Terça-feira, Abril 14, 2009

Há coisas...

Ele – Oi
Ela – é bom não é?
Ele – …e assustador…
Ela – é como se o vento te derrubasse, de uma só vez.
Ele – ya…
Ela – Porque tantos diálogos?
Ele – Não sei…
Ela – Continuas esclarecedor como sempre…
Ele – Não é isso, simplesmente não sei…talvez porque assim posso usar-te a meu belo prazer…hehehe
Ela – Hum?
Ele – Queres ver?
Ela – Vá mostra lá, dá-me o teu melhor.
Ele – Ok, então cá vai. Vais dizer “Oh meu xuxu, adoro-te”
Ela – Oh meu xuxu, adoro-te
Ele – Vês…fácil.
Ela – Bolas, mas como é que tu me estás a fazer isto? Eu não queria e acabei por dizer!
Ele – Sou eu que estou a escrever…lembras-te? Eheh!
Ela – Pateta!
Ele – Então que tens feito?
Ela – Nada de novo…olha, tenho um concerto esta semana!
Ele – Ai é? Vais tocar onde?
Ela – Na Gulbenkian…estou tão nervosa que nem imaginas.
Ele – Porque? Tu és toda desenrascada. Vai correr bem, vais ver! 
Ela – Sim…quer dizer, espero que sim. Mas tu sabes que eu fico nervosa quando tenho muita gente a assistir.
Ele – Vai correr bem, depois para comemorarmos vamos jantar a um sitio fixe, que te parece?
Ela – Hum, ok…mas escolho eu desta vez.
Ele – Ok, está bem.
Ela – Até já sei onde vamos.
Ele – Onde?
Ela – Gostava de ir aquele…das vodkas. Pode ser? Pode ser? Pode ser?
Ele – Sim, vamos a esse, patetita. Ouvi dizer que eles têm uma sangria de vodka muito boa.
Ela – Melhor que vodka picante?
Ele – Mil vezes melhor.
Ela – Xii…mil é um número muita grande.
Ele – Só tu para me fazeres sorrir.
Ela – Estás a brincar comigo e eu a ver, né? 
Ele – Está aqui uma pessoa a espremer os sentimentos e tu é assim que me tratas?
Ela – Deixa-me pensar…sim é! Ehehe!
Ele – Sabes que nada disto é real, não sabes?
Ela – Sim sei…mas é giro, né?
Ele – É…se fores um...ai espera…lembrei-me agora de uma coisa…
Ela – Então o que foi? Do que? 
Ele – Vou te mandar uma mensagem agora.
Ela – Só tu…

Quinta-feira, Março 12, 2009

Escrever Escrever

Não consigo escrever...
Zanguei-me com o blog...nem sei porquê. Agora que me apetece escrever tenho o braço partido. Bom timing.

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

Algarve

Eu gostava era de ser um animador sociocultural...para andar aí a esvoaçar tipo gaivota de evento em evento.

Sábado, Fevereiro 02, 2008

Separate Lives

Estou de volta...pelo menos até dia 11...


É assim que começa:

Her - We're living like this...like rats in a cage...and then...God! I can't live like this...if it wasn't for me...
Him - If it wasn't for you I would be one of them.

Estávamos em casa da Patricia quando percebi que eu e tu...bom, a verdade é que...estivemos separados. Sim, a palavra é "separados". Sim, estávamos separados...mas vou precisar de ti, mais uma vez...pelo menos por agora...

Vou ter de te usar. Oh! Não me julgues...não sejas como todos os outros...vou precisar que estejas aí...aí, depois...bom, depois logo vemos o que fazemos de nós os dois.

O Paulo tinha razão..."tens de preparar um inicio"...um recomeço...um "olá o meu nome é..." e tudo recomeça...com ou sem chuva, com ou sem lavagem...com ou sem...

Vou precisar de tudo o que o que tiveres para dar...até dia 11...depois...depois logo se vê para onde vamos...até lá...vamos ser tu e eu...

Não perguntes nada...apenas aceita...deixa-me clicar-te e aceita...como sempre...e talvez um dia eu diga-te porquê...mas por agora...vem comigo viajar.

E é assim que acaba...começa:

Him - I'm going whether you help me or not.
Others - Then we're going with you.

Obrigado.

Sexta-feira, Março 16, 2007

E agora?

Ando sem palavras...não consigo...

Sexta-feira, Março 02, 2007

Snow

Sabes, tenho saudades tuas...
Mas estou de regresso, querida!

Musica
Outkast vs Rage Against The Machices - B.O.B

Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007

Half Nelson

Dan: One thing doesn't make a man.
Drey: [softly laughing]
Dan: What?
Drey: One thing doesn't make a man?

Musica
Half Nelson Soundtrack
Broken Social Scene - Shampoo Suicide

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

Epinefrina

Epinefrina
Hormona secretada pelas glandulas supra-renais.
Quando lançada na corrente sanguínea, devido a condições do meio ambiente que ameaçam a integridade física do corpo, é responsável pelo aumento da frequência dos batimentos cardíacos e o volume de sangue por batimentos cardíacos. Aumenta o nível de açucar no sangue, minimiza o fluxo sanguíneo nos vasos enquanto maximiza o fluxo para os músculos voluntários nas pernas e nos braços e queima a gordura contida nas células adiposas.

Odivelas Skate Park.

Sandra - O que é que tu vais fazer?

Carla - Vou saltar.

Sandra - Estás maluca? Ainda não percebi do que é que andas à procura.

Carla - Não ando à procura de nada, mas se encontrar, o que quer que seja, está descansada que aviso-te. Mas caso não saibas, isto não é nada de mais...chama-se "Leap of Faith".

Sandra - Não és invencivel, sabes? Estou-te a dizer isto como amiga...

Carla - Eu sei que não sou invencivel...mas aí é que está a piada...não ser inconsciente...é ter a consciencia de que me posso aleijar...isso sim, aí é que está a verdadeira alegria.

Sandra - Ainda não percebi como é que isso te pode trazer alegria...

Carla - Não? Já alguma vez arriscaste tudo? Acredita que isso vai-te acontecer, depois de teres deixado os "errados" entrar e teres deixado os "certos" ir embora, isso vai-te acontecer...vais olhar para trás e não vais ver nada...fica-te só um caminho a percorrer...o teu caminho...e esse, minha amiga, é sempre em frente! Sempre em frente até chegares ao limite...ao limite das tuas forças...ao limite das tuas capacidades...vais...e quando lá chegares vais pensar "Isto está a ser fixe até aqui, mas o que é que acontece se eu esticar mais um pouco o meu limite?...Hummm? Olha afinal parece que posso esticar mais a corda!...Hummm, será? Eh pá, só de pensar fico já com o coração aos pulos...isto é cá uma sensação...uau, sinto-me viva! 'Bora, lá!". Eheh.

Sandra - Pára de sorrir...tu assustas-me, pá!

Carla - Eheh. Queres apanhar um susto? Então vem comigo!

Sandra - Nem penses...esqueci-me que deixei o cão sem comida em casa! Vou ter mesmo de sair agora! Ehehe.

Carla - Vá, vamos as duas ao mesmo tempo, que ainda torna o salto ainda mais lindo.

Sandra - Que nervos, pá! Porque é que estás assim?!

Carla - É fácil..."I wanna live like common people". Ehehe.

Sandra - "Sing along with the common people, sing along and it might just get you through"

Carla - Agora?

Sandra - Ok, pronto, chata pá.........1?

Carla - 2.

Sandra - 3.

Carla - Agora!!

Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

Outros Lugares

Tu à minha frente, gesticulavas. De um lado para o outro gesticulavas as filosofias da vida…

Rodrigo - Meu, estás com essa cara porque? Ontem foi apenas o dia dos namorados, mais nada. Tu até achas o dia comercial e tudo. Ouve, há cenas muito fixes para acontecerem, tu sabes disso.

Tiago – Eu sei…mas deixa-me. Deixa-me ser eu a resolver a minha vida, agora tenho as minhas coisas para tratar. Vou ser eu e só eu a criar o meu espaço.

Rodrigo – Olha aqui à volta, não achas isto tudo lindo?

Tiago – Importas-te de não me imitar?! Hehe. Mas sim é lindo, e já me viste estas ondas? Diz-me que não é do mais espectacular que tu já alguma vês viste?! Esta luz...este céu...estas ondas! Se não fosse as horas que são…ainda íamos lá.

Rodrigo – Olha isso sim, isso é que seria uma maluqueira.

Tiago – Então vá, 'bora lá!

Rodrigo – Tiago, olha que não sei…tens consciência que…isto pode correr mal...muito mal mesmo...

Tiago – Sim, pode correr mesmo muito mal…e não é bom saber isso?

Rodrigo – Hummmm...não sei não...

Tiago – Eu não tenho nada a perder...tu tens?

Rodrigo – ...ok, que se lixe! Eu tenho lá o fato e a prancha do Filipe em casa...Vamos mesmo fazer isto?

Tiago – Se quiseres podes não vir, mas eu vou…mesmo…

Rodrigo – Tiago, são 2 da manhã…ir buscar as coisas vir e não vir, vão ser 3 da manhã.

Tiago – É como te disse, não te estou a obrigar a vir...só te estou a dizer que eu vou.

Voámos a ir buscar as coisas.

Chegámos.

A espera. O olhar para aquele negro espelhando de estrelas.
Olhámos um para o outro…e corremos. Gritámos. Corremos.

Estava fria…inconscientes remámos para fora…rimos. Doidos. Jovens loucos, gritavam naquelas ondas. Regressámos.

Em casa, a poucas horas de começar a trabalhar, tirámos uma garrafa de vinho, brindámos:


Tiago – Aos outros lugares.

Rodrigo – Aos outros lugares.

Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007

Chorinho

Ontem fui ver tocar Chorinho...chorinho...profundo choro.
Entre cervejas e conversas...um chorinho.

Após tantos anos ouvir novamente o "Carinhoso", é...
Aquela voz...aquela melodia...aquele piano...

O frio aquecido com cervejas e as horas ficam para trás...ficamos a olhar para o mundo e "sorrir com os olhos"...

Aquela música jazzy...

E a "Rosa"? Aquela música...deslumbrante e bela...
E depois mudar para o "Mundo Melhor"...aquele ritmo...aquela alegria...rir que nem malucos...como é 4 raparigas e 2 rapazes podem fazer tanto alarido?
Frase da Noite: "E aí, guri?! Quanto tempo...tudo jóia?"

Terça-feira, Fevereiro 13, 2007

The Hills Are Alive With The Sound Of Music Part II

Elevador da Glória acima, lá íamos nós todos felizes e contentes, mas como não podia deixar de ser, assim como tudo na vida, havia um lado cómico da situação…os ténis, sim os ténis não se agarravam à estrada, então era trambolhão atrás de trambolhão, escorregadela atrás de escorregadela. Porque? Porque S. Pedro decidiu que estava na hora de abrir a torneira, então demos por nós a escorrer água. Desistentes? Nunca! Bairro connosco.

Chegámos ao miradouro, parou de chover. Pensamos descansados “Ufa! Grande molha…mas parece que abrandou” e abrandou…por 10 minutos.
Primas…cerveja. Conversa. Cervejas. Conversa. Compreendemos que afinal a cerveja à chuva até era engraçada…podíamos beber à vontade que o liquido parecia continuar exactamente no mesmo sítio, havia alturas que até parecia que subia.

Catacumbas…cerveja. Agora sim, já abrigados ouvimos uns Blues…e a eterna Let The Good Times Roll (música maluca, que fez com que nos oferecessem shots…I wonder why?! Humm!). Conversa. Cervejas. Conversa. Cerveja. Saímos para ver como andava o tempo. Já não chovia.

Arroz Doce…cerveja. Conversa. Conversa. Conversa. Reencontros e mais reencontros. Brindes. Cervejas. Conversa.

Tasca do Chico…cerveja…mas de repente, o caos. Chuva. Chuva. Chuva. Chuva. A Tasca do Chico cheia, já não cabia mais ninguém. Os que estavam lá dentro só conseguiam mexer os olhinhos…e nós lá fora, nós e a chuva…a chuva e nós…e a chuva…e a chuva novamente.

Loucos e Sonhadores…Vodkas. Aparentemente tudo tranquilo…como se nada se passasse, como se não houvesse um dilúvio lá fora as pessoas conversavam animadas. Só mesmo nos Loucos e Sonhadores. Ficámos por lá…já nem me lembro quanto tempo. As conversas quando são boas passam depressa…passam mesmo muito depressa. Num rasgo de estupidez decido que me apetece dançar. Levanto-me meio a cambalear. Tu olhaste e pensaste…”Passou-se!”.
Lá vamos nós para o sítio do costume. Incógnito.

Alto! Estou-me a esquecer de um pormenor importantíssimo…chovia.
Mas chovia mesmo a sério. Não era aquela chuvinha miúda, era mesmo chuva com gotas do tamanho de tractores.

Incógnito. Reencontros. Vodkas. Brindes. Vodkas. Reencontros. Mais brindes, mais vodkas. Dança, dança, dança. Alheios e dormentes. Dança. Reencontros. Conversa. Brindes.

Depois…depois saímos…e tornou-se tudo muito turvo. Faço um esforço para me lembrar, mas só me surgem os flash…não consigo discernir a ordem dos acontecimentos. Só me lembro de ir a pé para casa, tirar o telemóvel do bolso e ver “Altas ondas em Peniche. Vou-te buscar ás 8:30 da manhã”. Só me surgi uma palavra na mente…F…Fixee.

Já estava a ver o filme todo…não ia dormir…grandes ondas, grande ressaca…péssima combinação…ia ser um prolongar de um sofrimento que tinha começado mesmo ali, naquele sítio, no momento em que vi a mensagem…aquela dor de cabeça enorme…aquele latejar…e a roupa molhada não estava a ajudar…não estava a ajudar mesmo nada.

Padaria. Bolinhos. Quentinho. Quentinho.

Ensopado. Chuva e mais chuva…até que…parou. Ainda ensopado…caminho. Tiro o iPod do bolso. Headphones. iPod. On > Menu > Music > Songs > B.O.B.

Sorrio e penso: “...palerma! Surf’s up!”

Sorrio.

Domingo, Fevereiro 11, 2007

The Hills Are Alive With The Sound of Music

Mudei de opinião.
Depois de tantos anos a embirrar com o senhor, decidi que "eu" não era mais teimoso que "eu mesmo", então fui ver o aclamado “Melhor Encenador Português”.

Depois de unas cervejas e conversa no Príncipe Real, decidimos jantar. Jantar jantado, pegamos nas perninhas e em passo acelerado fizemo-nos ao caminho. Estávamos a 15 minutos do espectáculo começar. É nestas alturas que me considero um verdadeiro cocó por não ter olhado para o relógio mais cedo.

No momento em que chego ás portas de Santo Antão, deparo-me com uma multidão quase estática…e 5 minutos para começar o espectáculo. – “Raios, mas esta gente não anda? Cocós pá!” – digo eu muito chateado. Tento furar a multidão, mas nada, pareciam estátuas e só via clarões á minha frente e focos de luz como que a cegarem-me. “Mas que raio?!”. Entre cotovelada e encontrão lá tento furar a multidão, o centro da multidão estava impossível, foi aí que comecei a perceber que os clarões eram flashs fotográficos e as luzes que me encadeavam os olhos eram de câmaras de filmar. “Mas esta gente não tem noção que já estamos atrasados para o espectáculo?”. Com mais encontrão lá consigo furar a multidão…pum. Vejo-me numa clareira de uns 3 metros.

Não consigo olhar para a frente com tanta luz. Sinto uns passos ao meu lado…era o nosso Presidente da Republica.

“Bolas”!

Ficámos na clareira que separava os jornalistas e todo aquele aparato de câmaras e luzes e o Presidente.

Os policias lá olhavam para nós com um ar do tipo, “Vá saiam lá daí, não vêem que é o nosso Presidente?”. Talvez eles não tenham reparado, mas eu sou míope, por isso a visão não é propriamente o meu ponto forte.

Eu a tentar sair, sem ser apanhado por nenhum microfone ou câmara e é nestes momentos que queremos estar em todo lado menos ali…só que quando tudo pode correr mal…corre mesmo mal….o telemóvel toca no meio daquela confusão...

“Bolas Grandes!”

Paraliso ali mesmo. Nem o Presidente consegue andar comigo ali no meio, nem o telemóvel pára de tocar. Atendo e só oiço…”Onde é que tu estás?” e num passo de mágica desbloqueio e acelero para a esquerda e…. ALELUIA CONSEGUI FUGIR!!!

Respirar. Pausa para cigarro. Esperamos cá fora que as celebridades se dignem a entrar.

“O que é que pode acontecer mais hoje?”.

A entrar para o teatro dou um encontrão na Anabela (sim aquela baixinha…estão a ver?) e pumba…aparece-me o Sr. Encenador mesmo á minha frente e diz “Boa Noite”. Eu por momentos pensei “Será que me conhece de algum lado e eu não sei?” Nããã…acho que estava a falar para as senhoras com reumático que estavam mesmo atrás de mim a dizer que viram para mais de 8000 vezes a Musica no Coração, mas eu no meu jeito educado digo “Ora muito boa noite para si também, Sr. Encenador”.

Sentei-me. (Outro aparte…parece que hoje apareci na televisão sentadinho na tribuna e tudo, ehehe! Vedeta moi! Ehehe)
Sentei-me.
Ok, tentei sentar-me, o espaço era idela se eu tivesse 1,50m…azar dos azares…o que é que eu faço aos outros 32cm?!

Mas estava decidido. Não vai ser isto que vai influenciar o meu juízo.
Após muitos anos e anos de embirrar com o homem, vou dar a mão à palmatória…esteve excelente.

Como é que é possível ter aqueles rasgos de genialidade na encenação de uma peça? As luzes, os cenários, a direcção dos actores…tudo ali tão certinho, tão perfeitinho…ok, pronto, não estava tudo, tudo perfeito…o miúdo loirinho do Von Trapp era irritante como tudo, especialmente porque estava a representar e sempre a olhar para o encenador. Mas se não fosse o miúdo, nunca teria surgido as palhaçadas cá fora a gozar com o pequeno.

Começou a chover. Partimos. Só havia um destino possível…Bairro.

(To Be Continued)

Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

Armários

Até vou meter uma música upbeat bem oldie...daquelas da infancia...daquelas que ouvimos e sorrimos.

Não tenho metido nada aqui porque tenho andado assim...estão a ver o ritmo da música? É igual! :D

De vassoura na mão a varrer...que nem um maluco...faz pouco pó a madeira dos armários fazem...os armários, esses grandes malucos...
Estão a ficar...lindos :D

My Space...29% Completed.

Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

Escuro

Está escuro.
Acendo uma vela, não percebo o que se passou mas fiquei sem luz.
Já é tarde para perceber o que se passou, um curto-circuito? Uma sobrecarga? Talvez seja isso…não sei…não consigo pensar, não me consigo mexer com este frio!
Tento enrolar-me no edredão e tentar escrever. Hoje não trouxe o portátil. Encontrei um bloco em cima do balcão que escapou ás mudanças.

Aqui nestas paredes despidas, viajo pelo tempo como se fosse livre.
Está frio, está muito frio. Este chão gelado é desconfortável.
As luzes dos carros lá fora fazem figuras estranhas cravadas na parede.
Olho para estas formas e dançam, como se mexem...como se fosse a minha própria peça de teatro…criada só para mim.
As personagens correm para a direita, para a esquerda…de que fogem eles, coitados?
Sinto-me perdido neste chão frio.

Já me dói o braço de apoiar a cabeça.
Não consigo ter posição neste chão gelado…o frio entra-me pelo colchão e gela-me a pele.
Tento esfregar as mãos…mas nada.

Sinto-me estupidamente desconfortável…já não suporto mais este frio…não tenho luz para fazer um chá!

Não consigo dormir. Escrevo para me manter entretido, escrevo para me manter distraído…não vejo o que escrevo. As luzes dos carros que passam lá fora não são suficientes para conseguir ler.
Sinto-me cego nesta solidão.

Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007

Flippers

Estás longe...num país algures distante nessa mente...talvez até noutro continente, talvez até...
…aqui ao lado…
Mas que diferença faz se o teu "longe" é perto ou não? Longe será sempre longe. O que importa se estás ao meu lado, se te sinto distante...tão longe que não te consigo ver...não te consigo ver…
…muito menos te tocar...
E eu ao teu lado, a sentir-te acordada...algures perdida...perdida em pensamentos, memórias...
…e não conseguir sentir-te…

E é tão fácil acreditar que tudo pode ser diferente...ouvir-te um "Vamos para casa!", numa terna cumplicidade...

...mas tudo coberto por uma névoa mística...

Seguir o rumo...em frente...levar tudo em frente (à frente?)...como uma máquina de flippers...sempre para cima...por muito que bata com a cabeça...

...bater para aprender...

"palavras negras que marcam-me os lábios...se são os lábios, porque é que me doem os olhos?"

Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007

Aprender

Ontem lanchei com a Cristina. Já não estava com ela há meses...foi só preciso um telefonema e dizer "Preciso de ti...", ao que ela respondeu "Magnólia?".
É bom, é muito bom termos as pessoas certas nas alturas certas...precisava da crueza das suas palavras, aquela amizade sincera...precisava daquelas palavras que doem, aquelas que nos fazem, acordar, respirar...nem que seja por um momento e depois nos afundemos novamente, mas conseguimos vir à tona tomar um pouco de ar.


