto…tu ao meu lado aqui deitados na relva…é tudo tão lindo.
Filipa – Estou aqui a pensar…
André – Tu tens disso? Eheh.
Filipa – Cala-te pá! Tive a pensar e acho que temos de combinar uma palavra secreta e mística, assim cada vez que a dissermos o outro sente-a onde quer que esteja. E onde quer que a vejamos ou onde quer que a oiçamos…ficamos uno um com o outro, assim estaremos sempre unidos.
André – Mas que palavra?
Filipa – Acho que era giro um anagrama.
André – Um anagrama? Ok, “no more álcool for this girl please”…eheh.
Filipa – Oh! Assim não digo o que estava a pensar.
André – Vá, vá lá diz lá eu não brinco mais.
Filipa – Estava a pensar na palavra Roma.
André – Roma? O que é que Roma tem de especial?
Filipa – Ora então, se é um anagrama...vá descodifica lá! Tens várias hipóteses há duas que são lindas e sempre que as vires qualquer que seja a combinação eu estarei contigo.
André – Com que então Roma…deixa lá experimentar! Roma, Ramo, O Mar…Amor?
Filipa – Não são lindas?
André – Nunca tinha pensado nisto…mas é…bonito.
Filipa – Oh! Não gostaste! Gostei muito de "O Mar" e da primeira que me lembrei…
André – Qual foi?
Filipa – Amor.
André – …
Filipa – Não digas nada.
André – Como diz o filme “we’ll always have Rome”
Filipa – Não é Roma estúpido, é Paris.
André – É a mesma coisa! Eheh.
Filipa – Eheh.
André – Não quero que…
Filipa – Cala-te…não digas nada.

André – Já viste que horas são?
Filipa – Já, o que tem? Tens de ir a algum lado?
André – Não, mas…
Filipa – Mas o que? Se não tens de ir a lado nenhum deixa-te estar aqui ao meu lado, a não ser que não gostes da minha companhia!
André – Não é isso, apenas pensei que tu é que podias querer ir embora.
Filipa – Não…estou muito bem aqui. Obrigado.
André – De nada, sua Alteza.
Filipa – Mas também nós podemos ir a qualquer altura…ou já te esqueceste?
André – Desculpa, mas eu agora perdi-me! O que queres dizer com isso?
Filipa – Tu tens noção de que sou apenas fruto da tua imaginação, não tens?
André – Tenho...está descansada que ainda não me esqueci.
Filipa – E consegues lidar bem com isso?
André – Olha, por acaso acho que sim?
Filipa – Só não quero que leves isto muito à frente senão começo a pensar que não regulas lá muito bem! Eheh.
André – Desculpa, mas como é que o próprio fruto da minha imaginação me diz que eu não regulo bem?
Filipa – Dizendo.
André – És muito petulante para imaginação, sabias?
Filipa – Sabia.
André – Não me podes tratar assim, não vês que assim como eu te criei também te posso fazer desaparecer?
Filipa – Não é assim tão fácil
André – Eu sei.
Filipa – Vamos então?
André – Sim.
Filipa – Vá não fiques assim, sempre que quiseres pode ser sempre utilizar a palavra mágica e eu num pulinho vou ter contigo.
André – Teremos sempre...
Filipa – Sim, teremos sempre…O Mar de Roma!

Sexta-feira, Julho 07, 2006

Tango

Tango.
Calor. Paixão.
Uma noite de verão. Encontros. Pessoas conhecidas…
Reencontros.
A música, os corpos, o movimento, o calor…olhos fechados…
Dança-se.
As imagens na tela mostram-nos outros mundos.
Sorrisos…
Dançarinos cúmplices.
Respira-se sensualidade…
Paixão.
…Perfeito.

Quinta-feira, Julho 06, 2006

Personality

Open up and justify yourself
Your reasons
Reasons to care
You lie awake with your world
Your world in the air

Now who has the right
To say what I can
Can or won't do
I take what want
Whatever I want
Just to get myself through

For your personality drives me insane
Drives me insane
Your personality drives me insane
It drives me insane

I was the one
Always the one last
Last on the list
I've taken a chance
I've taken a chance and all of the risk...
Your personality drives me insane
Drives me insane

You contradict yourself
You contradict yourself
Again, again and again
Have a taste
It's just a taste
It will do you
It will do you no wrong

For your personality drives me insane
It drives me insane

"The Aloof - Personality"

Quarta-feira, Julho 05, 2006

Predadores

O tempo passa como as folhas de uma agenda na procura incessante de uma data. Procuram-se estereótipos de camisas aos quadrados com sapatos vela, numa névoa de tabaco e charutos. Imberbes adolescentes, perdidos num riso hilariante libertam as fermonas acompanhadas por copos de vinho. As miúdas a olham em redor, pesquisando vítimas para uma sedução. As presas alheias aos predadores continuam a mastigar o pasto líquido alcoólico.
Olham sem querer ser vistas, voltam a olhar e sorriem, comentam os traços físicos da vitima…procuram homens com boa aparência física, atraente e que saiba contar pelo menos até 10.
Preparam-se tácticas de aproximação...a caça começa.
As gazelas perdidas, cegas pelas camisas aos quadrados caem na primeira armadilha…o olhar. Elas olham de soslaio, provocando na presa o despertar, o mágico interesse pelo enigmático olhar. A presa fica com a ilusão que é predador e que está em controlo da situação, olha em redor na busca de “pseudo-predadores”
No fundo da sala um rapaz observa todo este ambiente de caça como se tudo fosse um documentário da BBC. Pávido e sereno imita uma presa para atrair os predadores á sua volta. Os confiantes predadores decidem aproximar-se…olham-se.
Empatados.
Ambos sabiam o que estavam a fazer…e assim como dois mestres de artes marciais que já não podem evoluir, aguardam…esperam quem é o primeiro a tomar a iniciativa…minutos passam sem um único movimento, sem uma única palavra…olham-se.
Sorriem.
Ela avança devagar para ele e diz - “Leva-me para casa!”.