Lembrou-me Leila Navarro que diz: “Nós nascemos para ser felizes. Mas para isso é preciso ter objectivos, sonhos, metas e participar na vida. Nada muda se nós não mudarmos. E eu mudo pelas minhas atitudes”.

Decisões, decisões, decisões...

Tu ainda te viraste para mim e disseste "Ou a gente acerta ou a gente aprende. Ninguém erra.”

Decidi...hoje vou sair...vou expurgar tudo...

Se ninguém erra, então hoje vou aprender muito. :) :)

P.S - Play, soon will be snow time, but for now tonight is the night! Vamos desgraçar-nos como se não houvesse um amanhã :)

Terça-feira, Janeiro 30, 2007

Optimistic

Flies are buzzing round my head
Vultures circling the dead
Picking up every last crumb
The big fish eat the little ones
The big fish eat the little ones
Not my problem, give me some
You can try the best you can
If you try the best you can
The best you can is good enough

If you try the best you can
If you try the best you can
The best you can is good enough
This one's optimistic
This one went to market
This one just came out of the swamp
This one drops a payload
Fodder for the animals
Living on animal farm

If you try the best you can
If you try the best you can
The best you can is good enough
If you try the best you can
If you try the best you can
The best you can is good enough

I'd really like to help you, man
I'd really like to help you, man
And now this messed up millionaire
Floating around on a prison ship
If you try the best you can
If you try the best you can
The best you can is good enough
If you can try the best you can
If you try the best you can
Dinosaurs roaming the Earth
Dinosaurs roaming the Earth
Dinosaurs roaming the Earth

Radiohead - Optimistic

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

Simples

Tudo aquilo que ele queria era apenas um pouco de conforto…ter alguém ao seu lado para poder conversar, poder brincar, poder rir, poder chorar.

Tudo tinha começado quando conheceu a Sofia. Era uma tarde solarenga e tinha decidido ir lanchar a Cascais, como costumava fazer todos os fins-de-semana. Levava o livro em que costumava escrever e desenhar, o iPod e ficava horas na esplanada a contemplar o mar.

Ele gostava de ter momentos só dele. Quando os amigos lhe perguntavam se tinha planos para aquele tipo de tardes, ele apenas dizia “Tenho um encontro marcado, não vou poder estar com vocês”. Era o pequeno segredo dele. Não o revelava nem ao melhor amigo.

Numa daquelas tardes, estava ele sentado na esplanada a escrever uns pensamentos, quando uma rapariga chega-se por trás dele e sussurra-lhe ao ouvido “Diz que me amas e serei tua para sempre”. Ele franziu as sobrancelhas e voltou-se para trás. Sorriu. Era a Sofia.

Carlos – Desculpa?
Sofia – “Diz que me amas e serei tua para sempre”…é o que tu está escrito no teu bloco.
Carlos – Ah sim! É uma peça que estou a tentar escrever.
Sofia – Desculpa estar a chatear mas não resisti em vir aqui e meter-me contigo.
Carlos – Não faz mal…mas…eu conheço-te?
Sofia – Hum…acho que não, porque? Pareço-te familiar?
Carlos – Não…só que como vieste falar dessa maneira comigo…pensei por momentos que te conhecia só que não estaria recordado de onde.
Sofia – Eu sou assim, extrovertida.
Carlos – Estou a ver que sim…
Sofia – É que ia me sentar aqui nesta mesa atrás de ti e reparei no que estavas a escrever e pronto…não resisti. Achei giro porque já ninguém fala assim.
Carlos – Ai não? Então conta lá.
Sofia – Então vou só ali buscar o meu chá para esta mesa. Dá-me 5 minutos.
Carlos – Ok.

Sofia – És servido?
Carlos – Ainda tenho aqui granizado de café, mas obrigado na mesma.
Sofia – Quando quiseres é só pedires.
Carlos – Obrigado.
Sofia – Vens aqui muitas vezes?
Carlos – Algumas…venho aqui procurar inspiração, exorcizar os meus demónios ou apenas descontrair.
Sofia – Eu descobri este cantinho há pouco tempo…isto aqui é lindo, não é?
Carlos – É impressionante como é que ainda não houve mais pessoas a descobrir isto.
Sofia – Talvez porque é isolado e no meio do nada?! Eheh
Carlos – Ahh então é isso? Eheh
Sofia – Ficaste muito assustado?
Carlos – Com o que?
Sofia – Com a minha abordagem.
Carlos – Não…estava distraído. Fui foi apanhado de surpresa.
Sofia – Mas se quiseres podemos repetir, assim já não és apanhado de surpresa.
Carlos – Eheheh. Porque não? Vá, embora lá então repetir que eu não vou fazer uma cara estranha.
Sofia – Então vá…começa lá a escrever, que eu vou por-me atrás de ti.
Carlos – Vá, estou pronto.
Sofia – “Diz que me amas e serei tua para sempre”
Carlos – “para sempre não será muito tempo?”
Sofia – Então? Isso não está ai escrito.
Carlos – Eheh, eu sei mas disseste para não ser apanhado de surpresa…isto é que é não ser apanhado de surpresa! Eheh
Sofia – Eheh! Tens sentido de humor…
Carlos – Nota-se assim tanto que sou uma pessoa interessante?
Sofia – Uau, um convencido com sentido de humor…isto nunca tinha visto. Eheh
Carlos – Estava a brincar.
Sofia – Eheh! Eu percebi.
Carlos – Costumas meter muitas vezes conversa com estranhos?
Sofia – Não, só com estranhos convencidos e com sentido de humor.
Carlos – Eheh! Boa resposta! Então conta-me cá uma coisa, se nunca tinhas visto nenhum…só posso ser o primeiro nessa tua regra.
Sofia – Sim, tu és a regra…os outros foram todos excepções.
Carlos – Eheh.
Sofia – Diz-me uma coisa…
Carlos – Diz.
Sofia – Tens nome?
Carlos – Tenho.
Sofia – E?
Carlos – E o que?
Sofia – Eheh! E…quando é que vais me dizer?
Carlos – Nunca?
Sofia – Eheh.
Carlos – Assim é muito mais interessante, não achas? Passar umas horas a falar com um completo desconhecido…se te dizer o meu nome passo a ter uma identidade…deixo de ser um completo desconhecido e aí era a desgraça, ia estragar todo este glamour.
Sofia – Qual glamour?
Carlos – Eheh.
Sofia – Ó senhor desconhecido, importa-se de me revelar o seu nome?
Carlos – Eheh Carlos. Contente?
Sofia – Olá Carlos. O meu é Sofia.
Carlos – Olá Sofia, como está a menina?
Sofia – Está tudo bem, obrigado…Carlos!
Carlos – Eheh.
Sofia – Agora já está tudo estragado…agora que sei o teu nome…deixaste de ser interessante…é uma pena.
Carlos – É não é?
Sofia – A tua namorada deixa-te vir para aqui, falar com estranhas?
Carlos – Ai que maneira mais airosa de descobrir se tenho ou não namorada! Eheh
Sofia – Eheh! Foi não foi?
Carlos – Se quiseres saber é só perguntares!
Sofia – Olha lá…tens namorada?
Carlos – Porque? Queres-te candidatar, é?
Sofia – Quero, onde é que se inscreve?
Carlos – Tens de preencher o formulário 323B/99.
Sofia – Ah é esse? Ando sempre com esse na mala…nunca se sabe quem é que encontramos por aí.
Carlos – Eheh!
Sofia – Tu tens por hábito escrever?
Carlos – Sim…é um escape.
Sofia – Eu também escrevo…mas muito pouco…é mais falar.
Carlos – Pois, já reparei. Eheh.
Sofia – Eheh…pois.
Carlos – Então e qual é a tua temática, se é que tens temática?
Sofia – Escrevo de tudo um pouco…ultimamente é verso mais sobre o “Não és tu, sou eu!”
Carlos – Ai tu és dessas?
Sofia – Dessas?
Carlos – Sim, do “Não és tu, sou eu!”…muito…”Were Do We Go Now, But Nowhere?”
Sofia – E tu és…”People Ain’t No Good” é?
Carlos – Eheh…Nick Cave…muito bem…estou a gostar de ver! Eheh.
Sofia – Para um Nick outro Nick! Eheh Mas estás a gostar de ler, ver ou ouvir?
Carlos – Não sei…em que fase é que estamos?
Sofia – Estamos na fase do “(Are You) The One That I’ve Been Waiting For?”
Carlos – “We will know…won’t we?”

Aquela tarde parecia ter durado anos, no entanto passou em segundos.
Encontravam-se esporadicamente no mesmo café, sempre sem combinarem nada.

Mas o Fim já o tinha vindo visitar há muito tempo, como já o tinha feito muitas vezes, só que desta vez ele não se tinha apercebido. Tudo começou a tornar-se estranho. Tudo começou a perder o rumo. Era umas atrás de outras, sem que ele percebesse como travar aquele sentimento, sem que ele percebesse como é que podia estar a correr tudo tão mal. Parecia impossível correr pior, o que tinha de correr mal, acontecia sempre…e ele cada vez mais entregue a um sentimento que não consegui controlar.

Ele acreditava que tudo tinha um propósito – Mas se isto é o fim, qual então o propósito disto tudo? – dizia ele. Já nada lhe fazia sentido….deixou-se levar pela maré, deixou-se levar para fora de pé...e agora com o primeiro arrepio de frio apercebeu-se de quão longe estava da costa.

Finalmente…com a chegada do solstício compreendeu que existem coisas que têm como destino apenas o seu fim.

Sofia – Olá.
Carlos – Olá
Sofia – Estou para te telefonar há já um tempo...
Carlos – Então? Que se passa?
Sofia – Precisamos de falar.
Carlos – Aí vem o “Não és tu, sou eu!”…esperava algo mais original vindo de ti.
Sofia – Pois…mas a realidade é essa…não tem nada a ver contigo e para agravar a coisa interessei-me por outra pessoa…desculpa.
Carlos – …
Sofia – Estás triste, não é?
Carlos – Não…estava a pensar que agora temos de seguir os nossos caminhos...separadamente.
Sofia – É que...perdi o interesse...desculpa.
Carlos – Bom, deixemo-nos de mais conversas…temos que fazer o que é preciso…não é?
Sofia – Sim...
Carlos – Então...adeus, Sofia.

Assim, com a simplicidade com que se conheceram…tudo acabou.

Tão simples.

Quarta-feira, Janeiro 24, 2007

Eterno

Hoje acordei com a seguinte mensagem..."(...)o António já não se encontra entre nós(...)". Conheci-te pouco, mas mesmo assim...cai por terra. Tudo se desmorona à minha volta. Lembrei-me do Regi...senti tanta raiva. Agora tu telefonas-me e dizes que a Alice está mal? Que está internada, que a quimio já não faz nada...que ela já não vos reconhece...que estão apenas à espera que ela...

Não consigo escrever...por muito que tenha dentro de mim para deitar cá para fora. Já escrevi e reescrevi este post 10 vezes...todas as palavras são poucas...nenhuma faz sentido. Tenho tanta vontade de chorar. Quero deitar tudo cá para fora...não consigo.

Terça-feira, Janeiro 23, 2007

Blinking

Filipe – Chorámos e do que nos valeu a pena?
Ana – Lavámos a alma.
Filipe – Sim, lavámos… mas porque é que não me sinto melhor?
Ana – Pois...para te ser honesta não te sei responder...ainda gostas dela não é?
Filipe – Sim, mas do que vale isso...
Ana – Isso vale o mundo
Filipe – ...quando já não se é correspondido?
Ana – Importaste de parar com isso?
Filipe – Parar de gostar?
Ana – Tu percebeste, não és parvo nenhum.
Filipe – Já nada interessa...
Ana – Desde quando é que passaste a ser um negativista? Deixa de ser pateta.
Filipe – Ser pateta não é o estado natural de quem está apaixonado? De quem sofre?
Ana – Ai que eu sou tão dramático!
Filipe – …sofre sem razão...sofre a pobre alma...
Ana – Estás na fase da descoberta do amor...da surpresa...
Filipe – Já não quero descobrir nada.
Ana – Está calado...chegaste a mostrar-lhe o teu lado inteligente, o teu lado meigo, todos aqueles lados que eu conheço ou mantiveste-te sempre na paródia?
Filipe – Não quero descobrir nada e odeio surpresas, aliás a última vez que tive uma surpresa já nem me lembro...
Ana – Lembras sim...lembras-te quando te dei aquela agenda para arranjares tempo para mim?
Filipe – Tens razão...foi isso e um DVD, não foi?
Ana – Sim...estás a ver, afinal a tua memória não é assim tão curta.
Filipe – Cala-te e abraça-me
...
Filipe – Voltas amanhã?
Ana – Estarei aqui sempre que precisares de mim. Estarei sempre contigo. Estas no meu pensamento sempre...assim como no meu coração. Mesmo quando não consigas encaixar-me na tua vida
Filipe – Não sejas assim...
Ana – Filipe, eu não te levo a mal, nem nada que se pareça. Tu fizeste as tuas escolhas...não faço juízos de valor...por muito que passes na tua vida lembra-te sempre de mim é só lembrares-te de mim e eu virei a correr.
Filipe – Porque és assim para mim?
Ana – ...serei sempre...enquanto tu me deixares ser assim contigo.
Filipe – Palerma
Ana – Pateta
Filipe – Senti a tua falta…porque nos afastámos?
Ana – Algures no tempo separámo-nos e não me lembro muito bem porque...acho que apenas não estávamos em sintonia.
Filipe – Eu lembro-me...foste tu que deixaste de gostar de mim...
Ana – Não me faças rir...quem é que te disse que eu alguma vez gostei?
Filipe – Estúpida! Eheh.
Ana – Estavas a espera do que? Para uma pergunta idiota uma resposta completamente idiota!
(Ana deita-lhe a língua de fora)
(Filipe responde deitando-lhe também a língua de fora)
Filipe – Não sei como é que ainda gosto de ti...
Ana – Sabes que mais...
Filipe – Diz.
Ana – Podes te apaixonar 100.000 vezes...podes até encontrar a mulher da tua vida...que eu nunca terei ciúmes...eu sei que tenho um lugar no teu coração.
Filipe – Isso é muita presunção, não?
Ana – É, mas eu gosto de ser assim...parva como tu.
Filipe – Palerma...tu sabes que estarás sempre em mim.
Ana – Eu sei...mas agora...vou embora.
Filipe – Espera…não vás já!
Ana – Tenho de ir, ou pensavas que ia ficar aqui a adorar-te?
Filipe – Então aquele discurso do “és tudo para mim, o sol da minha existência” era tudo tanga? Ehehe.
Ana – És mesmo um parvinho...hei-de te amar sempre.
Filipe – Parva.
Ana – …eu também gosto de ti, Filipe.
Filipe – ...olha...
Ana – Diz.
Filipe – É que…queria-te dizer que...bom, por tu teres vindo ter comigo...queria-te...bom...por tudo o que fizeste por mim...
Ana – Querias agradecer-me, é isso? Sabes que não é preciso...
Filipe – Obrigado Mãe.

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

Minuto

Chego.
Sozinho. As paredes fecham-se. Não consigo respirar. Leio um livro. Escrevo uma peça. Abro uma garrafa. Bebo um copo. Desenho um rosto. Leio um livro. As paredes apertam cada vez mais. Não consigo respirar.
Saio.

Olho o horizonte. Respiro. Atiro-me ao mar. Frio. Loucura. Calor. Carro.

Chego. Não consigo respirar. Saio.

Minuto. Respiro.

Chego. Pinto um quadro. Arrumo a casa. Abro uma garrafa. Bebo um copo. Música. Abro a porta. Conversamos. Rimos. Escrevemos. Rimos. Bebemos. Discutimos. Bebemos. Saímos. Fecho a porta.

Agrupámos. Jantámos. Bebemos. Conversámos. Bebemos. Conversámos. Caímos. Rimos. Vivemos. Criámos. Vivemos. Respirámos.

Chego. Sozinho. As paredes fecham-se.

Terça-feira, Janeiro 16, 2007

Blank Page

Blank page is all the rage
Never meant to say anything
In bed I was half dead
Tired of dreaming of rest
Got dressed drove the state line
Looking for you at the five and dime
Stop sign told me stay at home
Told me you were not alone
Blank page was all the rage
Never meant to hurt anyone
In bed I was half dead
Tired of dreaming of rest
You haven't changed
You're still the same
May you rise as you fall
You were easy you are forgotten
You are the ways of my mistakes
I catch the rainfall
Through the leaking roof
That you had left behind
You remind me
Of that leak in my soul
The rain falls
My friends call
Leaking rain on the phone
Take a day plant some trees

May they shade you from me
May your children play beneath
Blank page was all the rage

Never meant to say anything
In bed I was half dead
Tired of dreaming of rest
Got dressed drove the state line
Looking for you at the five and dime
But there I was picking pieces up
You are a ghost
Of my indecision

Smashing Pumpkins - Blank Page

Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

Japanese Story

O que é que receias? Porque te sentes tão irritado? Merecias melhor? Não te consegues libertar dessa dor? Não, não me digas que te vais sentir assim para sempre...era bom...mas nada é eterno...lamento desiludir-te, meu amigo!
Entristece-me saber que não te posso ajudar! Posso-te dar tudo o que eu tenho...mesmo assim...em nada serviria quando tu mesmo queres estar assim. Queres te sentir mal? Queres ficar aí sozinho a sofrer? Deixa de ser egoísta, deixa-te desses sentimentos estúpidamente masoquistas. Importaste-te de partilhar essa dor? Dá-me...dá-me por agora o que tiver a transbordar...eu ajudo-te a retirares o que ainda tiveres aí dentro. Quantas vezes estiveste aqui para mim? Precisas de sofrer tudo sozinho...?
Para aonde é que queres que te leve para te sentires melhor? Diz-me um sitio. Diz-me...
...
Foi sentado nesta "cave"rna, a abrir uma garrafa de vinho...que me lembrei"...vasculhei os caixotes á procura do CD...e lá estava ele..."take a bottle drink it down, pass it around". Este copo é à tua, my friend...e tens razão, como é que podes sentir isto tudo e beber "one alcohol free drink".
Isso da irritação geral porque o universo está contra ti, é tudo tanga! O universo está contra todos nós!
Here's to you, my friend...

Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

Crash Test Dummy

A chegar a casa...eu e a Fiona. Ela cantava o "Across The Universe" e eu vinha a ouvi-la como faço centenas de vezes. Lembro-me ainda de ouvir "...Jai Guru Deva, Om..." e de seguida o barulho do metal a roçar...aquele som estridente em câmara lenta...os vidros voavam...o cheio a pólvora queimada...olho à minha volta...lembro-me de ti...afinal tudo pode acabar a qualquer segundo, lembro-me de ti...como se tivesses colada na minha mente...lembro-me que posso não te ver mais...
Podia ter ficado já ali...e sem ter a hipótese de te dizer tudo o que ainda não surgiu...e foi tudo tão rápido. É tudo tão rápido. O impacto levou-me para fora...levou-me embora...levou-me.
Ir...sem pensar...
Nunca mais pensar...nunca mais pensar no que pode acontecer...apenas apreciar...apreciar cada segundo, cada único segundo como se fosse o último...como se fosse não houvesse mais segundos.
No segundo seguinte não existe...o segundo seguinte é o fim...
Aproveitar tudo, respirar tudo, viver tudo...sempre tudo com todo o meu ser.
Colocar os níveis de adrenalina lá em cima, no limite, sem medo...apenas aproveitar, aproveitar tudo...tudo.
Inspiro...
Embora lá, estou pronto.

Sexta-feira, Dezembro 22, 2006

Post nº. 100

100 nada.
100 mil mudanças.
100 mil sentimentos.
100 querer.
100 saber...que fazer.
100 saber...
100 te ver.
100 sentir.
100 forças.
100 mágoa.
...
100 nada.

Quarta-feira, Dezembro 20, 2006

D. Juan

O Miguel numa das suas novas conquistas tinha deixado mais uma vez o passado apanha-lo, por muitos avisos que o Filipe lhe tinha feito relativamente ao facto de ter cuidado com os sentimentos, ele estava de novo apaixonado.

Tudo se tinha passado quando tinha passado umas noites na companhia de uma colega, ela como todos os desafios do Miguel era um amor impossível, gira, inteligente, pronta para se casar dentro de breves meses, nada disso o demoveu, pelo contrário tinha-lhe aguçado mais o cheiro pela caça. Mais uma conquista? Neste caso era diferente pois ela era casada e ele sabia que se iria arrepender mais tarde, mas mais uma vez o prazer da caça fala mais forte, o sentido de perigo. O que é que pode correr mal? – Exclamava ele muitas vezes. O prazer de caçar pela caça cegava-o. Deixava-se arrastar atrás de efémeras conquistas, não matando a caça, deixavas semimortas, prontas para que bastasse um pequeno toque e se desmanchassem nos seus braços. Mas este golpe de misericórdia nunca vinha, dava-lhe mais prazer não as deixar completamente satisfeitas deixando sempre algo para o dia seguinte.

O movimento da cara da Ana deslocava-se para os lábios do Miguel, ele deixava-a aproximar-se o suficiente até ela ter a certeza que o beijo era certo, e quando ele sentisse que o beijo era mais que certo então retraía-se para trás deixando-a mais louca pelo sabor dos seus lábios.

Foram tantas a vezes que ele puxava-a no elevador apenas para sentir o corpo dela pressionado no seu e sentir o toque das suas mãos percorrer as costas e o cheiro dela vindo de todo lado assim que ela vinha até ele como se fosse uma lufada vinda do paraíso, assim que ele punha a mão na sua cintura a Ana era como que atraída para dentro da armadilha – Porque me fazes isto? – Dizia ela.
– Não gostas?
– Gosto mas quero mais!
– Mas não podemos e tu sabes isso! – Dizia ele com o seu ar trocista.

Numa destas incursões, o movimento foi mais lento mas foi parado uns segundos pela Ana que se manteve com a face encostada a dele, ele instintivamente passa levemente com o rosto no rosto dela como que a convidá-la a virar o rosto, e é aí que acontece o inesperado... os lábios tocam-se, sentido o calor da paixão a incorrer pelo corpo como se fosse um fogo, como se estivessem a ser queimados e a combustão estivesse no seu máximo.
E numa fracção de segundo separam-se quando o elevador chega ao rés-do-chão, saem do elevador como que se não se tivesse passado nada, apenas corados pela emoção.

Diz qualquer coisa – dizia o Miguel.
A única coisa que vinha á mente da Ana tinha sido o paladar e o sentimento de pressão dos lábios dele – Que queres que te diga? Tenho as pernas a tremer!
Agora que a caça estava pronta para o seu golpe de misericórdia, o Miguel teve um ataque de consciência, algo que ele acha inadmissível, – Pode ser que ela seja a tal? Sinto-me diferente! – Questionava-se pela surpresa do beijo. Nunca antes ele tinha sido beijado assim com tanto ardor, a mistura do cheiro do perfume dela tinha trespassado todo o ar e tinha se vindo alojar na roupa e na pele dele, ele sinta-se diferente, já não era o invencível quebra corações, sentiu pela primeira vez o sentimento de perda, sentiu que podia perde-la.

Tentou no caminho para casa rever aquele momento vezes sem conta, o toque, o cheiro, a pressão do corpo dela no dele, mas não parecia o mesmo e ele sentia necessidade de reviver novamente aquele momento, queria mais uma vez, pelo menos mais uma vez saciar aquele desejo, – Nem que seja a ultima vez! – Compenetrando-se mais uma vez na busca do plano ideal para a armadilha perfeita.

Reviu mais umas vezes as mulheres que teve na busca das frases perfeitas para os momentos certos. Ele tinha sido um iluminado na maneira de ler a linguagem corporal e verbal da Mulher, nunca tinha tido problemas, ele sabia exactamente o que dizer na altura certa e sabia exactamente cada categoria de mulher, ele definia-as por categorias e pela sua experiência cada categoria tinha comportamentos idênticos e gostavam de certas formas de falar variam sempre alguns aspectos que ele gostava de improvisar para que se funcionassem seriam utilizadas para as caçadas seguintes. Tínhamos a categoria das Caladinhas – Estas gostavam de romance, normalmente eram as que procuravam o príncipe encantado a cavalo do seu corcel branco. As extrovertidas que gostavam de homem bem disposto com um sentido de humor aguçado, mas que não lhes ligassem nenhuma. A categoria das Malucas, que gostavam que lhes fossem frontais, nesta categoria não havia romance, havia apenas atracção, a utilização dos corpos para um único propósito, sexo.

Todas elas gostavam de sentir que eram o centro das atenções, todas elas precisavam de algo que já poucos fazem...ouvir.

Até um determinada idade o Filipe tinha lhe dito que – Se não têm namorado ou têm um problema ou tiveram um problema, porque se são tão especiais porque é que não têm ninguém? – O Filipe era sempre a voz da razão nestes casos.
- Mas olha lá, vais sempre em busca desse tipo de mulheres porquê?
- Qual tipo?
- Do tipo carente. Se elas são como tu dizes devem ter um problema qualquer, quer dizer ninguém é assim, elas não vêm que existe um mundo cá fora?
- Acho que o que eu tento fazer é que dar-lhes a atenção que elas querem, ou seja, estou-lhe a prestar um serviço. Elas necessitam que alguém as oiça e as faça sentir bem, e é isso que eu faço, não tenho a culpa que elas se apaixonem
- Não vês que ai é que está o problema? Elas apaixonam-se porque nunca ninguém lhes deu atenção, e depois apareces tu que as tratas como se fossem umas princesas quer sejam bonitas ou feias, gordas ou magras e não queres que elas se apaixonem?
- Mas custa-me vê-las assim, metidas a um canto, sem ninguém para lhes encher o ego, porque por mim por muito feias que sejam também têm o direito que alguém lhes diga que são bonitas.
- Sim, concordo contigo, mas tu estás a iludi-las com os teus sentimentos, os teus sentimentos não são reais, é apenas um representação daquilo que elas estão á espera que tu sejas.
- E? Não as faço felizes?
- Fazes...por um breves momentos, mas assim que elas querem mais tu cortas.
- Mas eu faço apenas até elas sentirem a confiança suficiente para se atirarem a uma relação sem se preocuparem se são bonitas ou feias.
- Pois, mas tens um problema é que a relação que elas querem é contigo. E o que é que tu fazes? Manda-as novamente para a valeta. Tiras novamente a pouca confiança que elas tinham no sexo masculino.
- Achas? Claro que não, eu saio sempre antes desse estado...
- Pois nota-se.

O Filipe mais uma vez tinha sido desagradável, mas como sempre ele tinha razão todas as relações do Miguel tinham acabado sempre assim, com elas a sentirem-se que os homens não valiam de nada, apesar de ter havido poucos casos em que isso não aconteceu o Miguel dizia sempre que era por falta de inteligência delas.

- Mas é crime explorar os sentimentos de uma pessoa que sempre os teve mas que nunca teve coragem de os utilizar? É claro que a paixão dói, mas não é também a palavra paixão o sinónimo para sofrimento…não dói tudo nesta vida? Até a beleza de um nascimento é feito de sofrimento. O Miguel adorava estes clichés.
- Mas consegues sentir-te bem quando as vês a chorar por ti?
- Não, não sou nenhuma máquina em que consigo desligar os meus sentimentos e emoções, por muito que treine não o consigo fazer. Mas como é que elas podem treinar a paixão se nunca ninguém lhes fez sentir bem?
- Talvez fosse melhor elas nunca terem sentido...
- Achas? Eu preferia mil vezes magoar-me de paixões a nunca ter experimentado uma única paixão da minha vida.

Quarta-feira, Dezembro 13, 2006

Tonight

Agora para onde vamos? Que percurso tomar? Sigo a lua ou deixo-a desaparecer para no romper do dia cegar-me pelo sol? Oiço os anjos na praia ou mergulho até ás profundezas em busca das sereias? E se demorares a aparecer o que é eu faço no entretanto? Jogo ás cartas para fazer tempo? Coloco a minha alma nas mãos e solto-a no mar? E se tu nunca mais apareceres? Deixo-me ficar em casa com um copo de vinho e a olhar para o relógio? Leio um livro enquanto oiço uma música? E se tu nunca apareceres? E se tu não existires? Não seria mais divertido assim? Não seria melhor saber que não existias? Poupavas-me a espera…

Mas existes e ali estás tu…ali estás tu…
Eu ao piano…tu sentada no sofá a olhar para mim.
A cada nota um sorriso…
Vens te sentar ao meu lado...a cabeça no meu ombro…e dizes - “Let’s Go Out Tonight”.

Craig Armstrong (feat. Paul Buchanan) - Let's Go Out Tonight
Where the cars go by,
All the day and night,
Why don't you say,
What's so wrong tonight?
Pray for me,
Praying for the light,
Baby baby,
Let's go out tonight.
Where the lights all shine,
Like I knew they would,
Be mine all mine,
Baby I'll be good.
Pray for me,
Praying for the light,
Baby baby,
Let's go out tonight.
I know a place,
Where everything's alright,
Alright,
Let's go out tonight.
Where the cars go by,
All the day and night,
Why don't you say,
What's so wrong tonight.
I pray for love,
Coming out alright, yeah,
Oh baby baby,
Let's go out tonight, yeah.
Baby baby,
Let's go out tonight,
Let's go out tonight.
Tonight, Tonight,
Let's go out tonight,
Yeah,
Where the cars go by,
Where the lights won't shine,
...,
Tonight.

Sábado, Dezembro 09, 2006

Onda

“Não tens medo daquelas ondas grandes?” – perguntou ele.
Vi a cara dele a olhar para o mar…estava receoso por mim. “Não te importas de guardar-me as chaves do carro?” – disse-lhe. Já o tinha visto várias vezes na praia, muitas vezes sentado na areia a olhar para o mar enquanto nos dirigíamos para a água. O miúdo tinha razão e as ondas não estavam para as brincadeiras do costume. O passar da rebentação era algo quase impossível senão fosse os locais a indicar-nos quais as correntes que no levavam para fora.
Sentados fora da rebentação, esperávamos o nosso set…
Em poucos segundos o Gonçalo deita-se e grita eufórico “Esta é minha!”. O ar de miúdo que ele fez só me dava vontade de rir. Do lado de fora só ouvia os gritos eufóricos dele enquanto rasgava aquelas paredes. Lá ao fundo o pequeno miúdo observa-nos. Passava horas a observar-nos.

Eu e o Gonçalo sentíamos uma agradável empatia por aquele miúdo. Era filho de pescadores, viveu sempre com aquele mar em frente a casa. Já com o Gonçalo ao meu lado debatíamos as questões filosóficas da vida sentados naquelas frágeis pranchas. Falávamos de como seria a vida daquele miúdo, porque passaria tanto tempo ali a olhar para nós. Era como se fosse um anjo a guardar dois malucos.

Veio a minha primeira onda do dia, era um pequeno monstro a formar-se nas minhas costas…quando o miúdo grita da praia - “Cuidado!”. Naquele mesmo momento levo com a onda em cima…teve uma formação demasiado rápida no final e eu sem contar… submergi…rebolei…queria respirar mas não conseguia…tentava subir mas a força empurrava-me para baixo, por cada tentativa de subida o mar como que a brincar empurrava-me cada vez mais fundo.

E lá em baixo, lembro-me de ter sonhado contigo, lembro-me de pensar “Agora é que já foste!”, lembro-me do grito, lembro-me das brincadeiras de criança, lembro-me das minhas aventuras da secundária, lembro-me do meu primeiro emprego, lembro-me do meu primeiro beijo…e acordei.
Levanto a cabeça e vejo o miúdo e o Gonçalo ao meu lado sentados na praia, com as mãos a suportarem a cabeça, tento emitir um som mas parece que não sai nada e lembro-me que devo ter andado engolir pirolitos e por isso não me conseguem ouvir...a minha mão consegue chegar ao ombro do Gonçalo.
Ele levanta a cabeça com as lágrimas ainda nos olho e diz..."Adeus".

Terça-feira, Dezembro 05, 2006

Eu já não sei o que é sentir...

Chovia torrencialmente. Eu corria para me abrigar. Apanhei um toldo recolhi-me e é quando te vejo, logo ali, naquele passeio que eu tantas vezes caminhei. Estavas tu ali, a olhar para mim, não sei se estarias à muito tempo ali…sentada num degrau de uma porta, não tinhas uma única ponta de roupa seca!
Tu olhaste para mim. Sorriso triste, com de que está resignada. Tirei o meu sobretudo e meti-o à volta dos teus ombros e tu com esses olhos de quem me reconhece…olhaste-me...com esses olhos...essa alma.
As lágrimas caiam-te enquando repetiste a letra da musica - “Obrigado por saberes cuidar de mim…tratar de mim...olhar para mim…e se ao menos tudo fosse igual a ti.”
Tu olhaste para mim…

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

Regresso a casa.

O miúdo chegou-se à frente da lareira e com uma calma perfeita, afastou o tronco e meteu a mão para tirar o carrinho de madeira que o pai, mais uma vez, tinha atirado lá para dentro. Era mais um dia em que ele tinha bebido, nestes dias tudo poderia acontecer, não que ele se espantasse com o comportamento do pai, já se tinha tornado um hábito…um horrível hábito. Enquanto o pai e a mãe gritavam na cozinha ele ficava no quarto sentado à porta com a luz apagada, de headphones nos ouvidos voava até outros sítios.
O pai depois de se sentir realizado ao destruir a mãe virava-se para o miúdo. Era sempre o pior cenário, o miúdo sem forças não conseguia resistir. Com aquele andar pesado do álcool, vinha sempre com um motivo, as notas da escola ou o trabalho de casa mal feito, tudo servia para lhe enfiar a mão na cara. O miúdo aceitava-o como se fosse uma dádiva, ele sabia que não adiantava resistir. À medida que os gestos violentos do pai se adensavam, ele isolava-se no seu pensamento, voava para longe, para sítios onde tudo era como nos filmes, onde o sol radiava, onde o vento ao passar pelas copas das árvores era música para os ouvidos.

Abraçado à mãe no chão da cozinha, consolava-a. Sem palavras ficavam os dois sentados na cozinha enquanto o pai saia pela porta para mais uma ida à tasca.
As piores feridas nem eram as físicas, havia uma que vinha de dentro que corroía todo e qualquer sentimento de amor por aquele que se dizia seu pai.

Os anos passaram. O miúdo tornou-se pai.
Numa ida até à creche do filho, assistiu algo que lhe trouxe novamente todas as memórias que ele pensava enterradas. Um pai aos gritos com o filho, a mãe ao lado a tentar acalma-lo e ele sem ouvir nada batia violentamente no pequeno porque este tinha rasgado as calças nos joelhos enquanto brincava no recreio.
Ao ver todo aquele cenário, não se consegui controlar e foi ter com o homem. O homem ia levantar mais uma vez a mão ao filho quando esta é agarrada…o homem ainda levantou a cara para ver quem é que tinha tido a ousadia de lhe agarrar na mão e é então que cai redondo no chão. De repente tudo era silêncio.
Silêncio. Novamente o silêncio. O silêncio de quem sofreu sem poder gritar.
Silêncio...o silêncio que o empurrava para a memória daquele tempo em que queria gritar, o silêncio que o empurrava para aquele tempo...aquele tempo...aquele tempo em que se punha à frente do pai para que ele não se aproxima-se da mãe.
Aquele silêncio estava de volta.
Nunca mais silêncio...nunca mais nenhum silêncio, nunca mais passivo observador, nunca mais passivo sofredor...nunca.
Nunca mais.

Sábado, Dezembro 02, 2006

Hades

Por muito que escreva, nunca se espera que a escrita se torna realidade. Quando meses antes se escreve, cria-se e inventa-se e depois...as palavras são assustadoramente iguais e tu pensas "Nã! Não pode ser, devo de estar a sonhar". Quando criamos e pomos nem que seja uma gota de sentimento naquelas frases, nem que seja uma lágrima a esborratar as linhas tortas de tantos textos escondidos...e depois? Depois, essas mesmas linhas tortas materializam-se, como que por magia...e todos aqueles bons momentos acontecem sem serem planeados e é então que somos transportados pelas sinuosas avenidas dos sentimentos sem que saibamos como é que lá fomos parar.
Somos apanhados de surpresa por um "quaisquer" momento.
...
Ela - Quaisquer?
Ele - Tu estavas-me a ouvir? Sim, quaisquer....vem do latim "Quaisquerum"...é muito erudito, não é?
Ela - Eheh, estás aqui estás a dizer "Hades cá vir, hades!"
Ele - Não exageremos, não trato assim tão mal o português....
Ela - Pois, pois...ehehe
Ele - És mesmo tótó, vindo de quem diz "Hoje as jaulas correram bem"....eheheh
Ela - Queres apanhar? Isso é a minha pronuncia, pá! eheh
Ele - Eu sei, mas não posso perder estes pequenos momentos para me meter contigo.
Ela - És mesmo um estafermo, sabias?
Ele - Sabia, mas só em dias pares e depois das 18H, até lá sou meramente palerma! Ehehehe
Ela - Eheh! Importaste de falar a sério durante 2 minutos?
Ele - Ok. Do que é que queres conversar?
Ela - Não sei...o que é que achaste do jantar?
Ele - Hummm....nada de jeito! Eheheh.
Ela - Pronto, já cá faltava. Eheheh.
Ele - Olha vou pôr aqui uma musica castiça.
Ela - ...tou para ver isso.
Ele - Espera...pronto já está.
Ela - O que é isto?
Ele - Chama-se música e escuta-se com a cabeça entre as orelhas...eheheh...é giro tem um je ne sais quoi.
Ela - Quoi quoi? Eheh.
Ele - Importaste de parar de sorrir, é que estás-me a atrapalhar o racionio.
Ela - Eheh...vou tentar, mas não prometo nada.
Ele - Hades ver que esta música é muita fixe...especialmente para quem já está deitado. Eheh
Ela - Hades? Mas tu não tiveste aulas de português quando eras pequeno?
Ele - Eu? Eu nunca fui pequeno...eu já nasci assim. Nem imaginas as dores de parto que a minha mãe teve...coitadita! Ehehe.
Ela - Tens consciência que é impossível dialogar contigo, não tens?
Ele - Podes sempre não dizer nada e passar a ser monólogo!
Ela - Olha que eu sou muita forte, vê lá se queres apanhar um murro nos queixos?! Eheh
Ele - Eheh...ai tu, pá...
Ela - O que foi? Estás-me a olhar com aquele olhar pensativo...estás-me a assustar.
Ele - Estava apenas a ...
Ela - A quê?
Ele - Xii...se eu fosse dizer...ia estar a estragar este momento e apetece-me...e apetece-me aproveitar só mais uns segundos como estamos agora...não digas nada...deixa-te estar só assim abraçada a mim...deixa-me só sentir que...que não estou a sonhar.
Ela - ...
Ele - ...

Os bons momentos da vida não se explicam. Vivem-se. Vivem-se em cada segundo, em cada fracção de segundo. Absorve-se todos os pequenos pormenores, todos os gestos simples...todos os sorrisos, todas as lágrimas de alegria e é então que esquecemos tudo...esquecemos até que vai haver um amanhã...um amanhã diferente...um amanhã...um amanhã com a esperança que se seja igual a hoje.

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

Puff

Puff.
Assim como a brisa sopra naquele segundo na cara, foi como eu passei por ti, reparaste que tinha passado, mas lá fui eu…brisa. Fragmento. Pedaço de existência a sobrevoar os céus.
A ausência das tuas palavras, tornando ainda pior a resistência de ver as tuas expressões.
Trouxe-me alegria esse sorriso, trouxe esse ópio da alegria. Essa alegria que me torna diferente daquilo que fui, diferente daquilo que sou. Diferente de todas as outras folhas verdes com a frescura das matinas. Diferente de todos os fogos vivos, ardentes paixões que nos levam à esperança da…quem sabe, felicidade. Diferente na diferença.
Dito por quem apenas sabe que quer ser feliz. Dito por quem procura em todos os cantos Vida. Quem diz Vida diz alguém que nos mostre Vida. Não uma vida qualquer, mas uma vida simples, em que se possa olhar para o lado e dizer que a felicidade está nos momentos em que sorrimos juntos. La Dolce. Observo a essência escondida no teu sorriso perfeito…a essência solta transportando o brilho dos teus olhos.

Puff.
Assim como uma tempestade tropical, passaste…passaste e deixaste os destroços para trás. Como fogo arrastaste florestas.
Mas a presença das tuas palavras, tornam-me surdo para o mundo. É como sou que me torna assim, ensinaste-me a complexa simplicidade da beleza.

Terça-feira, Outubro 24, 2006

Poupança

Há erros que nunca se deveriam de cometer. Devíamos poder voltar atrás.
Eu sempre fui apologista do “se voltasse atrás voltaria a fazer tudo igual”…hoje não me sinto assim. Sinto que passei várias fronteiras que preferia nunca ter feito. Abdiquei de sentimentos pelos quais nunca mais os vou votar a sentir com dantes.
Como foi que mudei tanto? Sinto-me fora do percurso…fora da rota que tinha traçado…
Trabalhei tanto para me tornar no que sou e agora…agora já nada me interessa, já nada me atrai…tudo desaparece como fumaça, como quem dá um bafo, trava e sente o tabaco e quando o solta desaparece rapidamente…mas o cheiro fica impregnado na roupa, nos moveis, em todo o lado para nos fazer lembrar o que já fomos…o que éramos…mas e agora? Agora para onde vamos? Que percurso tomar? Sigo a lua ou deixo-a desaparecer para no romper do dia cegar-me pelo sol? Oiço os anjos na praia ou mergulho até ás profundezas em busca das sereias? E se demorares a aparecer o que é eu faço no entretanto? Jogo ás cartas para fazer tempo? Coloco a minha alma nas mãos e solto-a no mar? E se tu nunca mais apareceres? Deixo-me ficar em casa com o chá e o cobertor a olhar para o relógio? Leio um livro enquanto oiço uma música? E se tu nunca apareceres? E se tu não existires? Não seria mais divertido assim? Não seria melhor saber que não existias? Poupavas-me anos de espera!

Segunda-feira, Outubro 23, 2006

Nuvem

Usas aquele disfarce de vedeta e dizes que vai correr tudo bem!
Dentro do cinismo, vives no teu mundo cor-de-rosa!
Aprendeste o significado da vida?
Aprendeste o significado da confiança?
Não me mostres esse sorriso de nuvem desfeita pelo vento.
Já podes largar a minha mão...tudo vai ficar ok.
Grita até apagares a noite e o dia.
E o que é que sabes de mim? Não me conheces de lado nenhum.
Pagaste-me um copo e falaste de coisas interessantes. Mas tinhas uma agenda secreta...e o interesse estava camuflado pelas tuas palavras.
Vives de máscara em máscara, até já não saberes quem és, até te perderes nas tuas personagens!
Sabes o que é o significado da vida?
Mostra-me como semeias tempestades.
Mostra-me do que és capaz!
Mostra-te.

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

This Place Is a Prison

This place is a prison
And these people aren't your friends
Inhaling thrills through $20 bills
And the tumblers are drained and then flooded...again
And again

There's guards at the on ramps
Armed to the teeth
And you may case the grounds from the cascades to puget sound,
But you are not permitted to leave

I know there's a big world out there like the one i saw on the screen
In my living room late last night,
It was almost too bright to see

And i know that it's not a party if it happens every night
Pretending there's glamour and candelabra
When you're drinking by candlelight

What does it take to get a drink in this place?
What does it take, how long must i wait?

"Postal Service - This Place is a Prison"

Sexta-feira, Setembro 29, 2006

Back In Rome

Carla – Ouviste bem o que eu te disse?
André – Sim, ouvi…ela é mesmo a minha cara e depois?
Carla – Bem podias deixar de ser bruto, não?
André – Sabes que é a minha defesa…irritar para estar fora do circulo.
Sofia – O que é que vocês estão aí a segredar?
André – Nada, parvoíces da tua amiga.
Sofia – Mas conta lá qual é o tema?
Carla – Estava a aqui a contar, que a Filipa é mesmo a cara dele e o palerma está me a chatear a dizer que sim já sabia assim como tinha “sentido” que não se mete com pessoas mal resolvidas.
Sofia – Uiii…André, tu disseste isso?
André – Claro, o que é que querias que dissesse? Preferias antes que tivesse dito, como dissem os 99% das pessoas “A sério? Achas mesmo isso? E achas que tenho alguma hipótese de ser feliz com ela?”…Oh por favor, poupem-me…
Carla – André, só estava a ver se te ponho feliz de uma vez por todas, ok? Pode ser?
André – Eu feliz? “That will be the first…do I bow or do I curse?”…
Carla – Estás a ver como tu és?!
Sofia – Acho que a Carla tem razão, a Filipa é mesmo a tua cara…tem tudo o que gostas…a Carla sabe dos teus gostos…Não percebo como é que podes ser assim para as pessoas que apenas querem o teu bem…
André – E se eu quiser odiado? E se eu quiser que não gostem de mim? Posso querer isso?
Sofia – Filho, podes querer isso tudo, mas nós gostamos de ti, gostamos de estar contigo. Aliás tu não suportas estar sozinho com os teus pensamentos…
André – Os meus pensamentos são comigo e …
Carla – Sim, sim, já sabemos todos que não temos nada a ver com isso.
André – Isso mesmo, eu sou mesmo o monstro que demonstro…
Sofia – Deixa-te de fitas…todos nós sabemos que esse monstro é apenas tão ilusório que nem tu acreditas nele.
Carla – André…vamos para ali temos de falar os três…
André – Já cá faltava o sentimentalismo…
Carla – Por muito que esse desejo de estar sozinho seja assim tão grande o certo é que tu nunca irás estar sozinho…porque o teu pânico de estar sozinho é tão grande que seja quem for estará sempre na tua vida.
Sofia – Temos uma coisa para te mostrar…abre a mão.
André – O que é?
Carla – Abre a mão!
André – Ok, eu abro a mão.
Carla – Toma! Agora fecha a mão…fecha os olhos e pensa…pensa em tudo o que desejas…
André - …tudo?
Carla – Tudo…digamos que o que tens na mão é algo mágico…uma pedra mágica…algo que te permite voar até aos teus desejos mais especiais…
André – Mas se todos os meus desejos acontecerem…com que ficarei para poder lutar e alcançar?
Sofia – Isso só tu saberás…o que tens na mão é apenas a ferramenta…lembra-te que podes ter o que quiseres…o que quiseres…
André – Então minhas queridas amigas, desta vez as vossas espectativas vão ficar goradas…podem ficar com isto porque não sairá nenhum desejo…
Sofia – Mas nem dinheiro? Nem o Porsche que tanto querias? Nem a….
Carla – …a Filipa?
André – Nada…muito menos ninguém.
Sofia – Mas porque?
André – Quem seria eu…se me entregasse a todos os meus desejos? Não seria mais do que a versão triste deste triste receptáculo! Este invólucro tão perdido, como aquele barco que passa ali ao fundo e que se perde de costa a costa…transporte…mero transporte sem personalidade.
Sofia – Mas podes ter sempre escolher e ficar com a Filipa…
André – Tas a brincar? A Filipa mal me vê, nem mesmo quando passo na rua e lhe dirijo a palavra…ela apenas olha e diz “Ah és tu, o…como é mesmo o teu nome?”, como é que vocês acham que eu me sinto? Sabem o que fiz a partir da segunda vez que ela me disse aquilo? Não? Então eu digo-vos…disse:”O meu nome? Tenho vários…mas nenhum que seja digno de decorar”.
Sofia – Deixa de ser parvo, a verdade é que és muito exigente!
Carla – É isso mesmo!
André – E se for? E se me apetecer querer apenas o melhor para mim? É assim tão estranho querer o melhor para mim? Não me parece!
Sofia – Ninguém diz o contrário…mas já viste o que fazes cada vez que encontras alguém novo? É um rol de defeitos que nunca mais acaba…se veste-se mal é porque se veste mal, se veste-se bem é porque se veste bem…assim não chegamos lá. E agora, aparece-te novamente a Filipa e tu não dizes coisa com coisa…
André – Lembras-te quando ela só vivia na minha imaginação?
Carla – Sim, lembramos.
André – Pois, como é que achas que estou, ao ver que aquilo tudo que imaginei se transformou numa pessoa verdadeira…numa verdadeira pessoa…numa pessoa…numa pessoa que…
Sofia – Apaixonaste-te por uma ilusão…agora a ilusão deixou de ser ilusão e o que vais fazer?
André – Não sei…
Carla – Pegas nas perninhas e vais para Roma.
Sofia – Pira-te…
André – Mas…
Carla – André, estás a perder tempo e Roma não espera por ninguém.

Terça-feira, Setembro 26, 2006

Friday's at Tamariz

A Joana e o Freddy vieram-me buscar.
Lá fui arrastado na sexta para o Tamariz, uma tremenda chuva, o carro embaciado do calor humano á espera que um belo sinal de o encanto de ficar verde...e 4 Horas depois...ainda estavamos á espera no carro cheios de calor...
Uma pit-stop na Barra para apanhar a Tati e zarpar rumo á praia Tamariziana. A noite foi passada com esta bela frase "Se gostas vai em frente e não ligues à boca dos teus amigos"...É tudo malta sem juízo.

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

Moinho

Levaste-me até lá...depois desapareceste por trás das dunas, como a névoa de quem sobe uma serra...mas tu não me viste cair...
Caí pelas escadas de quem obrigatoriamente tem de passar para chegar a um moínho na falésia. Tu agarravas-me na mão, impedindo-me de cair, impedindo que a queda fosse um prenúncio. Eras uma rapariga supersticiosa, daquelas que acredita em maldições, para ela não havia nada mais perfeito do que passearmos na névoa serra acima, entrar naquele mistico, na quimera esotérica.
Conheci-a por acaso, num salão de chá. Um espaço cheio de tias de Cascais, com a mania que são finas, ela estava de corsários...com um ar de quem estava enjoada, algo que não percebi se era do chá se era da companhia, ela levantou-se e...dirigindo-se para a porta olhou para trás...desaparecendo.
Semanas depois fui ver um filme noir, e nada mais negro do que uma sala de cinema sem ninguém, até que...vejo uma única cabeça...no meio da fila...na fila do meio...exactamente no sitio onde eu me costumo sentar sempre, decido que vou-me sentar mesmo ao lado - "Não me interessa que a sala esteja vazia e que pareça mal..." - quando me sento, a pessoa olha para mim de alto a baixo e diz "Tá muito vento aí por esses lados!", ao que eu respondo "Nem imaginas o quanto"...era ela.
O filme acabou. Estava a caminhar ao lado dela a sair do cinema até que ela parou olhou para mim e perguntou "Quem és mesmo tu?", eu sorri e respondi que isso era muito pessoal para uma hora daquelas e tirei uma caneta do casaco e um cartão e comecei a escrever. Eu peguei no cartão e dei-lhe a sorrir...ela com cara de espanto aceitou até que finalmente sorriu...o cartão dizia "Não sei quem és...mas leva-me daqui sem dizeres uma palavra...não quero saber o teu nome. Quero falar das banalidades do mundo profano...quero falar do divino e do profano...quero que me leves...leva-me".

Terça-feira, Agosto 15, 2006

Apareceste

Apareceste a 3 dias de te ires embora, não é justo! Vieste com essa conversa estranha de quem chega e ao mesmo tempo está de saída...prometes saudades...dás-me a perder um dia na promessa de outro...dizes-me que tens sono, como se isso suplantasse a vontade de estarmos juntos...
Não temos muito tempo e 3 dias passam a correr...2 dias...que na realidade se torna apenas num...um único dia...o último dia...
Vou ficar contigo até à 25 hora.
Deixa-me estar...apenas deixa-me estar.

Segunda-feira, Julho 17, 2006

O Mar de Roma

André – Oi
Filipa – Oi
André – Estas boa? Senta-te aí. Tens andado desaparecida.
Filipa – Pois é, tive uns azares...
André – Então?
Filipa – Nada de grave.
André – Mesmo?
Filipa – Sim, mesmo…o que é que queres que te diga?
André – Nada, pronto já cá não está cá quem falou.
Filipa – Pronto, agora amuaste!
André – Achas? Eu nunca amuo.
Filipa – Eheh, sim, sim, nunca…o último nunca por acaso foi a semana passada, ou já não te lembras?
André – Isso não foi um amuo, foi apenas um…
Filipa – Um que?
André – Oh pá, está calada e cala-te…
Filipa – Eheh.
André – Sabes, tive saudades…
Filipa – A sério?
André – Sim, mas nada de especial...
Filipa – Consegues fazer esse papel muito bem, não e?
André – Qual?
Filipa – O do diz que não diz mas deixa o rasto de quem quer dizer mas como não perguntam tu também não revelas.
André – Grande confusão, pá
Filipa – É, n é?
André – Podes crer...
Filipa – Pois...saiu-me! Deve de ser do calor.
André – Ehehehe.
Filipa – Diz lá o que tens a dizer e pára de rodeios
André – Oh pá, assim estás a estragar o momento.
Filipa – Momento? Qual momento? Este momento? Este segundo? Já passou! Espera! O momento voltou a passar! Espera! Ok, passou outra vez!
André – Importas-te de falar a sério por 2 segundos, se faz favor?
Filipa – Vou tentar…mas não prometo nada.
André – Obrigado.
Filipa – De nada, sempre ás ordens…"oh capitain my capitain".
André – Não te fazia apreciadora de bons filmes!
Filipa – Eu sou uma caixinha de surpresas, não sou?
André – Eh, escapas!
Filipa – Escapo? Tu adoras estes pequenos pormenores de cumplicidade, não perdes um ou pensas que não reparei?
André – Deixa-te de palermices!
Filipa – Então e novidades?
André – Nada de especial...
Filipa – Nada de conversas daquelas em que tentas salvar o mundo?
André – As de salvar o mundo, por acaso, não tenho tido ultimamente, mas no outro dia tive uma conversa sobre beleza e...
Filipa – Outravez?
André – Calma, deixa-me falar.
Filipa – Ok.
André – Estava eu a dizer que tive uma conversa sobre o conceito de beleza e continuo a não perceber o comportamento humano no que toca a gostos...será que a tua beleza interior não conta?
Filipa – Sabes que isso é conversa de quem é feio!
André – Tu por acaso estás-me a chamar feio?
Filipa – Por acaso...
André – Desculpa?
Filipa – Eheh, estou a brincar...adoro quando fazes esse ar de sério, mas nunca lidaste bem com criticas, pois nao?
André – Com as criticas lido eu bem...com realidades inalteráveis é que nem por isso! Olha, tenho o mesmo motivo que muitas pessoas…sabes, aquelas que não olham as pessoas nos olhos.
Filipa – Pois é...sabes que são o espelho da alma?
André – Por isso mesmo! Os olhos nos olhos revelam-te, mostram teus os medos, as tuas angustias, os teus desejos...o teu verdadeiro ser...a tua essência
Filipa – Bolas que hoje estás profundo.
André – Se calhar também deve de ser do calor.
Filipa - Ehehe.
André – Olha, para onde queres ir?
Filipa – A qualquer lado, detesto decidir...vá, surpreende-me!
André – Pensei que não gostavas de surpresas?
Filipa – Para ti abro uma excepção, eheh.
André – Isso é amor ou é Impulse?
Filipa – Não me fales de amor que me dá já aqui uma dor de barriga.
André – Sua...sensível!
Filipa – Com muito gosto
André – Podíamos ir dar uma volta um qualquer sitio mágico, que me dizes?
Filipa – Essa é a dica para tu me dizeres que contigo todos os sítios são mágicos?
André – Não, nada disso...eu já sei que tu achas que são, por isso escuso de estar a pedir-te para dizeres, eheh.
Filipa – Mas vá, decide-te que eu estou a ficar impaciente.
André – Ok, já sei onde vamos.
Filipa – Então vá, tu conduzes.
André – Entra para o carro e cala-te.
Filipa – Olha lá, que CD’s é que tens aqui?
André – Procura aí no porta-luvas!
Filipa – Ah, já vi! Gotan Project…Massive…Strokes…Zero7…Bliss…! O que é que queres ouvir?
André – Não sei, escolhe tu!
Filipa – Humm, ora vejamos…é de noite por isso, algo nocturno, não muito romântico, calmo, intenso…hummm…pode ser Cat Power?
André – Sim, vá, pode ser!
Filipa – Para onde me estás a levar?
André – Já te disse, para um sitio mágico!
Filipa – Não te fazia mágico!
André – É verdade! Mas só sou nas horas vagas, quando não estou a pensar em ti!
Filipa – Eheh, eu sei.
André – Ai sabes? E achas isso bem?
Filipa – Humm…por acaso acho…hehe.
André – Engraçadinha.
Filipa – Estúpido! Muito gostas tu de brincar comigo.
André – É! Fazes-me sentir bem, é divertido, sinto-me…vivo.
Filipa – Isso é bom saber!
André – Acho que já sabes é demais…
Filipa – Talvez. Eheh.
André – Parva! Vá, já chegámos, salta mas é do carro.
Filipa – Ehehe…muito tu gostas deste sitio! É a primeira vez que venho aqui contigo, mas já senti vontade de te convidar, tu estás sempre a falar nisto.
André – O que queres…aqui sinto-me em casa!
Filipa – Mas olha, isto está fechado!
André – Não há problema, eu conheço um túnel que vai dar lá dentro.
Filipa – Como é que sabes estas coisas?
André – Uiii, eu sei muitas coisas…ehehe.
Filipa – Convencido!
André – Eheh.
Filipa – Olha lá, não me vais raptar, pois não?
André – Vou! O túnel é uma entrada de um sentido apenas para o Tibete, quando lá chegarmos depois só de avião é que voltas, ficas lá presa comigo! Eheh.
Filipa – Olha afinal parece-me uma boa ideia, isto por aqui já foi chão que deu uvas.
André – “Já foi chão que deu uvas”? Andas muito popularuxa!
Filipa – É da tua companhia!
André – Algo me diz que isso não é um elogio!
Filipa – Eheh…olha lá pá, este túnel é assim um bocado para o fantasmagórico…tochas a arder…isto é um bocado sinistro, não?
André – Não tenhas medo…já chegamos ao outro lado!
Filipa – Ao Tibete?
André – Não, palerma! À Quinta…
Filipa – Eu sei…estava a meter-me contigo.
André – Pronto cá estamos nós, a Quinta é só nossa! Agora podemos ser quem quisermos.
Filipa – Não vai aparecer aqui ninguém a esta hora?
André – Não, a esta hora já os seguranças saíram. Só tens de te preocupar com os desejos que fazes, é que aqui a magia flutua no ar e qualquer deslize emocional, desde que sentido, corre o sério risco de ser realizado.
Filipa – Tenho de ter cuidado então...
André – Isto é lindo aqui, não é?
Filipa – Sim, é lindo…sinto-me completa, sabes? Sinto que este sitio é especial…
André – E é! Sinto-me bem em saber que tu estás a gostar.
Filipa – Sempre foste uma óptima companhia, apesar de muitas vezes distante…ou ausente…não sei…
André – Estive lá nos bons momentos, não estive? Lembras-te do livro que a Carla me emprestou? O livro é um espanto e dada altura diz o seguinte: “Os verdadeiros amigos são aqueles que estão ao nosso lado quando as coisas boas acontecem. Eles trocem por nós, alegram-se com as nossas vitórias. Os falsos são os que só aparecem nos momentos difíceis, com aquela cara triste, de “solidariedade”, quando na verdade o nosso sofrimento está a servir para os consolar nas suas vidas miseráveis.”
Filipa – Isso não é bem assim...
André – Se pensares bem vais ver que é! Eu já sei o que vais dizer! “Ah, mas os amigos são para as boas e más ocasiões, os verdadeiros têm de estar em todas e não só nas boas”! E concordo contigo, mas o que te quero dizer é que existe uma espécie de amigos que só aparece quando estamos mal, rodeados como diz o livro daquela “solidariedade”…é arrepiante só de pensar.
Filipa – Saíste-me cá um filosofo!
André – Tenho de arranjar um pseudónimo.
Filipa – André Cardoso, o Filósofo de Sintra.
André – Nã, não me parece…muito clássico.
Filipa – André Cardoso, o Filósofo Errante.
André – Nã, muito cliché.
Filipa – André Cardoso, o Filósofo Palhaço.
André – Pronto, já cá faltava.
Filipa – Eheh.
André – Não quero que isto acabe…nunca.
Filipa – Pronto já estás outra vez nas nuvens. Queres que eu te traga a terra? É que é um instante é só dizeres!
André – Não, deixa-me estar mais uns minutos assim…a apreciar tudo isto…tu ao meu lado aqui deitados na relva…é tudo tão lindo.
Filipa – Estou aqui a pensar…
André – Tu tens disso? Eheh.
Filipa – Cala-te pá! Tive a pensar e acho que temos de combinar uma palavra secreta e mística, assim cada vez que a dissermos o outro sente-a onde quer que esteja. E onde quer que a vejamos ou onde quer que a oiçamos…ficamos uno um com o outro, assim estaremos sempre unidos.
André – Mas que palavra?
Filipa – Acho que era giro um anagrama.
André – Um anagrama? Ok, “no more álcool for this girl please”…eheh.
Filipa – Oh! Assim não digo o que estava a pensar.
André – Vá, vá lá diz lá eu não brinco mais.
Filipa – Estava a pensar na palavra Roma.
André – Roma? O que é que Roma tem de especial?
Filipa – Ora então, se é um anagrama...vá descodifica lá! Tens várias hipóteses há duas que são lindas e sempre que as vires qualquer que seja a combinação eu estarei contigo.
André – Com que então Roma…deixa lá experimentar! Roma, Ramo, O Mar…Amor?
Filipa – Não são lindas?
André – Nunca tinha pensado nisto…mas é…bonito.
Filipa – Oh! Não gostaste! Gostei muito de "O Mar" e da primeira que me lembrei…
André – Qual foi?
Filipa – Amor.
André – …
Filipa – Não digas nada.
André – Como diz o filme “we’ll always have Rome”
Filipa – Não é Roma estúpido, é Paris.
André – É a mesma coisa! Eheh.
Filipa – Eheh.
André – Não quero que…
Filipa – Cala-te…não digas nada.

André – Já viste que horas são?
Filipa – Já, o que tem? Tens de ir a algum lado?
André – Não, mas…
Filipa – Mas o que? Se não tens de ir a lado nenhum deixa-te estar aqui ao meu lado, a não ser que não gostes da minha companhia!
André – Não é isso, apenas pensei que tu é que podias querer ir embora.
Filipa – Não…estou muito bem aqui. Obrigado.
André – De nada, sua Alteza.
Filipa – Mas também nós podemos ir a qualquer altura…ou já te esqueceste?
André – Desculpa, mas eu agora perdi-me! O que queres dizer com isso?
Filipa – Tu tens noção de que sou apenas fruto da tua imaginação, não tens?
André – Tenho...está descansada que ainda não me esqueci.
Filipa – E consegues lidar bem com isso?
André – Olha, por acaso acho que sim?
Filipa – Só não quero que leves isto muito à frente senão começo a pensar que não regulas lá muito bem! Eheh.
André – Desculpa, mas como é que o próprio fruto da minha imaginação me diz que eu não regulo bem?
Filipa – Dizendo.
André – És muito petulante para imaginação, sabias?
Filipa – Sabia.
André – Não me podes tratar assim, não vês que assim como eu te criei também te posso fazer desaparecer?
Filipa – Não é assim tão fácil
André – Eu sei.
Filipa – Vamos então?
André – Sim.
Filipa – Vá não fiques assim, sempre que quiseres pode ser sempre utilizar a palavra mágica e eu num pulinho vou ter contigo.
André – Teremos sempre...
Filipa – Sim, teremos sempre…O Mar de Roma!

Sexta-feira, Julho 07, 2006

Tango

Tango.
Calor. Paixão.
Uma noite de verão. Encontros. Pessoas conhecidas…
Reencontros.
A música, os corpos, o movimento, o calor…olhos fechados…
Dança-se.
As imagens na tela mostram-nos outros mundos.
Sorrisos…
Dançarinos cúmplices.
Respira-se sensualidade…
Paixão.
…Perfeito.

Quinta-feira, Julho 06, 2006

Personality

Open up and justify yourself
Your reasons
Reasons to care
You lie awake with your world
Your world in the air

Now who has the right
To say what I can
Can or won't do
I take what want
Whatever I want
Just to get myself through

For your personality drives me insane
Drives me insane
Your personality drives me insane
It drives me insane

I was the one
Always the one last
Last on the list
I've taken a chance
I've taken a chance and all of the risk...
Your personality drives me insane
Drives me insane

You contradict yourself
You contradict yourself
Again, again and again
Have a taste
It's just a taste
It will do you
It will do you no wrong

For your personality drives me insane
It drives me insane

"The Aloof - Personality"

Quarta-feira, Julho 05, 2006

Predadores

O tempo passa como as folhas de uma agenda na procura incessante de uma data. Procuram-se estereótipos de camisas aos quadrados com sapatos vela, numa névoa de tabaco e charutos. Imberbes adolescentes, perdidos num riso hilariante libertam as fermonas acompanhadas por copos de vinho. As miúdas a olham em redor, pesquisando vítimas para uma sedução. As presas alheias aos predadores continuam a mastigar o pasto líquido alcoólico.
Olham sem querer ser vistas, voltam a olhar e sorriem, comentam os traços físicos da vitima…procuram homens com boa aparência física, atraente e que saiba contar pelo menos até 10.
Preparam-se tácticas de aproximação...a caça começa.
As gazelas perdidas, cegas pelas camisas aos quadrados caem na primeira armadilha…o olhar. Elas olham de soslaio, provocando na presa o despertar, o mágico interesse pelo enigmático olhar. A presa fica com a ilusão que é predador e que está em controlo da situação, olha em redor na busca de “pseudo-predadores”
No fundo da sala um rapaz observa todo este ambiente de caça como se tudo fosse um documentário da BBC. Pávido e sereno imita uma presa para atrair os predadores á sua volta. Os confiantes predadores decidem aproximar-se…olham-se.
Empatados.
Ambos sabiam o que estavam a fazer…e assim como dois mestres de artes marciais que já não podem evoluir, aguardam…esperam quem é o primeiro a tomar a iniciativa…minutos passam sem um único movimento, sem uma única palavra…olham-se.
Sorriem.
Ela avança devagar para ele e diz - “Leva-me para casa!”.

Segunda-feira, Julho 03, 2006

No Surprises

Ele já não se lembrava muito claramente como é que tudo tinha começado, como é que partiu de uma amizade para algo que ele ainda tinha dificuldade em acreditar.
Tinha sido numa noite amena de verão junto ao mar. Eles tinham ido ver o mar quando uma brisa lhes revirou o coração, no momento que a brisa chegou eles viraram-se um para o outro e os olhos magnetizados não conseguiam olhar para mais lado nenhum. Sentiam o coração aberto, o corpo leve de paixão, respiravam amor.
Mas ele já conhecia aquele sentimento, já tinha estado ali…e ele não queria, não queria voltar amar…não queria voltar a sofrer, não queria causar mais dor a ninguém com o seus caprichos adolescentes de quem não amadureceu. Ela sabia o que ele tinha passado...mesmo assim não se desviou um milímetro.
O medo tinha-o deixado paralisado em todos os relacionamentos desde que se tinha separado, no entanto este pareceu-lhe diferente, começava a acreditar que o amor voltara.
Ela tinha lhe dito que quando se ama e se é correspondido tudo no mundo desaparece, todas as tristezas todas as dificuldades, entraves, barreira, soluços...não há margem para nada, vive-se cegueira de uma alegria irracional.
Ele paralisava ao som das dúvidas...dúvidas que raspam a incerteza da capacidade que tinha de corresponder ao amor dela...para voltar a acreditar no amor.
Meses passaram, ele continuava a não compreender o amor, continuava perdido, moravam juntos...sem surpresas...sem cativação...procuravam o que não tinham noutras pessoas, o amor desaparecido, escondido, procurava melhores dias...procuravam sem saber muito ao certo o que procuravam, procuravam o que faltava, mas o que faltava estava mesmo ali ao lado...
Numa noite de copos, ela conhece alguém por quem se interessa...tinha todo o encanto de uma paixão...tinha todo o mistério de alguém novo...tinha de tomar uma decisão ali...naquele momento...e...opta por...ir para casa.
Ela chegou a casa, viu-o deitado no sofá em frente à televisão ainda á espera dela. Ela chama-o com aquela voz doce e diz-lhe para se ir deitar.
Ele acorda e ainda meio a cambalear abraça-se a ela e olha-a nos olhos. O silêncio criado levou-o a sorrir. Ele já não sentia medo. Sentia-se livre…livre de preocupações, feliz. Sem desviar o olhar ela disse-lhe – “Sabes…o amor…esse continuará sempre a existir”.
Ele aí compreendeu o que não valia a pena continuar obstruir o amor da vida dele, o amor, esse nunca iria desaparecer – “Demasiado belo, para desaparecer”- pensava ele. No segundo seguinte diz-lhe – “Eu daria a minha vida pelo nosso amor”. No entanto ela disse "Não quero que dês a tua vida pelo nosso amor, não percebeste nada! Quero a tua vida comigo, para...vivermos o nosso amor!".

Domingo, Julho 02, 2006

Technicolor

This party is old and uninviting
Participants all in black and white
You enter in fullblown technicolor
Nothing is the same after tonight

Quinta-feira, Junho 29, 2006

Bonheur

Du bonheur à l'état pur, brut, natif, volcanique...c'était mieux que tout.

Mieux que la drogue, mieux que l'héro, mieux que la dob, coke, craque, vis, joints, shit, schout, pète, gandja, mariane, cannabis, bayonne, buvard, acide, LSD, extasy...
Mieux que le sexe, mieux que la fellation, 69, partouse, masturbation, tantrisme, kamasoutra, evade thaïlandaise.
Mieux que le nuttela, beurre de cacahuète, milk shake, mayonnaise.
Mieux que les trilogies de Georges lucas, l'intégrale des bebettes show, la femme de Nino, mieux que le déhanché des moupins, Marilyne, la stroumphette, Lara Croft, Naomi Campbell, le grain de beauté de Cindy Crawford, mieux que la face caché de la Abbey Road, et solo d'Hendrixs.
Mieux que le premier pas d'Amstrong sur la lune, le space mountain, la ote du Père Noël, la fortune de Bill Gates, les NDE, la résurrection de Lazare, les transes du Dalai Lama, toutes les picouses de testostérone de sharzi, que le collagène dans les lèvres de Pamela Anderson, mieux que Woodstock et les rêves party les plus orgasmiques, mieux que la défonce de SAM de Rambo, Morrison & Mandela, Castaméren.

Mieux que la liberté...

Mieux que la VIE.

Quarta-feira, Junho 28, 2006

Regresso

Sinto os primeiros raios a entrar pela janela.
Tento me virar. Não consigo. Abro lentamente os olhos. Sinto uma pressão no peito. Não me consigo levantar. Tento gritar. Custa-me a respirar. Sou empurrado para baixo. Por baixo o chão divide-se em dois.
Caiu.
Sinto os pulmões a serem puxados para cima enquanto caiu. A adrenalina descontrolada pela força da queda. O centro da Terra a puxar cada vez mais. Sozinho na queda. Não consigo me agarrar. Não me consigo mexer. Não consigo libertar um unico som. Não consigo...
Fecho os olhos e aceito...
E assim como o Ouroboros...depois do fim, o inicio.

Terça-feira, Junho 27, 2006

Dial "L" for Love

Do your dance, do your dance
Do your dance quick,
C’mon baby tell me what’s the word
Now, word up...up, up!
Everybody say
When you hear the call you got to get it under way
Word up...up, up!
It’s the call...word
No matter where you say it
You know that you’ll be heard
If there’s music, we can use it
Be free to dance
No matter where you say it
You know that you’ll be heard
We don’t have the time for psychological romance
No romance, no romance
No romance for me...

"Gun - Word Up"

Segunda-feira, Junho 26, 2006

Música

Vejo-me novamente com o meu baixo nas mãos…
Velhas memórias, voltam em catadupa…o ânimo do som, das vozes…

Transportados na procura…
Músicos sentimentalistas, pintores amaldiçoados, actores irreverentes, escritores apaixonados, informáticos frustrados…todos na procura do conforto…na procura da beleza..
A dissolução levou-nos na onda da maturação. Agora mais velhos de instrumentos nas mãos conscientes do que não queremos com a ilusão do que queremos. Sob os espelhos da realidade corremos, corremos com toda a nossa força, corremos com as pernas tremer…corremos a sentir o pulsar do sangue, corremos batidas de coração como se fosse a primeira vez…
corremos…

Sexta-feira, Junho 23, 2006

Palco

Volto ao palco…
Maduros boémios de copo na mão a brindar a uma nova era…a um novo inicio…
Dou uma volta pela mesa. Ando sem nada ver…perdido na esperança de um novo dia.
Os sábios pensadores empurram-me para a loucura do estrelato anti-heróico…
Discretos…observam pacientemente um estado de amor…
Dissertações pseudo-filosóficas sobre o amor…estádios do amor…
Amamos sem se pensar…amamos os clichés…amamos para dizer que conseguimos amar…amamos pela companhia…amamos pelo sorriso… amamos a desilusão…amamos a indiferença…amamos a musica…amamos os amigos…amamos…
Brancas de quem divaga…improvisa-se.
Encarna-se personagens com estranhos ideais. Vivem-se vidas erradas. Aproveitamos e choramos as nossas mágoas nas mãos de uma personagem qualquer. Risos perfeitos sem vontade. Abandonamos a nossa identidade para voar nas palavras de outro…e como é libertador a dor de quem viaja!
Ama-se…chora-se…o peito apertado informa-nos que estamos no caminho certo…e sem forçar voltamos a cair na mágoa…choramos novamente…
Levantamos a cabeça…
Olhamos á volta, empurramos os braços da cadeira para baixo…sentimos o peito a encher enquanto nos levantamos…e com aquele movimento regressamos…regressamos a um estádio novo…saltamos patamares de emoções sem tempo para a descompressão…
Ficamos sem perceber se devemos levar a personagem para casa…
O ensaio acaba…

Segunda-feira, Junho 19, 2006

Fado. Saudade. Tristeza. Destino.

A alegria triste de quem canta o fado, transporta-nos…outros sentimentos…outras vidas…
Quando se ouve, reinicia-se a alma, assim como a lenha para lareira. Fechamos os olhos e somos elevados como plumas…vaguemos pelos céus…pairamos…caímos…somos elevados novamente ao sabor da música…
Vivemos, com a tristeza no olhar…sobrevivemos…esperamos saudosos um Sebastião qualquer perdido pelas terras africanas…esperamos. Utópicos sonhadores do V Império...vivemos. Sonhadores a tempo inteiro, deixamos para os outros as façanhas originais…adormecemos. Viciados no marasmo…criticamos quem faz.
Depois vem o fado, para elevar a moral…vem a força da tradição, lutadores, filhos de templários, pais de descobridores…grandes. Somos a força criadora. Abraçamos destinos, desfazemos nós, olhamos em frente…
Não necessitamos de futebol, como dizia o outro senhor do antigamente. Ao reler Huxley vejo “Soma” e leio “Bola”, vejo doses de felicidade induzidas num povo á deriva. Tantos anos a navegar outros tantos á deriva. E aproveitamos a deriva para meditar, para sermos os poetas, os fadistas, os saudosistas, os sonhadores…aproveitamos a deriva para rectificar e encontrar a pedra oculta…
Mas sorriu orgulhoso dos fados, dos destinos, das saudades, dos povos, das gentes…simples, belas, puras amantes da vida.
“O meu fado é…” - sorriu de mim mesmo, e reescrevo - “Eu sou fado”.

Sexta-feira, Junho 16, 2006

To: Emília

Engraçado, os desígnios do destino...
Cheguei agora do aniversário da minha avó Emília.
Depois de ter lido a Profecia Celestina deixei de acreditar em coincidências, por isso este é um post a ela e a uma sua homónima e minha fellow blogger.
Não gosto de agradecimentos no fim, por isso e sendo assim...agradecimentos ás Emílias: a uma por me ter criado, à outra por me ter inspirado na criação do post, sobre a minha visão de "juventude".

Voltei dos bolos e da paródia com a Emília, estava eu tão certo que ela teria ainda só 60 anos, mas o tempo é tramado e quando olhei para as velas já estas marcavam 70. Ela quando viu a minha surpresa da idade dela fez-me uma careta de envergonhada e eu disse-lhe “Não me olhes assim. Continuas a ser a minha teenager inconsciente”. Esta pequena foi durante muitos anos a minha mãe, a minha companhia de conversas, depois transformou-se na minha grande amiga.
Sempre na palhaçada, é uma jovem tramada, de feitio especial e de um amor encantador, foi ela que me transmitiu o gene do teatro, o gene da boa disposição. Eu sou quem sou, graças à sua contemporaneidade…graças à sua juventude.
Demorei a apanhar o segredo dela, no entanto ele apareceu-me da maneira mais imprevisível.
Foi há uns anos atrás quando conheci a Fernanda, a mulher de um grande amigo meu, também ela era detentora do segredo…o elixir da eterna juventude.
Eu chamo aquele casal, o “Casal Maravilha”, o António com os seus 62 anos e mentalidade de 15, ela tem 63 e com mentalidade de 30.
A Fernanda é uma pequena de 63 anos que sofre de artrite reumatóide desde os 7 anos, quando a vi pela primeira vez perdi-me um pouco nos meus sentimentos, não conseguia compreender como é que uma pessoa com aquela estúpida doença consegue transportar tanta força, tanta vida, tanta juventude dentro dela.
Depois de me andarem a melgar dizendo que andava desaparecido e que não lhes ligava nenhuma, feito miúdos da primária, decidi ir jantar com eles a um restaurante que eles conheciam em Azeitão.
Foi um jantar lindo. Sentia-se a energia deles a preencher a sala. Falámos da juventude, brincámos com Freud, rimos feitos malucos sobre a maneira como começaram a namorar. A verdade é que eu naquele jantar esqueci-me da idade deles, esqueci-me…deixei-me levar pela alegria e por aquela força de vida…estávamos de igual para igual, não havia diferenciação…quem não nos via e apenas ouvia as nossas conversas, pensou de certeza que éramos 3 miúdos na flor da idade.
Este jantar foi decisivo para perceber a minha avó.
Ambas tinham o poder, o poder refrescante de quem se consegue manter contemporâneo, o poder que transmite a juventude aos restantes.
Os putos como eu quando olham para estes “miúdos”, pensarão que são apenas uns miúdos que já viveram mais uns aninhos e os “velhos” pensarão que são uns palermas e que nunca quiseram envelhecer. A verdade é que eles envelheceram, mas aprenderam que é aqui e agora que se faz a vida, aprenderam que é no poder do “agora” que reside o segredo da eterna juventude.

Não se perde a juventude. Ela está aqui, está na maneira como se fala, na maneira como se pensa, na maneira como se escreve, na maneira como se vive…o “Agora”.

Quinta-feira, Junho 15, 2006

Sea

“- Foi bom!
- Então?
- Sobrevivemos.”

Metemo-nos a caminho, atrasados como sempre, pneus a chiar, putos com um volante na mão, horas por dormir, nível intelectual a bater os limiares do razoável, adrenalina e a emoção a tapar todos os julgamentos.
Chovia torrencialmente, o mar estava para tudo menos para brincadeiras, mas a única coisa que nos podíamos lembrar era brincar. O Capitão só dizia “Se não fosse por vocês abortávamos o mergulho”. Saltámos para a água com gritos de guerra, vagas enormes passavam por cima das nossas cabeças. O João disse “Ao meu sinal de descida, seguramos na corda”.
Segurámos na corda. Os primeiros 6 metros foram sempre a descer como que em queda livre…sempre a descer com uma força incrível, a emoção estava ao rubro. A corrente marcava a flora…equalizações…sempre a descer. Sinais para abrandarmos, mas já ninguém conseguia perceber nada. Cambalhotas, pinos, piruetas, os julgamentos já não faziam sentido. Um universo completamente diferente, estávamos no nosso espaço. Aqui controlávamos tudo. Safety Stops ignoradas. Putos com brinquedos perigosos. O vício da adrenalina, o ar a esgotar-se e sempre a pensar “Mais um pouco, mais um pouco”.
O primeiro e último mergulho do dia. Todos os outros cancelados. Mar revoltado. Os putos inconscientes riam e saltavam…os risos continuavam frescos de adrenalina.
No Dive Mobile. Música aos berros. Putos inconscientes. Pneu a chiar. Entradas proibidas. Piões. Lama. Curvas. Limites de velocidade.
Regressos a casa…
Prontos para mais.

Sábado, Junho 10, 2006

Not About Love

O ar cada vez mais rarefeito…entrei sabendo que tu estarias lá.
Perguntei-te se tinhas lume, olhaste-me, sorriste e disseste que seriam 5 euros, falaste-me das coisas bonitas da vida! Ias falando e eu sentia-me cada vez mais…em paz….hipnotizaste-me. Fizeste-me levantar os pés da terra. O som da tua voz trespassava-me o coração como uma onda de calor…aquela vibração doce, transmitia-me a suavidade que precisava.
Desci para dançar…precisava de dançar, precisava de sentir algo que não aquilo, algo que não aquelas paz. Queria caos á minha volta queria sentir-me sufocado…mas até no meio daquela multidão me sentia sozinho…nem conseguia cair…estava tão apertado…tão acompanhado…tão sozinho…
Subi novamente com a esperança que já não tivesses lá…mas querendo que lá estivesses…querendo que me desses o teu nome…tu não me davas o teu nome…transmitias-me a sensação que tantas vezes passei…eu não sou isto….eu sou isto mas já não sou isto...hei-de ser sempre isto…não consigo pensar….sinto o sufoco…sinto a clausura que em que me colocaste…
Tu olhavas para mim e sorrias, o teu amigo continuava a falar contigo e tu a olhar para mim, completamente desligada dele…isolada…estavas em mim...
Desci a ouvir Blur…desci com os sentimentos de um adolescente…desci para tu me veres que te queria a ti…
Dancei.
Subi…Precisava de água….dirigi-me ao balcão e tu seguias-me o teu olhar azul céu, o único sítio vazio para o pedido era em frente ao balcão…era ao teu lado…tu deixaste-me chegar perto de ti e de repente...silêncio
Apertaste-me as pernas e senti-me teu… 2 segundo….tudo parado….mais silencio…só eu e aquela cena…só eu e tu…duraram 2 anos…
Como é que eu posso justificar-te? Com as tuas palavras? As tuas palavras são o fim!
Apertaste-me…morri…
“Gosto de Aloof” – disseste tu com um ar de quem sabia que era o ponto decisivo…tu sabias que não estavas …não podias estar no meu coração…
Á medida que falavas comigo deixavas descair o lábio, como uma miúda adolescente a picar, sabendo que isso me deixava fora de mim…
Contradizia-me…não posso ficar louco por 2 palavras….não posso ficar louco por um toque…era aquele o teste…era? Pensei que estavas ali para me testares…afinal estavas apenas a mostrar-me o caminho…
Tenho tudo, o que posso querer mais? Posso querer mais ilusão na minha vida, sabendo que tu estás ai a pensar que não tive a coragem para te falar com mais do que uma ou outra palavra fora do contexto com álcool e sem nexo…
Preciso de te ver mais uma vez…preciso de saber que não vais aparecer lá novamente…preciso de saber que és um teste…um teste…
Não acredito nas minhas palavras. Não serias uma noite.
Não me quero apaixonar por ti…por favor pára de me tocar….o ar cada vez mais espesso…cada vez mais escasso…eu perdia a respiração sentia o peito a apertar…sentia a força das tuas palavras no meu coração…sentia como que uma tonelada perpétua ao sentir o teu leve e doce toque na minha perna...
Sai sem conseguir te falar…cumprimentei a Catarina sabendo que estaria livre lá fora…sabia que já tinhas saído á muito tempo…
Estavas á minha espera…lá fora ao frio esperavas por mim…esperavas pelo meu olhar…esperavas pelas minhas palavras...
Não falo…não pergunto…o medo assola-me…

Adeus Rebecca.

Sexta-feira, Junho 09, 2006

Little Thing

I was walking down the street. Trying to find the place I was going (I can't remember where I was going now). 'Cause I met this girl and I asked her directions, you know. And she was, she was tiny, you know. She, she wasn't young, she was just tiny. And, uh, so I asked her directions and she said, 'Oh that's the way down there, walk over there, go down there, you walk over there, and you go down there and then you're there.' Something like that, anyway. So, uh, but I walked about ten paces away and I was thinking... Daaamn, that girl was fine. And, oh, I turned around to tell her so, and ask her maybe her name, or maybe if we should go and get a cup of, who knows, coffee or something. And I'm sure if I turned around and find her there I would have found out something...
But she talked so good
But when I turned around, she was gone
Oh, she was gone
I didn't even get her name, oh
I thought, goddamn
With your face in my mind
And your voice in my ears
Still echoes
Oh, I bought a lovely flower
Standing there, we met that day
And hope that you would return
But, no, no, no

I can't remember where I was going
But I can't remember where I was leading to
Or what led me to you, but
Oh, and the weight is all through my head
The look of you, the sound
The way you cackled at me
From then and then, I didn't know where I was going
But always I cry

And so, hey, oh
The hands that pour my hands on you again
Hey, I will beg you, I'll beg, oh
See me, please find me again
Oh, I'm lost again
I sit here drinking coffee
Or water depending the time of day
But, oh, you're with me like a ghost of a mother
Oh, you're with me like the pain of a father
Oh, I wish I, I wish I could call you something
Other than the girl that I saw then

But, hey, I think that I would recognize you in a second
But, hey, I only saw you for a minute, maybe less
I don't hold my hand where
But I waited, honest
I'm lost now, I'm lost now
I can't remember what I used to be
But, oh, hey, yeah, weighted by the memory of
The memory of a love that never got born, but hey
Oh, hey

Do I even cross your mind lately
With more than just a laughing
Did you think as you walked away, maybe
You were, hey
Oh, I hope you did
So, hey, yeah
You would, you would have been feeling
The same thing as I am now
"Tim Reynold & Dave Mathews - Little Thing"

Quarta-feira, Junho 07, 2006

Could I...

Could I have been
A parking lot attendant
Could I have been
A millionaire in Bel Air
Could I have been
Lost Somewhere in Paris
Could I have been
You're little brother
Could I have been
Anyone other than me
Could I have been
Anyone other than me
Could I have been ...Anyone

Terça-feira, Junho 06, 2006

Cry Freedom

In this room stood a little child
And in this room this little child
She would remain
Until someone might decide
To dance this little child
Across this hall
Into a cold, dark, space
Where she might never trace her way
Across this crooked mile
Across this crooked page
Cry freedom, cry
From deep inside where
We are all confined

Till we wave our hands

"Tim Reynolds & Dave Mathews - Cry Freedom"

Segunda-feira, Junho 05, 2006

Completa

(...)
- Zé, já agora...define-me amigo?
- No dicionário diz que é o que quer bem! Favorável, partidário, aliado, afeiçoado, que tem amizade, e tal.
- Define-me amizade!
- Estás chato hoje, fogo! Espera…pronto, ok…o dicionário diz: afeição; amor; boas relações; laço cordial entre duas ou mais entidades; dedicação; benevolência.
- Ah…ok!
- Porquê? O que é que foi agora?
- Nada, man.
- Nada o que? Estás a atrofiar? Olha lá, lembraste do Long Way Around? Aquilo é amizade! Mais alguma coisa, ó xóné?
- Não…era só isso…e…
- E o quê, meu?
- Bom…supondo que és meu amigo, certo?
- Fonix, tás mesmo a atrofiar! Ok… vamos “supor” que sim, que sou mesmo teu amigo, continua!
- Ok, supondo que sim…quer dizer…tipo se precisasse estavas lá…certo?
- Claro, man! Estás numa de carente, é? Fogo, que piegas, man! Já passámos por tanto agora é que estás com isso?
- Ya, eu sei, mas…
- O que tu estás a precisar é de uns dias “in the fucking sea”…para ver se molhas essa mioleira!
- Por falar nisso…não vejo “the hour to leave this fucking place”! Hehe!
- Vai ser o trio maravilha em grande estilo, eu, tu, o Sergie numa semana sempre a bombar! Imagina o seguinte cenário…acordar cedo para burro, o sol a rasgar, os mergulhos, o álcool, dormir no barco do Sergie…e apenas deslizar e curtir o mar…
- Hehe! Nem me fales, só de pensar nisso…
- What?
- Vou me despedir do emprego e já volto! Hehe!
- Hehe! Raúl, só falta uma cena nisto tudo…
- What?

Quinta-feira, Junho 01, 2006

Apetece-me...

Ando cansado...
Apetece-me partir qualquer coisa para não pensar que tudo isto é uma peça de teatro, onde tudo se parece com um cenário vindo de uma obra surrealista, apetece-me não me sentir cansado, apetece-me criar com o poder nas minhas mãos, apetece-me sentir que não existe ilusão, apetece-me pintar o mundo visto por mim, apetece-me escrever o que me vai na alma, apetece-me parar tudo, apetece-me sentir, apetece-me viver, apetece-me morrer, apetece-me brincar, apetece-me a antítese do que eu quero, apetece-me trabalhar até cair, apetece-me cair por cair, apetece-me olhar, apetece-me ver o pôr-do-sol, apetece-me fechar os olhos, apetece-me saltar, apetece-me inspirar, apetece-me respirar, apetece-me fugir, apetece-me refugiar, apetece-me viajar, apetece-me parar, parar e parar, apetece-me correr, correr, correr...
Apetece-me...já nem sei o que me apetece. Acho que já não me apetece nada.

Quarta-feira, Maio 31, 2006

Sem Casa

Tenho respostas para todos, mas com uma visão cinzenta...sem gosto.
É como se tivesse à espera que feridas sarassem...sem contexto para a auto-estima...tento empurrar...
A casa em chamas. Uma paz de espírito assola-me, já não vejo para lá do fumo...o calor conforta-me enquanto contorno a mesa para chegar a um livro...encosto-me à parede calmamente...meto a mão sobre o livro...o líquido borbulha nas minhas veias enquanto chamo o teu nome...sangro...
Enquanto abro o livro as imagens saltam de uma só vez sobre a minha mente, vislumbro o futuro incerto...
Enquanto navego, decido e lanço-me no mar e enquanto me atiro, as ondas cobrem como um suave lençol...e algures ali, vivo...vivo pelas ondas, vivo pelo mar...e junto da praia deserta aquele barco encostado á margem, a margem que fez o navegante cego...cego quando não viu que tinha terra a seus pés, quando acreditou que ainda estava a navegar, quando navegava sem nada ver, quando se viciava no sabor do vento, quando olhava e continuava sem ver...
De volta a casa...a chama aproxima-se cada vez mais, cada vez mais depressa, como a dor maldita, a dor que nós conhecemos...e com um sorriso dizemos - "ela que venha, ela que venha...".

Segunda-feira, Maio 29, 2006

Até podemos...

Estamos tão sozinhos...e quando ninguém está a ver choramos pelo nosso fado...
Então...como é que sentes a minha dor? Diz-me! Vá diz-me...
Se não te diz nada...então porque é que cantas comigo?
Até podemos partir e levar as palavras connosco e...apenas partir.
Porque é que sentes a minha dor? Palavras....já não traduzem nada...
Porque é que cantas comigo, quando não te diz nada?
E sinto o calor do dia.
Lembras-te quando me levavas ver como estava o tempo lá em cima? Quando enganávamos a os anjos...e quando só pelo gozo te sentavas numa nuvem a fazer desenhos...
A vida era tão simples...apenas voávamos...apenas brincávamos...
Mas perdi-me...já não brinco...já não sorriu...deixei-me levar pelos grandes...deixei-me levar...
E agora? O que resta de mim, senão uma...uma gota a cair...a cair com todas as outras...e olho à minha volta e vejo-as em queda livre com o chão a aproximar-se...vejo-as abraçadas à vida...vejo-as abraçadas ao fado...e aceito-as...e...aceito-me...aceito-me...............e abraço-te...e ainda no ar, tu dizes-me - "Vamos os dois"....
Sem ninguém...deito-me...cansado...entrego-me mais uma vez a ti.
Não me dizes nada...pois é, esqueço-me que não estás aqui...
Levanto-me e vou ter contigo, saio...no caminho para o carro oiço o meu nome...eras tu a chamar por mim, disseste que querias...que querias dar uma volta...e eu sabia o que querias dizer...e...sorri...pisquei-te o olho...e...então vá............leva-me, leva-me daqui, leva-me com a força que tu tão bem conheces, leva-me a voar, leva-me a brincar de novo, leva-me a sentir, leva-me a chorar, leva-me daqui, leva-me a sorrir, ou então apenas leva-me, leva-me mas leva-me depressa, leva-me a respirar...depressa...leva-me...leva-me a ser...leva-me a ser outro...a ser...

Quarta-feira, Maio 24, 2006

O Gajo

O invejoso do gajo, não pode ver nada..."ah e tal, a mim não fazes tu uma dedicatória", ora meu amigo aqui vai a tua dedicatória, caprichada até á 5ª casa...podia ser até á 4ª casa, mas não hoje vamos caprichar até à 5ª casa.
Ora o que podemos dizer desse grande ícone do mundo moderno, essa grandiosa alma da actualidade, esse homem com O grande, esse palerm...bem, pode-se dizer muito, muito mesmo, não sou como certas personalidades do mundo Vip (provavelmente residentes das ilhas e arredores) que dizem..."O Gajo? O Gajo cheira mal da boca!", estas piadas não fazem sentido quando se fala do Gajo, porque o Gajo é grande.
Vou-vos contar como é que conheci o Gajo.
Estava eu muito bem, no bairro da Madragoa, a descascar batatas na rua, quando o Gajo aparece a perguntar onde era o Campo Pequeno, eu quando me deparei com aquela grande iluminação disse logo "Oh meu amigo, você está completamente fora de rota, ora isto é a Madragoa e o Campo Pequeno fica para mais de 10 km de distancia deste nosso local!"- o Gajo olhou para mim com o seu habitual ar sério e disse "Você está a brincar comigo? Então eu não sei onde é? Veja lá se não chamo os meus amigos lá do Moscavide para vir dar um parlápié consigo!", o Gajo era imponente, eu vi logo pela maneira que ele falou. Eu não estava a falar com qualquer tónhó. O Gajo decidiu seguir caminho. Tive mais de 10 anos para o tornar a ver, foi naquele fatídico Campo Pequeno que o torno a encontrar.
Estava eu entretido a dar milho aos pombos enquanto comia uma sandes de torresmos, quando dou de caras novamente com o Gajo...ia para um jogo da bola, levava as chuteiras calçadas, um cachecol do Benfica, não percebi porque é que levava as chuteiras calçadas, mas o Gajo sempre foi especial, muito mais à frente que qualquer pessoa que conheça. Decidi ir falar-lhe já que ele tinha ficado no meu imaginário e se for verdade o que se diz hoje, que precisamos é de pessoas para seguir como modelo, o Gajo é um deles. Aproximei-me ainda a medo, e disse-lhe bom dia ao que ele me responde com um tom muito sério "O que é que quer? Não vê que tou apressado?", o Gajo sempre foi uma pessoa muito mal disposta, mas isso estava na génese do seu carisma, ele usava essa má disposição como ferramenta de conquista emocional contra as as pessoas que o rodeavam. Relembrei-o daquele episódio da Madragoa, ele fez um sorriso forçado, mas eu vi que por dentro raiava um arco-íris. Estivemos horas a falar, quer dizer eu falava, ele ouvi-a e olhava para o relógio, mas era aí, nestes pequenos gesto que estava o verdadeiro Gajo, aquela pessoa de coração quente, aquela pessoa que quando se metia numa fila de autocarro todas as pessoas olhavam...ele é o Gajo.
Conta-se uma lenda de que o Gajo, tinha-se tornado no Gajo quando ainda muito novo deu uma canelada a um colega num jogo da bola e o colega disse "Fogo...este Gajo, pá!", todos nós sabemos que as lendas têm muita fantasia mas que baseiam-se em factos reais e eu como pessoa humana e do planeta Terra que sou, quero acreditar que aconteceu mesmo todos estes factos.
Por isso meus amigos, se estiverem na rua, a ver a televisão e virem o Gajo, não se assustem com a primeira impressão que possam ter deste ser iluminado, pois é nele que reside a Beleza

O Ben

Hoje sou o Ben...Ben-U-Ron.
Não há nada na vida como ser o Ben-U-Ron...estamos sempre lá, e quando elas dizem "Ah e tal, dói-me a cabeça!", não há problema...e sabem porquê? Porque sou o Ben-U-Ron. Cura infalível para dores de cabeça, indisposições, males da ciática, espondilose, ataques de pânico, etc.
Estava a caminho do escritório, e quando dei por mim já era o Ben-U-Ron. A transformação foi algo bonita, nunca tinha sentido nada assim. De repente, estava a ficar arredondado, chato e branco e ainda por cima tinha um risco ao meio para facilitar o corte...como se um Ben inteiro fizesse mal a alguém.
Ser-se Ben não dá muito jeito, já que só posso rebolar, foi uma estreia para mim...nunca rebolei tanto. Não dá muito jeito para atravessar a rua, mas quando se leva um bom pontapé, chega-se ao outro passeio num instante. Mas também não pode ser um pontapé com muita força senão corro o risco se me tornar completamente inutilizavél.
Mas tenho uma amiga que ficou Away...nunca a percebi...ora tava tudo bem ora tava Away.
No outro dia perguntei-lhe como tinha sido a transformação dela, ela apenas me disse "Nem queiras saber, estava em casa e fui-me deitar ás 19H da tarde, porque sou uma pessoa que se deita muito cedo quando me dá o sono...e gosto muito daqueles sapatos...hoje o dia tá bonito...acho que vou tirar um mestrado em Turismo...gosto de Lisboa...e pumba fiquei Away", para mim não foi surpresa, já tinha lido num jornal que estes casos existem, são raros mas existem. Ela revelou-me em Off-Record, que quando era nova, os colegas dela da primária começaram a reparar que tinha determinados comportamentos estranhos. Ela conta uma história que num dado intervalo das aulas, a brincar no pátio da escola, deu por ela Away, o relato foi o seguinte (PEDE-SE CUIDADO A PESSOAS SENSIVEIS) - "Estava a brincar com as bonecas no pátio...e levantei-me para ir saltar ao elástico...quando me levanto sinto os músculos da mão a ficar dormentes...e comecei a pensar se não seria melhor estar a jogar à bola...e que jogar ao kiss me é que era...e tinha um joelho esfolado da corrida...e a professora era gira...gosto da escola e pumba...fiquei Away", este relato meus amigos é de uma violência inaudita...os colegas coitados, como é óbvio, entraram em pânico, nunca tinha assistido a tal coisa. Esta minha amiga teve de ficar vários dias sob observação porque até os adultos não tinham visto nada assim...e acreditem que quem vê um espectáculo destes, jamais continua a ser a mesma pessoa. É por essas e por outras que eu continuo a preferir ser Ben-U-Ron.
É bonito ser Ben-U-Ron.

Terça-feira, Maio 23, 2006

Egipto

Voltei hoje a Lisboa depois de 3 meses no Egipto. Impressionante como a nossa precepção muda quando voltamos ao nosso berço...e agora, agora depois de tanto tempo fora...regresso. Venho diferente, depois de tantos jantares de vinhos brancos, mergulhos inigualáveis, noites, copos, live a boards, night dives...
Mergulhei de olhos fechados, guiado por ti...deste-me a mão para subirmos á superficie, e com um só folego subi, com um só folego dei por mim a ser guiado, a ser revolvido no turbilhão daquelas águas e a renascer com a primeira aspiração...
Noites passadas na varanda a ler, aquela varanda com vista para o Mar Vermelho, ficava ali, naquele momento para sempre, na torreira da luz lunar com aquele ar abafado...E tu disseste - You better lie down cuz the angels are watching! - mas eu sentia demasiado, sentia tudo em demasia...sentia a força crua a vir á superficie, sentia tudo.

Segunda-feira, Maio 22, 2006

Urbano

De volta ao ambiente urbano.
Projectos de subcultura, o amor e o ódio misturam-se, um almoço na Quinta do Catralvos, o Indie Lisboa, o Doc Lisboa, uma exposição de Frida Kahlo, à procura de Júlio César, á procura do Super-Homem, à procura da constante da vida, a quimera da pedra filosofal, um bolo no Eterno Retorno, o Ler Devagar, um porto no Solar, o Bogani Café, um jazz no Artis, um copo no Chapitô, uma noite no Incógnito, uma sombra na noite distorcida, os lençóis vazios, a cama fria, o vinho quente em terras geladas...e de volta, de volta ao pó da neve, mil vezes rasgada, mil vezes amada, chorada, dorida, sangrada...e dou por mim nos mergulhos mal calculados, o ar a faltar, a liberdade a chegar, os golfinhos, as raias, a amizade, a diversão, a loucura...pegas em mim e levas-me de volta ao asfalto queimado, sofrido, suado, primeiro, último, saída, entrada, tantas vezes viajado, tantas vezes refúgio de noites mal passadas, junto ao cheiro da gasolina, com o calor da borracha na pista a colarem-te à vida, a colarem-te a um movimento perpétuo único de liberdade...e colam-te à garra da força que te cria, colam-te ao momento, o momento que gira e revira, que te leva, que te anima...o momento da tua vida...

Domingo, Maio 21, 2006

Visão

Será que já te encontrei e não te vi? Será que...não te vi com olhos de ver? Com os meus fracos olhos...
Como ontem...
Sentei-me ao piano...fiquei a sentir o toque frio, o peso das teclas...E enquanto tu preparavas o jantar eu toquei...toquei para estar entretido, toquei para não me sentir sozinho...e ali estavas tu, não muito longe...estavas já ali! Toquei tão feliz. Toquei tão triste...tão...
Tocaste-me no ombro...enrolaste os teus braços à minha volta - Anda jantar! - disseste tu, com a mesma naturalidade de quem já me conhece à muitos anos.
Perguntei-te porque é que me tinha convidado, quando...apenas partilhámos uns momentos. Não me respondeu, apenas olhou...mas a resposta estava ali...ali naquele olhar.
Sentei-me e disseste-me que tinhas algo de importante para me dizeres...ias partir...ias partir de vez.
Ias voltar, ias voltar lá, para o ponto de origem, para junto de quem sente a tua falta, sentias-te uma lisboeta...mas não nunca o foste.
Estiveste apenas de passagem, apenas uma passagem...vieste para eu te conhecer...como eu estou agradecido por isso. E agora...agora, voltas para lá, voltas para o útero envolvente, voltas e deixas-me aqui nesta ilha...
Hoje levei-te ao aeroporto e disseste que ias escrevendo...escrever...para que? Para perpetuar a falta de visão? Para me resgatares desta ilha, quando nenhum homem é uma ilha? Quando se quer ser, pelo simples facto de a cegueira o perseguir...quando a nitidez de observar falha...quando...quando deixo de reparar que estás ali, junto ao autocarro a olhar, no elevador a sorrir, no cinema a brincar e...visto-me cego, visto-me com o calor do dia, visto-me com o teu olhar, visto-me com os trapos da imperfeição...e vejo, vejo-te ali...a partir...vejo-te a deixar migalhas para te seguir...vejo-te a olhares para trás...vejo-te...
Vejo-te aqui...

Quinta-feira, Maio 18, 2006

Play.

Encontrei a Caroline Lufkin.
Estava a chover. Estacionei o carro em frente á Cinemateca, corri para me abrigar lá dentro.
Subi os 39 degraus como faço todos os dias. Chego e lá estava ela, no canto, a beber café com um cigarro na mão e olhar para a chuva a cair. Fui falar com ela. Perguntei-lhe se me podia sentar. Ela com a aquela doce voz disse-me que sim.
Stop.
...
Play.
Levantei-me e saí. Consolado pelo calor daquela noite chuvosa, sorri.
E tudo se movia lentamente, tudo tão lentamente, tão suave...descia e cada degrau, cada inspiração, cada movimento elevou-me. Abro a porta de saída e a chuva traz-me ao ritmo certo. A chuva cai. Entro no carro e meto um cd. Meto a chave na ignição. Assim que arranco tudo parece em fast forward, tudo anda depressa, muito depressa. As luzes dos carros mais parecem riscos, as estradas todas riscadas, tudo tão depressa...o carro não abranda, o rio aproxima-se, a velocidade impulsionada pelo peso do meu pé marca mais uma luz, mais um risco...aproximo-me cada vez mais do rio, cada vez mais, cada vez mais.
E num segundo...fecho os olhos. Abro-os...ar...água.
Stop.

Quarta-feira, Maio 17, 2006

Pink & Black

i must confess I feel uneasy
my cheeks weigh heavily
i must confess you've affected me
i need your memory to
take me out of this world
take me out of this world

here we go
i'm gonna make
all this happen
in little steps
in little steps i'll make it closer to
i'm gonna make
all this happen
in little steps
in little steps
I'll make it closer to you

i must confess, i've been constructing
to build some feeling
i must confess time's affected me
i need new memories to

take me out of this world
take me out of this world

here we go
i'm gonna make
all this happen
in little steps
in little steps I'll make it closer to...
i'm gonna make
all this happen
in little steps
in little steps I'll make it closer to you

pink & black
happy sad world

take me out of this world
take me out of this world

"Caroline - Pink & Black"

Terça-feira, Maio 16, 2006

Where's my love?

where's my love
the one for me
somewhere too far
not close enough for me to see

where's my love
who could you be
someone i knew but
let slip through
while dreaming of you

oh love
oh love
come to me

where's my love
give me a clue
give me a time
show me a place
i might find you

where's my love
don't hide from me
i'll be good to you
i will
honestly

oh love
oh love
come to me

where's my love
the one for me
somewhere too far
not close enough for me to see

where's my love
now I sing
hoping someday you'll
bring our lovely ending

oh love
oh love
come to me
oh love
oh love
come to me

Segunda-feira, Maio 15, 2006

Caroline

Comprei um cd novo, chama-se Caroline, assim como o nome da minha filha que nunca tive. E assim que o ponho no leitor do carro...peço-te para me levares a viajar novamente. Despe-me, rasga-me o coração de sentimentos e liberta-me. Voo para junto de ti.
Voltei mais uma vez aqui para te ver, encontro-te despida de preconceitos, aproximas-te de mim...pegas na minha mão e colocas na tua barriga e o toque na tua pele leva-me a imaginar a seda viajada pela rota até te teres encontrado comigo numa manhã gelada.

Mudo de faixa e toca Pink & Black. Não vou mais de 30km, com calma olho o mar, apoiado sinto o meu corpo a voar a planar sobre os reflexos e então mergulho, no breu gélido da noite aquática...e ali, e ali há luz há o mundo feito para mim...feito para tocarmos o céu passo a passo...

Queres aprender a voar? Voa comigo...

Quinta-feira, Março 02, 2006

Noite

Não tenho sono.
Saí.
É noite...não sei que horas são...estou a ouvir Bird York.

Parei o carro junto ao mar...estou cá fora...encostado ao carro...as ondas a batem na areia...aquele som...a finalização de uma viagem pelo oceano...tudo tem um fim...até mesmo as ondas. O set é perfeito, o número é o perfeito...
Na praia não está ninguém...
Os carros passam atrás de mim, cobertos pelo amor da noite...
Está frio.
O frio conforta-me enquanto vejo o negro da noite...deixo-me envolver...
Agora não passam carros...estou sozinho...não se ouve nada...só o mar...vivo...
Vou até á praia...descalço-me como se fosse o dia mais calorento do ano...o primeiro toque na areia...a sensação de vida percorre-me do pé ao coração...levo os ténis na mão e sento-me junto ao mar...a humidade nocturna aliada à brisa marítima entra-me na alma...fecho os olhos por um segundo...sinto o frio atravessar-me o corpo...como um choque...como uma colisão...enfrento os meus medos...e fico...
Dou um passeio...sem medos...descalço...sem nada...o mar, como um miúdo rebelde toca-me nos pés...como que a dizer que também ali está...não me passa despercebido...ele sabe disso...paro para o enfrentar...
Inspiro.
Inspiro, como se fosse a droga mais pura...inspiro e sinto a vida...a dor...a alegria...a tristeza...e hoje alguém me disse "se a vida fosse isenta de dôr perderia todo o seu significado"...tens razão...inspiro esta brisa fresca...o frio entra-me espesso pelos pulmões com uma intensidade linda...sinto-me vivo...vivo...
Expiro.
Expiro...e sinto aquele nó...o nó tão conhecido...o nó que trás muito mais que dor...aquela prisão na garganta...tremo com o frio...e tento expirar mais...e tirar tudo para fora...
E inspiro com uma força de quem estava prestes a afogar-se...como se recebesse o sopro da vida...e entra tudo...entra tudo o que deixei...tudo o que queria deixar para trás...
Sento-me novamente...o frio não me deixa mexer...estou sozinho...preso...apenas eu e tu...tu a mostras a tua força á minha frente nesse turbilhão e eu a quebrar com o turbilhão que eu tenho dentro de mim...julgas que tens as respostas todas, meu velho? Eu sei que andas aqui á muito mais tempo que eu e assim como eu já tu viste muitos passar por aqui, muitos acompanhados, muitos sozinhos...tantas promessas que te fizeram não foi, meu caro? Estarás sempre comprometido com a lua e as estrelas, meu velho! São voçês a minha companhia por esta noite, são voçês o meu conforto...não me tires isso meu velho! Já me tens aqui, que queres mais? Queres-me abraçar nesta noite? Um abraço silencioso? Como quem cobre um amigo do frio? Sabes que isso seria fim do nosso acordo! Não me podes abraçar assim, não como tu queres, sou apenas humano, não resistiria! Não hoje, meu velho!
Porque te queixas quando me dirijo para o carro? Porque queres a minha companhia quando já tens a lua...a lua em ti.
Oiço-te nas minhas costas...oiço-te...sinto a tua respiração a percorrer a minha nuca...eu sei que estás aí...deixa-me ir...não posso ficar contigo...
Entro no carro e ainda te oiço...mas deixa-me ir...peço-te...por favor...
Ignição.
Parto. As luzes passam á minha esquerda com uma velocidade exagerada...não vou depressa como é que tudo passa tão rapidamente? E tu? Tu á minha direita...mas já não te oiço...o som do motor cru e rude, abafa-te meu velho!
Cada vez mais depressa...reparo que sou eu...sou eu...sou eu que está sem pressa para chegar a lado nenhum a uma velocidade estonteante...exagero...levo-me ao limite...passo vermelhos com a certeza que vou ser atingido...passo vermelhos e não sou atingido...passo todos os vermelhos...tenho a certeza que é agora...mas não foi...as minhas mãos transpiram da velocidade...meto uma abaixo para fazer a curva...perco-me...já não interessa...
Dou comigo na serra...nem me lembro muito bem como cheguei...como voltei atrás...não me lembro...as arvores como que sussuram quando passo por elas...abrando...já não aguento mais...
Paro.
Não tenho nada á minha volta...só tu...serra esotérica...mágica...porque me trouxeste aqui?
Vejo as luzes lá em baixo...
Levas-me lá abaixo...mostras-me a saída...como uma amiga que acompanha outro até á porta...mas lá em baixo deixas-me ficar até que...sim...tu e eu, sabemos porque me trouxeste aqui! V.I.T.R.I.O.L.! Leva-me de volta...peço-te.
Ignição.
Parto.

Chego a casa...sento-me ao computador...sem sono...e escrevo "Não tenho sono...Saí..."

Quarta-feira, Março 01, 2006

In The Deep

Thought you had
all the answers, to
rest your heart upon.
But something happens,
don't see it coming, now
you can't stop yourself.
Now you're out there swimming...
In the deep.
In the deep.

Life keeps tumbling your heart in circles
till you... Let go.
Till you shed your pride, and you climb to heaven,
and you throw yourself off.
Now you're out there spinning...
In the deep.
In the deep.
In the deep.
In the deep.

And now you're out there spinning...
And now you're out there spinning...
In the deep.
In the deep.
In the deep.

If you want to be given everything, give everything up.

"Bird York - In the Deep"

Terça-feira, Fevereiro 28, 2006

Só posso dizer...

Só posso dizer que te adoro...
Só posso dizer que me fazes sentir...
Só posso dizer que o teu sorriso...
Só posso dizer que o teu olhar...
Só posso dizer que o teu toque...

Só posso dizer que...
Só posso dizer que...não consigo ter as palavras...
Só posso dizer que...são tão parcas...
Só posso dizer que...nem é o serem parcas é serem demasido simples...

Mas...é nos momentos simples...que o toque, o sorriso, o olhar, o teu adormecer se tornam tão maiores maiores que o mundo...não existe tempo suficiente para poder apreciar todos esses pequenos momentos...

E hoje...um dia lindo...sol...calor...uma estrada...um carro...sem ti...mas contigo dentro de mim...vamos os dois...vamos os dois brincar na areia...vamos os dois rir um com o outro...vamos nos deitar na areia fria da noite...vamos os dois contar estrelas...

Vamos...

Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006

Crueis

Disse tanta coisa que não devia ser dita...disseste-me tanto que me magoou...
A vida é assim...leva-se porrada para aprender a ter juízo...
Sinto-me tão triste...mas vou deixar de estar...eu sou melhor que isto!
Como tu disseste..."se eu estivesse no teu lugar só tinha um remédio...aceitar"...e é isso mesmo, tens toda a razão...está aceite!
Vais seguir o teu caminho...eu vou seguir o meu! Não quero olhar mais para trás e sentir...não quero mais sentimentos, a partir de agora vai ser tipo máquina...frio...e sem coração. Dói...azar...é o preço que tenho de pagar pela minha estupidez...pela estupidez de me ter apaixonado...por te ter amado. Estou cansado de levar porrada. Estou cansado de me magoar. Estou cansado que me magoes.

Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

About Ana's

Ani...vinda directamente de Barcelona...para me melhorar o dia. Fogo, só tu...a esta hora...neste dia...fogo...só tu!
Andava aqui eu...e tu chegaste com uma lufada de ar fresco...com essa bela frase..."tudo passa...até a uva passa"...só tu para me fazeres sorrir...eu sei que foi um sorriso triste, mas sorri!
Bem! Quando disseste "'és lindo"...caiu-me tudo..."é quase injusto conheceres alguém assim e perceberes que não é para mim, tu és muito mais do que eu poderia merecer e quero que percebas que se algum dia eu me afastei, foi por isso e não pelo contrário"....aqui foi quando desmaiei...e tu vieste-me apanhar do chão! Já não respirava...e tu sopraste-me o sopro da vida...e como que renasci depois disto...estava tão em baixo e tu foste buscar uns degraus para eu preparar a subida! Obrigado, miga! De todas as pessoas...tu...fogo...tu pá...é pá, nem sei o que dizer...só posso dizer Obrigado....obrigado por me teres feito sentir bem...e logo hoje...do fundo do meu coração...o meu mais que obrigado...eu meto-me de joelhos e agradeço...só espero estar aí quando sentir que também precisas!

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006

Goodbye My Friend

Did I disappoint you or let you down?
Should I be feeling guilty or let the judges frown?'
Cause I saw the end before we'd begun,
Yes I saw you were blinded and I knew I had won.
So I took what's mine by eternal right.
Took your soul out into the night.
It may be over but it won't stop there,
I am here for you if you'd only care.
You touched my heart you touched my soul.
You changed my life and all my goals.
And love is blind and that I knew when,
My heart was blinded by you.
I've kissed your lips and held your head.
Shared your dreams and shared your bed.
I know you well, I know your smell.
I've been addicted to you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

I am a dreamer but when I wake,
You can't break my spirit - it's my dreams you take.
And as you move on, remember me,
Remember us and all we used to be
I've seen you cry, I've seen you smile.
I've watched you sleeping for a while.
I'd be the father of your child.
I'd spend a lifetime with you.
I know your fears and you know mine.
We've had our doubts but now we're fine,
And I love you, I swear that's true.
I cannot live without you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

And I still hold your hand in mine.
In mine when I'm asleep.
And I will bare my soul in time,
When I'm kneeling at your feet.
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

I'm so hollow, baby, I'm so hollow.
I'm so, I'm so, I'm so hollow.
I'm so hollow, baby, I'm so hollow.
I'm so, I'm so, I'm so hollow.

Hurt

Magoado...Levaste-me a acreditar num sentimento que nunca existiu do teu lado...Duas horas...foi o que foi preciso para desaparecer o que nunca houve...Chorei tanto hoje...faltou-me a respiração...não conseguia parar...Saber que passaste o fim feliz...ao lado de quem amas...é um sentimento...sem palavras...Dizeres-me que queres esqueçer sexta...esqueçer o que aconteceu...não queres mais...Sentir-te a gostar e a dizeres-me que "não"...faz-me sentir a pessoa mais reles e nojenta...como se tivesse a forçar...só de pensar dói...Se não queres...sou eu que estou a forçar...então eu não forço mais...aliás como te disse já não quero nada...não quero estar zangado...não quero sentir paixão...não quero sentir amor...não quero sentir ódio...nada
não quero sentir mesmo nada...quero que me passes ao lado...e eu não tenha a sensação que tenho quando estou contigo...se sou eu o culpado disto tudo...se sou eu que forço...eu vou ter de ser forte para não querer mais nada...foi bom, sim...estás feliz...servi o propósito...ainda bem que ajudei...agora não quero nada...não quero aquela amizade de circunstancia...estou exausto...e sem sono...exausto de ouvir "não"...Dizes que sentes falta de mim ao pé de ti...depois dizes que nunca vou conhecer tudo de ti...não queres q tenha esperanças...Dizes que sou uma droga...que sou um vicio...dizes que me queres ver feliz...Dizes que foste tu que me meteste nesta alhada...dizes que é fisico...dizes que não é só fisico...
Ver-me feliz, como se fosse um sentimento de culpa...não quero isso...não quero...não que digas isso porque te sentes culpada...A culpa é minha...ninguém me mandou sentir isto...estava tão bem nos meus cinzentos, quando tu vieste me mostrar que as coisas têm de ser pretas e brancas...

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006

2:25

2:25! Ainda no escritório...Started com uma horita no Hip Hop! Sempre a rasgar!
No escritório a ouvir Pussycat Dolls...Pussycat Dolls Rule! Playing Loud!
Thanks Mike...Brothers 4 Fucking Ever...sempre lá nos momentos criticos!
Finalmente estive com a minha querida "sobrinha"...way cool Aninhas...sempre em festa...foram os 5 minutos mais fixes do dia de hoje! :-)
Eu sei que voçês estarão sempre aí...
Eu sei...eu não vos mereço...

P.s. - E agora to the one that...! Não sei se me estarás a ouvir/ver...tu sabes quem és...só para te dizer que...I'm a dreamer...e...tenho saudades........é pá, esquece lá isto...já estou a cair no mesmo erro novamente...sorry...no worries...só não queria deixar de te dizer...que não sei como estar ao pé de ti...não, não digas nada...ando demasiado vazio para ouvir o que quer que seja em condições...apanho tudo distorcido...não sei mesmo como me comportar...e depois só faço asneira...e ouvir-te dizer que estás bem...é mesmo...enfim...move on.

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006

Chaga

Foi como entrar
foi como arder
para ti nem foi viver
foi mudar o mundo
sem pensar em mim
mas o tempo até passou
e és o que ele me ensinou
uma chaga pra lembrar que há um fim

Diz sem querer poupar meu corpo
eu já não sei quem te abraçou
diz que eu não senti teu corpo sobre o meu
quando eu cair
eu espero ao menos que olhes para trás
diz que não te afastas de algo que é também teu
não vai haver um novo amor
tão capaz e tão maior
para mim será melhor assim
vê como eu quero
e vou tentar
sem matar o nosso amor
não achar que o mundo é feito para nós

Foi como entrar
foi como arder
para ti nem foi viver
foi mudar o mundo
sem pensar em mim
mas o tempo até passou
e és o q ele me ensinou

Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006

Peão

Ambos fizemos as nossas jogadas no tabuleiro da vida...Usaste-me como um peão, em que se sacrifica para se obter um valor maior. Tu já conquistaste esse valor maior, soubeste o que querias, soubeste como lá chegar! Chegaste! Não se chora a perca de um peão. Peões são para isso mesmo...sacrificar.Paraste para descansar...voltámos a jogar...e jogámos...tu voltas mover as tuas peças...Não há Xeque-Mates...são demasiado simples. Neste jogo a sensação de empate, vitória e derrota é constante...e muda tudo...muda-se em minutos.Encurralaste-me...tenho apenas uma jogada a fazer...o pesar da decisão pesa...pesa tanto, que a vontade de virar o tabuleiro é enorme....resta-me apenas uma jogada...uma jogada...uma única jogada...derrubar o Rei. Desistir.E agora..."le coup du jour"...estás feliz! Conseguiste o que querias. Sabes exactamente o que sentes!E assim que me levanto da mesa de jogo...as pernas falham...e ao cair...caiu com a lembrança de todas as jogadas...todos os sorrisos...todas as lágrimas...caiu...caiu...para sempre.

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006

Blower's Daughter

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new

Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006

E assim foi...

Um amor proibido...dois amantes...o fim adivinhava-se...nunca se crê...afinal quem crê? Não é preciso para isso ter-se fé? Há muito que a minha fé se desvaneceu num mar de lágrimas!
Um amor em silêncio...promessas feitas...não...não, a mais promessas...não a mais tentações...sinto-me cansado...sinto a força para continuar...e é tão mais forte...e é tão mais doloroso...mas a dor empurra-nos para a frente...e quanto mais dor mais somos empurrados para continuar...estou dormente!
Um amor tolo...tolices...nunca será o que sonhámos...
Um dia...uma noite...tantas noites...tantos sentimentos...
Acordem-me quando acabar!

Segunda-feira, Janeiro 16, 2006

I don't wanna fall in love

I would like to tell you,
I would like to say
That I knew that this would happen
That things would go this way
But I cannot deceive you, this was never planned
I know that you're the right girl but do you think that I am the right man?

1...2...3...4,5,6,7,
Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Too late, so deep, better run cause
(but I don't wanna fall in love)
Can't sleep, can't eat, can't think straight
( I don't wanna)

You say it's not a problem,
You say it's meant to be
But love is not an option, our love is never free
And things are not so easy, so cold and we've been burned
I know that I'll have regrets but that's the price of one more lesson learned

1..2..3...4,5,6,7,
Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Too late, so deep, better run cause
(but I don't wanna fall in love)
Can't sleep, can't eat, can't think straight
( I don't wanna)

Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Too late, so deep, better run cause
( I don't wanna fall in love)
Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Can't sleep, can't eat, can't think straight
( I don't wanna fall in love)
Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Too late, so deep, better run cause
( I don't wanna fall in love)
Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Can't sleep, can't eat, can't think straight
( I don't wanna, I don't wanna, I don't wanna)

Quarta-feira, Janeiro 11, 2006

Hope There's Someone

Hope there's someone
Who'll take care of me
When I die, will I go

Hope there's someone
Who'll set my heart free
Nice to hold when
I'm tired

There's a ghost on the horizon
When I go to bed
How can I fall asleep at night
How will I rest my head

Oh I'm scared of the middle place
Between light and nowhere
I don't want to be the one
Left in there, left in there

There's a man on the horizon
Wish that I'd go to bed
If I fall to his feet tonight
Will allow rest my head

So here's hoping I will not drown
Or paralyze in light
And godsend I don't want to go
To the seal's watershed

Hope there's someone
Who'll take care of me
When I die, Will I go

Hope there's someone
Who'll set my heart free
Nice to hold when I'm tired

Quinta-feira, Janeiro 05, 2006

C'mere

It's way too late to be this locked inside ourselves
The trouble is that you're in love with someone else
It should be me. Oh, it should be me
Sacred parts, your get aways
You come along on summer days
Tenderly, tastefully

And so may, we make time
Try to find somebody else
This place is mine

You said today, you know exactly how I feel
I had my doubts little girl
I'm in love with something real
It could be me, that's changing!

And so may, we make time
To try and find somebody else
Who has a line

Now season with health
Two lovers walk a lakeside mile
Try pleasing with stealth, rodeo
See what stands long ending fast

Oh, how I love yo
uAnd in the evening, when we are sleeping
We are sleeping. Oh, we are sleeping

And so may, we make time
We try to find somebody else
Who has a line

Now season with health
Two lovers walk a lakeside mile
Try pleasing with stealth, rodeo
See what stands long ending fast

Quarta-feira, Janeiro 04, 2006

All These Things That I've Done

When there's nowhere else to run
Is there room for one more son
One more son
If you can hold on
If you can hold on, hold on

I wanna stand up, I wanna let go
You know, you know - no you don't, you don't
I wanna shine on, in the hearts of men
I want a meet you from the back of my broken hand

Another head aches, another heart breaks
I'm so much older than I can take
And my affection, well it comes and goes
I need direction to perfection, no no no no

Help me out - Yeah
You know you got to help me out - Yeah
Oh, don't you put me on the back burner
You know you got to help me out - Yeah

And when there's nowhere else to run
Is there room for one more son
These changes ain't changing me
The cold-hearted boy I used to be

Yeah
You know you got to help me out - Yeah
Oh don't you put me on the back burner
You know you got to help me out - Yeah
You're gonna bring yourself down - Yeah
You're gonna bring yourself down - Yeah
You're gonna bring yourself down

I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
(time, truth, and hearts)
Yeah
You know you got to help me out - Yeah
Oh don't you put me on the back burner
You know you got to help me out - Yeah
You're gonna bring yourself down - Yeah
You're gonna bring yourself down - Yeah
Oh don't you put me on the back burner
You're gonna bring yourself down - Yeah
You're gonna bring yourself down

Over and in, last call for sin
While everyone's lost, the battle is won
With all these things that I've done
All these things that I've done
(Time, Truth, and Hearts)
If you can hold on
If you can hold on

Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

Crash

It's the sense of touch. In any real city, you walk, you know? You brush past people, people bump into you. In L.A., nobody touches you. We're always behind this metal and glass. I think we miss that touch so much, that we crash into each other, just so we can feel something.

Terça-feira, Dezembro 20, 2005

Casa (Vem Fazer de Conta)

Era tudo quando ela me dizia,
“Benvindo a casa”, numa voz bem calma
Acabado de entrar, pensava como reconfortava a alma
nunca tão poucas palavras tiveram tanto significado
e de repente era assim, do nada, um ser iluminado -
e tudo fazia sentido, respirar fazia sentido,
andar fazia sentido, todo o pequeno pormenor em pensamento perdido
era isto que realmente importava,
não qualquer outro tipo de gratificação

Não o quanto se ganha,
não o bem que dizem de nós não
um novo carro, não uma boa poupança,
nem sequer a família, ou a tal aliança - nada…
Apenas duas palavras,
um artigo, formavam a resposta universal
A minha pedra filosofal
Seguia para dentro do nosso pequeno universo
Um pouco disperso - pronto a ser submerso
Naquele mar de temperatura amena que a minha pequena
abria para mim sempre tranquila e serena, ena…

Tento ter a força para levar o que é meu
Sei que às vezes vai também um pouco de nós
Devo concordar que às vezes falta-nos a razão
Mas nego que há razões para nos sentirmos tão sós
Vem fazer de conta, eu acredito em ti!
Estar contigo é estar com o que julgas melhor
Nunca vamos ter o amor a rir para nós
Quando queremos nós ter um sorriso maior

Bem-vindo a casa dizia quando saia de dentro dela
O bonito paradoxo inventado por uma dama bela
Em dias que o tempo parou, gravou dançou,
não tou capaz de ir atrás, mas vou
porque sou trapalhão, perdi a chave e já nem sei bem o caminho
nestes dias difusos em que ando sozinho e definho
à procura de uma casa nova do caixão até a cova
o percurso é duro em toda a linha, sempre à prova

Tento ter a força para levar o que é meu
Sei que às vezes vai também um pouco de nós
Devo concordar que às vezes falta-nos a razão
Mas nego que há razões para nos sentirmos tão sós
Vem fazer de conta, eu acredito em ti!
Estar contigo é estar com o que julgas melhor
Nunca vamos ter o amor a rir para nós
Quando queremos nós ter um sorriso maior

Por isso escrevo na esperança que ela ouça o meu pedido
de desculpas
de socorro
de abrigo
não consigo
ver uma razão para continuar a viver sem a felicidade do meu lar
da minha casa, doce casa, já ouviram falar?

É o refúgio de uma mulher que deus ousou criar
Com o simples e unico propósito de me abrigar
Não vejo a hora de voltar lá para dentro, faz frio cá fora
Faz tanto frio cá fora que eu já não vejo a hora…

o calor é um alimento que eu preciso
o amor é apenas um constante aviso
se sabes que eu não vivo dessa forma
tu sabes que eu não sinto dessa forma

Tento ter a força para levar o que é meu
Sei que às vezes vai também um pouco de nós
Devo concordar que às vezes falta-nos a razão
Mas nego que há razões para nos sentirmos tão sós
Vem fazer de conta, eu acredito em ti!
Estar contigo é estar com o que julgas melhor
Nunca vamos ter o amor a rir para nós
Quando queremos nós ter um sorriso maior

Terça-feira, Dezembro 13, 2005

Beauty * 2

I sent you out to play last night
The alarms went off at three.
Funny how I'm not loving now
Lonely does not guarantee.
I sent you out to play last night
The alarms went off at three.
Funny how I'm not loving now
He's not coming home to me.
I sent you out to play last night
The alarms went off at three.
Funny how I'm not loving now
He's not coming home to me.

And I move out of love.
If only there was only no consequence.
I'd watch it all turn to dust.

Hey can I go with you, my beauty number 2?
Hey can I go with you, when the rendezvous' over?

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

Running From Me

Say a prayer for me, 'cause I can barely breathe.
I'm suffering, and I can't take it.
Because of me, no one will ever see this side of me
If I don't make it.

It’s like I can't wake up, it’s like I can’t get up
It’s like I can’t remember who I used to be
Am I running from you or am I running from me?

It’s like I can’t wake up, it's like I can’t get up
It’s like I can’t remember who I used to be
Am I running from you or am I running from me?

Clear a path for me, because I can barely see,
I stumbling and I can't shake it
It’s up to me to save myself from me, my enemy
But I can't face it.

It’s like I can't wake up, it’s like I can’t get up
It’s like I can’t remember who I used to be
Am I running from you or am I running from me?

It’s like I can't wake up, it’s like I can’t get up
It’s like I can’t remember who I used to be
Am I running from you or am I running from me?

I’m breaking out
I’m breaking out
I’m breaking out
I’m breaking out
I’m breaking out

Here I come, here I come, here I come
I Can't
Wake
Up
‘Cause I not around,
Am I running from you or am I running from me?

It’s like I can't wake up, it’s like I can’t get up
It’s like I can’t remember who I used to be
Am I running from you?
Can’t face myself, I just left with the suffering.

Sexta-feira, Dezembro 09, 2005

International Dateline

Woke up in the evening
To the sound of the screaming
Through the walls that were bleeding
All over me
Untied & weightless

Unconscious as we cross
The international dateline
Let's end it here
Grow tired of the shokos
And the ones that we toast
There are no zeroes
Around here

Untied & weightless
Unconscious as we cross
The international dateline

Let's end it here
Let's end it here
Let's end it here
Let's leave her here
Let's end it here

Woke up in the evening
To the sound of the screaming
Through the walls that were bleeding
All over me

Untied & weightless
Unconscious as we cross
The international dateline

Let's end it here
Let's end it here
Let's end it here

Let's leave her here
Let's leave her here

Let's end it here
Let's end it here

Let's leave her here
Let's leave her here

"Ladytron - International Dateline"

Quarta-feira, Dezembro 07, 2005

Finally

So it's over now
I'm beneath
And I'm crawling out
On my knees
I can hear what you said
Echoing in my head
I'm losing...myself
Now I'm cold on the floor
And I don't care anymore
Cause it's over...it's over
I can feel
Like it's real
Now I can finally feel
So I guess it's over now
And you broke me down somehow
Now I'm faltering
I can see - I can be
I can leave and shut you out
So I'm leaving now (somehow)
Underneath
As I slowly drown
Finally
I can hear what you said
Echoing in my head
I'm losing...myself
I'm shaking deep inside
I'm having trouble breathing
I need somewhere to hide
Away cause I am healing
I'm having trouble breathing
Tomorrow I am healing

Terça-feira, Dezembro 06, 2005

Deeper Into You

I feel it eating at me,
while you still drown me.
And cross the line over and over again.
It's all around me, now I'm here cause of you.

Now I'm falling, I'm falling now cause of you.
Now I'm falling, deeper into you.

Tired of hating myself;
I can't let me cross the line for her.
I'm not me when I dream, there's someone else in me.
That I fear cause of you.

Now I'm falling, I'm falling now cause of you.
Now I'm falling, deeper into you.

I'm not me when I dream;
I'm not me when I dream, anymore.

Because of you.
Now I'm falling, I'm falling now cause of you.
Now I'm falling, deeper into you.

Segunda-feira, Dezembro 05, 2005

Hover

You take me down, further inside of me
Now I'm fading out,
I can barely see
I hover
To see you leave again, it's over
And it kills me to watch you descend, to the end
Can't think straight
Shutting me out - closing me out
Are you trying - hurting
Taking me out - leaving me out
Keeps me struggling
You're leaving
You take me down, further inside of me
Now I'm fading out, I can barely see
I hoverto see you caving in, I'm undone
And to say it's the last time again
It's the end
Can't think straight
Shutting me out - closing me out
Are you trying - hurting
Taking me out - leaving me out
Keeps me struggling
I'm leaving
You take me down, further inside of me
Now I'm fading out, I can barely see
I hover
I'm watching you descend
I'm hovering instead
I'm watching you descend
I'm hovering instead
You take me down, further inside
Now I can see through you
You take me down, further inside of me
Now I'm fading out, I can barely see
I hover
I hover
I hover
I hover – again

Terça-feira, Outubro 25, 2005

Brilho

Vejo e penso, isso é tudo para mim? Mas é claro que não, no entanto não deixa de ser engraçado este pensamento, talvez seja apenas o meu Ego bêbedo pelas tuas palavras e a ânsia de te "ouvir" escrever.
Mas afinal, que queres que te diga?
Nada que te possa dizer valerá a pena! Nunca saberás para quem são estas palavras, assim como eu nunca saberei para quem são essas. No entanto, desapareces, apareces e desapareces. Assim como um pirilampo que brilha e eu sei que brilhas, mas é dificil de agarrar, mas também para que prender-te? Brilhas em qualquer lado e estás de um lado sempre incógnito. Lá está, mais um desabafo de um pensamento adolescente.

Segunda-feira, Outubro 24, 2005

In a manner of speaking

Não costumo dizer nada quando não mesmo nada a dizer, mas hoje e com esta musica na cabeça, apenas uma versão dos Tuxedomoon cantada pela Camille dos Nouvelle Vague, é das musicas mais profundas que eu conheço... talvez seja o estado de espirito assim que assim o deseje, nem sei bem, melancolia pela melancolia, se existem coisas que eu não gosto é de pessoas todas "upbeat" de bem com a vida, aquele sentimento que a vida são flores e passarinhos e que está tudo bem...sinceramente irrita-me, eu quando estou em baixo gosto de estar em baixo...gosto de ficar com o meu Jazz...no meu ambiente made in Chicago on a rainy day.

In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing

In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about you
Is beyond words

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything

In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrified

So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing.

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything

Sexta-feira, Outubro 21, 2005

Playgroud Love

I'm a high school lover,
and you're my favorite flavor.
Love is all, all my soul.
You're my Playground Love.
Yet my hands are shaking.
I feel my body [remain tense?], no matter,
I'm on fire.
On the playground, love.
You're the piece of gold the flushes all my soul.
Extra time, on the ground.
You're my Playground Love.
Anytime, anyway,
You're my Playground Love.

Quinta-feira, Outubro 20, 2005

Palavras

Mais uma vez abro os olhos p'ra ver o mundo acordar,
um silencio perfeito, desfeito num balancar.
quem me dera ficar para sempre no outro lado,num sono profundo completamente isolado,
viveria num sonho entre paisagens brutais,
porque a vida ca fora por vezes é dura demais
quanto mais, sempre mais, tempo passa,
entao eu sigo em frente seja para o bem ou p'ra desgraca.
lentamente, pé ante pé vou à janela,
uma infindavel paisagem parece caber numa tela.
o odor da manha e do mar, a sensacao familiar,
elementos suficientes para nos fazer recordar:
pequenos momentos gravados na memória,
pequenos pormenores que mudaram a minha história,
essencial recordar o que foi mau, o que foi bom
aproveita a vida, relaxa curte o som.
Foram anos e anos, perdidos acho... bazamos
mas por enquanto pesamos, naquilo que acreditamos,
uma mudanca na vida, tres passos para comecar devagar...
...fiquei no meu lugar.

espero que oucas, um dia o sol ha-de voltar,
enquanto é noite põe as ideias no lugar.
ela prime o gatilho, és só mais um a passar
é essencial viveres a vida sem te deixares afundar.
sentimento real, fatal, distante, informal,
e permanencia constante num estado artificial.
certo dia uma voz distante veio ter comigo,
num tom passivo mas alarmante, sussurrou-me ao ouvido:
- estas entre a vida e a morte, tal como o fogo e a agua
dentro de ti contrasta a paz, a guerra, o amor e a magua,
olha para dentro e diz-me o que ves...
agora olha à tua volta... nasce outra vez.
tais palavras ecoaram, ficaram na minha mente
tenta encontrar um equilibrio, curte a vida, se prudente,
tanto tempo que perdes, quanto mais tempo aguardas,
puros sentimentos traduzidos por palavras.

a paz, os sentimentos que traz e desfaz tanta miséria que há na alma...
com calma vou fazendo o meu caminho.

Quarta-feira, Outubro 19, 2005

Always

I've been here before a few times
And I'm quite aware we're dying
And your hands they shake with goodbyes
And I'll take you back if you'd have me
So here I am I'm trying
So here I am are you ready

Come on let me hold you touch you feel you
Always
Kiss you taste you all night
Always

And I'll miss your laugh your smile
I'll admit I'm wrong if you'd tell me
I'm so sick of fights I hate them
Lets start this again for real

So here I am I'm trying
So here I am are you ready
So here I am I'm trying
So here I am are you ready

Come on let me hold you touch you feel you
Always
Kiss you taste you all night
Always
Come on let me hold you touch you feel you
Always
Kiss you taste you all night
Always

I've been here before a few times
And I'm quite aware we're dying

Come on let me hold you touch you feel you
Always
Kiss you taste you all night
Always
Come on let me hold you touch you feel you
Always
Kiss you taste you all night
Always
Always
Always

Terça-feira, Outubro 18, 2005

Sorriso

Aonde é que tu andas? Sinto a curiosidade de saber como estás! Sinto a atracção de querer estar contigo! De ver esse sorriso! O que vale é que não me ligas nenhuma, talvez seja melhor assim, não sei...será que é? Eu não queria que fosse, queria conhecer-te, saber mais dos teus gostos, ler nos teus olhos o que queres dizer, é pedir muito? Quero abraçar-te e dar-te a conhecer o meu mundo, se não gostares criamos um mundo só nosso onde nos podemos refugiar. É pedir muito? É, de certeza! Como posso eu querer aqui aquilo que não posso, mas que quero tanto?

Segunda-feira, Outubro 17, 2005

Too Fast

Não precisas de dizer nada, também não existe mesmo nada a dizer! Tudo o que se possa dizer agora, vai ser apenas um excesso inútil! Assim que vieste também foste, sem te perderes em linhas simpáticas ou explicativas, foste sem um adeus, sem um até já, sem um beijo! Perdi aquilo que nunca tive, sem lágrimas, sem acenos, sem uma mágoa para eu poder estimar nos primeiros tempo, apenas foste e eu deixei-te ir!
Nunca consegui saber se ficarias, mas também ficarias porquê? Afinal, não há mantra que nos valha!
Vês, voltamos a ser aquilo que éramos, aquilo que sempre fomos! Nada!
Escrever para quê? Como é que se escreve sobre o nada? Qual nada? Já não há mantra que nos valha!
Assim, voltei para aquele cheiro de insenso, misturado com as saladas vegetarianas do costume, os crepes revirados na mesa, os mantras cantados!
Assim, voltei ao nada novamente...

Quinta-feira, Outubro 13, 2005

Coincidências

Existe sempre um elemento iniciador, a ignição.
Talvez tenha sido farinhas sopradas, charcos descobertos, mas passamos 1 segundo, 1 minuto, 1 vida em redor de coincidências, tal qual rodas dentadas engrenadas, uma na outra...uma frase...um movimento...mais uma coincidência.
Português? Nem Marte foi aceite!
Mas...mais uma frase, mais uma engrenagem, mais umas letras no ecrã.
As rodas vão girando.
Coincidem.
Mais coincidência, mais movimento, sempre em direcção oposta, tal qual rodas dentadas.
Coincidência gira, não?
Mais um Tuga em movimento oposto.
Mais uma teoria partilhada.
Mais uma empatia revelada.

Quarta-feira, Outubro 12, 2005

This Is Hardcore

You are hardcore, you make me hard.
You name the drama and I’ll play the part.
It seems I saw you in some teenage wet dream.
I like your get up if you know what I mean.
I want it bad.
I want it now.
Oh can’t you see I’m ready now.
I’ve seen all the pictures,
I’ve studied them forever.
I wanna make a movie so let’s star in it
Together.

Don’t make a move ’til I say, ’ACTION’.
Oh, here comes the hardcore life.
Put your money where your mouth is tonight.
Leave your make-up on and I’ll leave on the light.
Come over here babe and talk in the mic.
Oh yeah I hear you now.
It’s gonna be one hell of a night.
You can’t be a spectator. Oh no.

You got to take these dreams and make them whole.
Oh this is hardcore -
There is no way back for you.
Oh this is hardcore -
This is me on top of you and
I can’t believe that it took me this long. That it took me this long.

This is the eye of the storm.
It’s what men in stained raincoats pay for but in here it is pure.
Yeah. this is the end of the line.
I’ve seen the storyline played out so many times before.
Oh that goes in there.
Then that goes in there.
Then that goes in there.
Then that goes in there. And then it’s over.
Oh, what a hell of a show
But what I want to know:
What exactly do you do for an encore? ’cos this is hardcore!

Segunda-feira, Agosto 01, 2005

Lágrima

Porque é que as lágrimas têm ecos de um silêncio perdido nesta escuridão?? Neste frio horrível, esquecido nesta noite, divagando por memórias repetidas...repetidas vezes sem conta por jantares, repetidas vezes sem conta na minha cabeças, levado por alegrias e angústias para outros tempos...viajo...passado...Passado diz-me porque me és Presente! Presente em mim...na minha hora...na minha solidão

Segunda-feira, Julho 18, 2005

Viðrar Vel Til Loftárása

I let myself flow
Onwards
Through the head
Halfway
Backwards

See myself singing
The praise
We wrote together
We
Had
Ourselves a dream
Had everything

We rode the end of the world
We rode searching
Climbed the skycrapers
That popped up, later
Peace is out
I leak balance
Fall down

I let myself flow
Through the head
I always come back
To the same place

Total silence
No answer
But the best
God created
Is a new day...Tomorrow

Sábado, Julho 02, 2005

Mar Adentro

Mar adentro, mar adentro,
y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños,
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.

Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno,
y en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo;
es como penetrar al centro del universo:

El abrazo más pueril,
y el más puro de los besos,
hasta vernos reducidos
en un único deseo:

Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras:
más adentro, más adentro,
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.

Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos.

Segunda-feira, Junho 20, 2005

Encantas-me

Encanta-me essa forma estranha de seres
Livre de tudo sem amarras respiras
Encanta-me esse teu olhar sempre longe
Em viagens incríveis gostaria que me levasses
Encanta-me o teu cheiro pela manhã
Aroma que se prende na pele e não o quero largar
Encanta-me a tua meiguice quando preciso de carinho
Enchendo meu coração de doces
Encanta-me tudo em ti que vejo e saboreio
Encanta-me esse teu jeito desajeitado
Esse teu andar despreocupado
Teu respirar solto na maré
Encanta-me o teu toque na minha pele nua
Percorrendo sempre novos caminhos
Encanta-me a forma como me encantas
Cada vez mais um pouco
Como me encantas...

powered by Lobalpha

Terça-feira, Junho 07, 2005

Twins?

Yin e Yang...
Se temos a perfeição criada pela Natureza em tudo, porque não para almas gémeas?
Não digo que ela esteja em Portugal ou até mesmo na Europa, mas ela tem que existir, não faria sentido o contrário.

Mas que tipo de alma gémea será?
Terei tudo o que lhe falta a ela e ela terá tudo o que me falta, de uma forma tão completa que nos tornariamos um? Será ela um preenchimento apenas de falhas? Será ela o negativo para o meu positivo? Será que acabaremos as frases um do outro? Será que nem seria necessário de falar porque estariamos a pensar na mesma coisa e por consequinte a resposta seria a mesma?

Será um outro "EU"? Se ela existe assim então neste momento deve-se estar a interrogar exactamente da mesma forma como eu! Não quero que sejas assim, serias meramente um clone intelectual...não me estarias a completar, estarias-me a duplicar...

Estarás tu a escrever da mesma maneira? Estarás tu a rir-te para o ecrã, a pensar que estas filosofias nunca levaram ninguém a lado nenhum?

Estarás...

Sexta-feira, Junho 03, 2005

Excertos de um pensamento adolescente

Sem dúvida, se tudo na vida é efémero, então porque não a amizade?
Agora vejo a verdadeira beleza da amizade...poderemos considerá-la como o verdadeiro Lusco Fusco(powered by Gato Fedorento)...5/7 minutos de verdadeira intensidade e pronto...amanhã á mais. Se a virmos assim, gozamos os nossos 5/7 minutos e ficamos contentes...ninguém se aleija e fica tudo muito mais contente. Não fazem sentido as promessas de eterna amizade entregues entregues em bilhetinhos no secundário, normalmente durante o horário das aulas e ás escondidas do professor...as juras de amizade na faculdade, sempre acompanhadas com a bela da imperial e uns tremoços para acompanhar, porque afinal de contas um aluno tem que se alimentar...as noites de copos em que parece tudo tão perfeito, de certeza influenciados pelos alcool.

Sempre reparei que as crianças além de serem a alegria dos adultos, umas para as outras são muito crueis, mesmo ao nivel de violência gratuita, porquê? Serão tentativas de afirmação? Serão os ditos mecanismos de auto-defesa? Será até que transpomos essa crueldade, para a maturidade? Será que entramos nesse estado de violência gratuita porque somos muito exigentes? Bom, talvez até sejam apenas casos psicopatológico e que apenas mereçam umas horas num divã de um psicólogo qualquer!

Infelizmente, a exigência aparece até mesmo na amizade.
Uma frase muito engraçada diz o seguinte: "It's all me, me, me, mine, mine, mine"...nos momentos que se precisa mais de alguém para falar é quando todos desaparecem, e são nesses momentos de solidão é que reparamos que...
Quando é que reparamos que afinal as pessoas não são todas iguais? E pior ainda...não são como nós gostariamos que elas fossem, especialmente quando pensamos que as pessoas devem ser como nós (isso é que é mesmo mau).

Hoje vejo a crueldade do tempo...amigos que já são demasiado importantes para serem amigos, amigos que não têm tempo, amigos que desapareceram, amigos superficiais, amigos que se julgam superiores...amigos que realmente nunca foram amigos.

Quarta-feira, Junho 01, 2005

Eros e Psique

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

powered by Fernando Pessoa

Quarta-feira, Maio 25, 2005

Educação

Uma coisa é ser critico, outra é ser mal educado.
Uma coisa é discordar, outra é argumentar discordando.
Uma coisa é argumentar, outra é não ter educação para faze-lo.

Terça-feira, Maio 24, 2005

No Picture

No Picture...but This Picture sounds great.
Para cura de traumas, frustrações, utopias...
Um Blog para todos os que são psicopatológicamente incuráveis.